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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O mestre e o gafanhoto no lodaçal do Petróleobrás


Num final de tarde particularmente bonito, com os raios de sol incendiando o céu, o Gafanhoto decidiu que estava na hora de visitar o Mestre, ao qual devia migalhas de saber, cujo efeito era tornar menos opaca a ignorância na qual vivia mergulhado. Bem sabia que na condição de um dos “mais bobinhos da turma”, tudo que lhe restava fazer era abeberar-se na fonte do saber.
Ao chegar perto da entrada da caverna – lugar geométrico tradicional dos gurus - sentiu-se algo inseguro, mas logo superou esse sentimento. Encontrou o Mestre sentado na posição de lótus, mirando com fixidez um ponto indefinido, onde as retas paralelas costumam se encontrar.
- Seja bem-vindo.
- Desculpe minha intromissão. Sei que interrompê-lo na sua meditação irá me valer pontos negativos na avaliação final, mas computando o framework risco x retorno, decidi arriscar.
- Audaces fortuna juvat. A fortuna sorri aos audaciosos – em tradução livre. Aproxime-se.
O Gafanhoto lançou um olhar circular – aprendera que um olhar elíptico poderia causar distorções na percepção - mas tudo que viu não passava de um ambiente austero; as paredes nuas da rocha escavada, um cartaz “Proibido fumar’, a pilha de livros de há muito tempo intocados, tudo mergulhado na fumaça originada pela queima de incenso. Tossiu. O Mestre, também.
- Mestre, venho a pedido de um amigo, conselheiro de investimentos, e antes de tratar dos meus assuntos, gostaria de lhe encaminhar algumas perguntas.- Teve direito ao mutismo do Mestre, que tanto poderia significar encorajamento, quanto a mais profunda reprovação. Decorridos intermináveis segundos, o Mestre decidiu apiedar-se:
- Tentarei ajudar, mas há uma condição. Depois farei também uma pergunta, para avaliar o quanto assimilou.
- Mestre, sei que a Petrobrás está construindo uma refinaria em Pernambuco.
- Já lhe disse que uma pergunta jamais poderá ser feita na forma de uma afirmação. Un maestro de mi categoria e fuerza jamais faz concessões.
- Perdão, ainda não cheguei a pergunta.
- Seja objetivo, Gafa!
- Essa refinaria é necessária?
- Naturalmente, sabe que apesar de ser auto-suficiente em petróleo há mais de quatro anos, o Brasil importa derivados, sendo a balança comercial negativa nesse particular.
- Como assim?
- O valor gasto com importações é maior que a receita de exportações.
- Mas é auto-suficiente.
- Gafanhoto, sempre haverá um critério segundo o qual chegamos à conclusão desejada. Por exemplo: Você me acha magro?
- Sim. Até evitei mencionar o fato. Parece muito magro.
- Errado, Gafanhoto. Sou é muito alto. Se medisse uns trinta centímetros a menos com o mesmo peso, você me acharia obeso, a medida do meu IMC seria maior que 25.
-IMC?
- Índice de massa corporal, Gafanhoto. Não está familiarizado com o uso de siglas?
- Sim, conheço algumas. PAC, FMI, COPOM... Então a refinaria é necessária?
- Não costumo mudar de opinião tão rapidamente. Não é nem questão de coerência que seria a virtude dos imbecis.
- Perdão. Soube que, para esse, a Petrobrás receberá um financiamento de uns R$ 10 bi do BNDES, parte de um pacote maior. Mais uma sigla.
- Veio me comunicar isso?
- Não, mestre. A pergunta é: Depois de uma capitalização de 70 bilhões de dólares, isso era necessário?
- Gafanhoto, o plano de investimentos da Petrobrás para o período 2011-2015 é de mais de 220bilhões de dólares. O lucro líquido para esse período será de digamos 20-25 bilhões de dólares anuais. Mesmo com a empresa se desfazendo de alguns ativos, falta dinheiro para cumprir esse plano.
-Entendi.
-Não entendeu, Gafanhoto. Se continuar com essas interrupções nada entenderá. Nunca! Daquela capitalização – a maior do mundo, cantada em versos e prosa ufanista – uns 40 bilhões de dólares já foram gastos. A Petrobrás comprou 5 bilhões de barris a U$ 8,51 cada.
- A empresa ficou com medo que esses barris se evaporassem?
- Não, Gafanhoto. Mas é sempre bom garantir o direito de explorá-los
- E a Petrobrás tinha esse dinheiro?
-Você não entende nada. O governo entrou com esse dinheiro que a Petrobrás usou para fazer a compra, de modo que no balanço, ao invés de Caixa ela tem os barris. Mas rápido em conta como o conheço, já viu que não sobrou tanto. Sem contar que o governo apurou uma receita com essa venda, que serviu para vitaminar o superávit primário.
-O Governo tinha esse dinheiro, para capitalizar a Petrobrás?
- Tinha...ou emitiu papel, fez dinheiro e o recebeu de volta. Entendeu?
- Ah. Que governo inteligente!
- É uma pergunta?
- Não, Mestre, é uma exclamação.
- Exclamações não requerem respostas.
- Então, voltando à refinaria Abreu e Lima, a Petrobrás associou-se à venezuelana PDVSA. Está vendo, mestre, mais uma sigla.
- Veio para me impressionar com seu conhecimento de siglas, Gafanhoto?
- Sei que jamais conseguirei impressioná-lo, Mestre. Mas voltando à pergunta, que não tive oportunidade de formular. Essa associação é boa?
- Boa para quem, Gafanhoto?
- Aprendi no curso de doutoramento que um negócio tem de ser bom para ambas as partes. Tem de ser win, win.
- Está grasnando sem razão, gafanhoto. Por que não diz ganha, ganha? Vamos pensar. Numa associação ambos os sócios investem na proporção acordada. Nessa refinaria, cujo custo não para de subir, a Petrobrás entra com 60% e a PDVSA com...
- 40%.
- Sua habilidade numérica não encontra paralelo no mundo inteligente. Já pode tentar uns testes psicotécnicos para ascensorista do Senado. É a última interrupção que tolerarei hoje. Recapitulando. O custo da refinaria, depois de triplicar em relação á estimativa inicial está, por enquanto, em uns 26bi de reais. Por enquanto, a Petrobrás cacifou e a PDVSA apenas reclama da lentidão. O presidente da Venezuela até disse que ‘há setores da Petrobrás que não gostam’, mas ele pretende resolver esse assunto quando falar com “sua amiga Dilma”.
- Isso mesmo. Foi o que li no Estadão. Mas por que será que esses setores não gostam, Mestre, se for verdade o que Chávez disse?
- É que até agora, com 35% do projeto completados a PDVSA não colocou nenhum tostão. Não me pergunte como se chegou a 35% e não a 33,8 ou 38,1%. Não é o momento de falar em algarismos significativos. É apenas um ballpark.
- O que?
- Uma aproximação.
- E por que a PDVSA não investiu ainda?
- Boa pergunta. Como dizia o grande Carl Herrmann , responda você mesmo!
- Não quis se precipitar. Ou não tinha.
- Correto. Daí a PDVSA pretende levantar um empréstimo com o BNDES. Somos parceiros. Como você disse, Gafa, quen,quen!
-É win, win, mestre!
-Que seja!
- Ah, com nosso dinheiro? E o BNDES emprestará?
- Para não sair mal na foto, o BNDES exigiu garantias, essa bobagem típica de banqueiro – saber se receberá de volta o dinheiro.
- Para uma empresa do porte da PDVSA apresentar garantias é difícil?
- No caso deles levou meses, até que conseguiram duas cartas de fiança cobrindo R$ 4 bi. Uma delas relativa a 1bi é do BB. -Também conheço siglas. Para os outros R$ 3 bi veio uma carta de fiança do BES português – um banco tradicional com quase 150 anos de vida.
- As cartas chegaram apesar da greve dos Correios?
- Gafanhoto, olhe o respeito!
- Então, a PDVSA não tinha dinheiro para investir, precisou de financiamento do BNDES e parte das garantias foi dada por um banco brasileiro?
-Tudo em casa, Gafa! Somos uma grande família!
- Então o projeto receberá o aporte da PDVSA?
- Por enquanto, não, mas isso deverá acontecer, assim que eles verificarem quanto já se investiu para poder pedir ao BNDES o correspondente a 40%, isso acontecerá. Fazem muito bem querer verificar. Não vão torrar dinheiro à toa.
- Então é um bom negócio?
-Chega de perguntas. Seus assuntos ficam para um outro dia. Agora é a minha vez. Pense e responda. O que é azul, está numa árvore e assobia?
- Não sei.
-Pense, Gafanhoto!
- Ma langue au chat. Desisto.
- É o presidente da Petrobrás.
- Por que azul?
- Porque assim o pintei.
- Por que fica numa arvore?
- Porque lá o coloquei
- Por que assobia?
- Foi para dificultar, Gafanhoto!
O Gafanhoto agradeceu e saiu. Uma lufada de ar gelado o fez estremecer. Caminhou tentando entender a razão da pergunta do Mestre.



Texto de Alex Solomon
- Outros livros publicados por Alex Solomon : Plataforma G - Bucareste - Não basta sonhar - O desmonte de Vênus - Um triãngulo de bermudas - na Saraiva,Cultura..

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Porque qualquer um pode ser Presidente, Vice-presidente, ...

Porque qualquer um pode ser Presidente, Vice-presidente, ministro, senador, deputado, vereador, prefeito...

Não é necessário ser ilustrado, fazer cálculos matemáticos, entender de medicina, de administração, de filosofia, ou de qualquer outro ramo das ciências exatas ou não exatas, mas muitos de nós não percebemos a razão desta “não necessidade” de um deputado, por exemplo, não precisar entender nada de nada, podendo ser completamente analfabeto, ou ser jogador de futebol que não pagava a pensão alimentícia à mulher...

Não percebemos as razões porque nos falta educação. Não percebemos porque nos obrigam a viver sempre de esperanças em governos melhores, e quando os candidatos passam apregoando o que vão fazer por nós, em “seu” governo, votamos neles, com toda a nossa ignorância e todas as nossas esperanças, dizendo a nós mesmos: “agora vamos” !!!

Não vamos... Assim, não vamos, não iremos! E nem importa quantas passeatas se possam fazer por dia, por mês, por ano...

Não vamos, não fomos e não iremos, porque não existem representantes no senado que representem todas as profissões que existem neste Brasil. Eles são 81, os senadores, e existem muito mais do que 81 profissões da classe trabalhadora, algo em torno das 800...  Aliás, são poucas as profissões que  têm seu representante no Senado que “entenda” das necessidades de cada profissão... Os profissionais de nossas ruas, fábricas, empresas, comércio... Não estão representados no Senado, nem na Câmara de Deputados, nem nas câmaras de vereadores.

Não vamos, não fomos e não iremos, por que esses senhores e senhoras que nos governam fazem parte de um sistema de governo que não foi desenhado para representar – Mas dizem que sim, e chamam a esse tipo de democracia, de Democracia Representativa – pelo próprio modelo: Alguém indica os candidatos, sai pelas ruas apregoando as vantagens de escolhermos tais candidatos, e pela simpatia votamos neles a cada quatro anos... Mas quem os indica?... São os chamados Partidos Políticos, as chamadas “bases”. Lá, nos escritórios, aparentemente á margem do governo, os candidatos são instruídos sobre o que fazer, como fazer, para ganhar as eleições, são maquiados, mudam de roupa, vestem-se de suas novas personalidades: Já não são operários, nem engenheiros, nem médicos, nem nada... Agora são candidatos e acabaram de perder a representatividade porque agora representam os Partidos que os elegeram.

Não vamos, não fomos e não iremos assim, a lugar nenhum nos próximos dois mil anos... Por quê?

Porque já no Senado, nas Câmaras, nos ministérios, a realidade é diferente da realidade das ruas, das praças, dos escritórios das nossas cidades, ou das agremiações de pequenas vilas do interior. Lá, no Senado e nas Câmaras, cada “representante” eleito ou indicado pelos que governam, devem atender antes de mais nada, aos seus Partidos, aquelas instituições que cuidaram tão bem das eleições, que angariaram fundos para pagar as despesas da eleição e que tão bem cuidaram da imagem dos candidatos... Nesses Partidos, gente experiente ligada à mídia, à moda, ao comércio, continua ligada àqueles que contribuíram com tão elevadas somas de dinheiro, “investindo” nos candidatos, e que tanto retorno lhes exigem depois de eleitos... os lobbies de que tanto se fala, e que agem nos corredores do governo, têm agora a mera função de cuidar de seus interesses: os acordos foram feitos antes, muito antes, durante as eleições: verbas, dinheiro, em troca de votos populares... Agora, já nos corredores, cuidam para que esses interesses sejam cumpridos pelos candidatos, e, em dia de votação no Senado, por exemplo, lá estarão vendo seus candidatos votar conforme instruído aos partidos, que por sua vez instruem os candidatos eleitos...
Por isso, poderiam colocar no senado uns robôs bem maquilados, com voz de papagaio, para acenarem com a cabeça mecânica para cima e para baixo se de acordo ou a abanarem para os lados se em desacordo... Não de acordo com o povo, mas sempre de acordo com o partido.

Por isso votam a favor dos aumentos de seus próprios salários, no aumento dos impostos, equipamentos de saúde não funcionam e ficam guardados em depósitos- tal como ambulâncias, aceitam alterações à Constituição através de Medidas Provisórias, aprovam a privatização através de contratos de pai para filho que mantém as nossas estradas em péssimas condições, bairros inteiros sem infra-estruturas, professores mal pagos, bolsa família que só dá pra um... Todos nós sentimos no estômago, na nossa saúde e no nosso bolso, o que é essa tal representatividade dos governos... E não importa qual o partido no governo: candidato eleito faz o que o Partido lhe manda fazer. Partido manda fazer o que os financiadores de campanha lhes dizem para fazer... E assim o dinheiro de nossos impostos se esvai sem que vejamos algo de bom ser feito com ele...

Está na hora de começarmos a gritar pela Democracia Participativa: o cidadão dando seu voto a qualquer hora do dia, com força para eleger/deseleger e aprovar/desaprovar, para que esteja assim devidamente REPRESENTADO nos órgãos de governo... Somente a Democracia participativa pode representar o povo...

(Sobre Democracia Participativa, por favor ver em http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/
http://www.causes.com/causes/632542-junte-se-democracia-participativa/members

Rui Rodrigues

terça-feira, 13 de setembro de 2011

O que somos nós. E a humanidade?

O que somos nós. E a humanidade?




Somos um animal enorme, com cerca de 6.700.000.000 de células no corpo neste ano de 2011, de referência duvidosa porque existimos há mais de 4,5 bilhões de anos. Somos um gigante que vive em cinco continentes; consegue nadar e até viver debaixo de água; constrói artefatos que voam a milhares de quilômetros por hora; Já fez e fará viagens para além da atração da Terra, e se prepara para colonizar os planetas do sistema solar; descobriu grande parte das ciências escondidas no Universo e as usa para evoluir e se desenvolver; prolonga o seu tempo de vida, que nos primórdios da civilização era em média de 35 anos e hoje já alcança os 80; conseguiu descobrir a fala como meio de comunicação e inventou a escrita porque falar era muito pouco para se comunicar; descobriu que temos uma alma, um espírito, e olhando para o pouco que restou das espécies e das florestas que fomos destruindo ao longo da civilização, achou que temos algo de Deus, um Espírito Santo, um espírito que é eterno e que se sobrepõe e domina a tudo o que existe...

Somos o Máximo! Somos o supra-sumo da criação divina. Nada há de melhor no Universo do que nós...
Olhamos para o céu, nossos narizes empinados, cada célula, ou seja, cada ser, uma individualidade. Somos o único ser que tem tantas cabeças quantas as células, mas não tem forma definida, e se todas as células morrerem, exceto um casal de células, o ser continua vivo... O progresso de este ser imenso foi tal até os dias de hoje, depois de um percurso longo de cerca de 4,5 bilhões de anos, que mesmo que o casal sobrevivente fosse do mesmo sexo, assim mesmo a humanidade não morreria... A descoberta da ciência da genética garante a clonagem, a produção de fetos masculinos e femininos. Parece que a humanidade se dissocia e livra das leis da natureza às quais esteve dependentemente amarrada pela ignorância... Somos seres pensantes, que descobrimos as leis da natureza uma a uma, pouco a pouco, mas só alguns de nós, pelo estudo, conseguimos sair da ignorância comum e descobrir os segredos do Universo... Urge sermos mais inteligentes, e levar o ensino a todas as células da humanidade.A sua sobrevivência – a da humanidade – exige cada vez mais a inteligência e menos a força...


Nada se conhece ser maior e mais inteligente no Universo do que a humanidade terrestre. Ainda não. Mas o que entendemos como inteligência, essa capacidade que aparentemente temos de entendermos o que somos e qual a nossa finalidade neste planeta ou no universo?
Inteligência deveria ser antes de tudo a capacidade que cada um tem de perceber o mundo em que vive e ter a noção de que, com o ritmo atual de destruição da natureza e com o ritmo atordoante de crescimento populacional, em poucas centenas de anos estaremos extintos por falta de espaço, de alimentos, de ar para respirar e água para beber... Descuidamos tanto destes aspectos, que a única conclusão plausível, é que não temos sido inteligentes! Inteligência deveria ser no inicio de tudo, ter a percepção de que não podemos trabalhar para nosso único e exclusivo benefício, ou de grupos, sociedades, porque vivemos em sociedades maiores, nações,e se um tem, todos têm o direito de também ter. Quando não podem obter pelo bem, alguns usam a força. Dizem os que obtiveram primeiro, que os outros são invejosos, e dizem estes que aqueles são ambiciosos. A nível de indivíduos, os excessos costumam ser julgados pela lei das sociedades, quando existem e são justas. A nível internacional de nações costuma haver guerra por uma razão muito simples: cada nação em contenda acredita que pode ganhá-la... Ilusão! A história Universal da humanidade tem trazido enormes surpresas, porque fortes ou fracos, com razão ou sem razão, têm sido derrotados, e a nível internacional, perdido batalhas, guerras...Das guerras, sempre sobram indivíduos na família, no grupo, na sociedade, na nação que perdeu, para recomeçar mais ou menos confortavelmente, e depois que os mortos são pranteados, o seu crescimento e a sua evolução.
Porque perderam tempo na guerra e na evolução de suas sociedades? Porque não perguntaram aos indivíduos se desejavam ou não a guerra.


Estamos, nós, indivíduos, sendo mal governados, reféns da história e da inércia que tem arrastado a mesma forma de governo ao longo dos séculos: pequenos e gordos reis; pequenos e gordos primeiros-ministros; pequenos e gordos senadores; pequenos e gordos políticos que nos gritam em campanhas gloriosas que vão cuidar de “seu” povo, como se o povo lhes pertencesse, e como se tivessem o dom de representar o povo...
Quando na Grécia antiga, descobriram a Democracia, que se destinava a ser o governo do povo, pelo povo, para o povo, logo perceberam os sofistas que na mão do povo haveria progresso mas não dinheiro e poder de decidir para as classes dominantes, e re-inventaram a democracia, transformando-a de participativa em representativa... Vivemos assim até hoje... Os governos não nos representam porque não nos deixam votar... Vivem os governantes não divididos, mas unidos em partidos políticos que entre si dividem o poder, as decisões, hoje, que temos à disposição a Internet, a computação, as redes sociais, todos os mecanismos eletrônicos para podermos votar a qualquer hora e dizermos o que queremos e o que não queremos a qualquer hora do dia ou da noite...


Temos o progresso, mas as leis que usamos ainda são da época do “Pater Familia” romano, de cerca de 4.500 anos atrás, em que o governo era usurpado pelas famílias tradicionais (os patrícios) e havia escravos... As Constituições excluem o voto popular nas decisões de Estado... Precisamos progredir, porque não nos represenam como queremos e sim como querem, sem que tenham na maioria das vezes, mais conhecimento do que a média popular... A Humanidade quer progredir...Nenhum governo pode impedir a vontade do povo... Queremos votar em tudo! Queremos dizer aos governantes o que queremos, como queremos e quando queremos, sem precisarmos explicar por que queremos.

Reparou no modo de votação lá na imagem, no início deste texto? percebeu agora como é fácil que os cidadãos votem em tudo nesta nação? Pode entender ainda melhor no site cujo link se indica a seguir  

http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/

® Rui Rodrigues 

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Ensaio sobre a moral e a ética [1] No contexto da sociedade e dos governos

Ensaio sobre a moral e a ética [1]
No contexto da sociedade e dos governos

Uma águia voando consegue enxergar um pequeno rato no meio da floresta, que somente outros animais, num raio de escassos vinte metros ao redor do rato conseguem farejar, ver, sentir. O pequeno roedor não tem a visão tão apurada suficiente para enxergar a águia. Sua visão é limitada. É grande a diversidade das espécies da vida e é grande a diversidade entre os indivíduos de cada espécie. Nem todos nos vemos uns aos outros. Também temos, nós humanos, as nossas limitações.

Aparentemente, isto não é filosofia. Esta afirmativa parecesse-se muito mais com biologia do que com a moral e a ética, mas se acionarmos a nossa percepção para o comportamento da águia e do rato, e de suas características, poderemos então encontrar algumas semelhanças no nosso comportamento humano. Para que isto tenha validade, é necessário algo mais: esquecermos por momentos que águia e rato não sejam apenas animais, mas que sejam “um pouco humanos”, que tenham sentimentos e isto parece que eles têm. No entanto, não pretendo neste ensaio falar da águia nem do roedor, mas de nós, humanos, quando agimos como águias e como roedores.

Diz a Wikipédia sobre moral e ética:

Ética é o nome geralmente dado ao ramo da filosofia dedicado aos assuntos morais. A palavra "ética" é derivada do grego θικός, e significa aquilo que pertence ao θος, ao caráter.Diferencia-se da moral, pois enquanto esta se fundamenta na obediência a normas, tabus, costumes ou mandamentos culturais, hierárquicos ou religiosos recebidos, a ética, ao contrário, busca fundamentar o bom modo de viver pelo pensamento humano.

E mais:

Na filosofia clássica, a ética não se resumia à moral (entendida como "costume", ou "hábito", do latim mos, mores), mas buscava a fundamentação teórica para encontrar o melhor modo de viver e conviver, isto é, a busca do melhor estilo de vida, tanto na vida privada quanto em público. A ética incluía a maioria dos campos de conhecimento que não eram abrangidos na física, metafísica, estética, na lógica, na dialética e nem na retórica. Assim, a ética abrangia os campos que atualmente são denominados antropologia, psicologia,sociologia, economia, pedagogia, às vezes política, e até mesmo educação física e dietética, em suma, campos direta ou indiretamente ligados ao que influi na maneira de viver ou estilo de vida. Um exemplo desta visão clássica da ética pode ser encontrado na obra Ética, de Espinoza.
Porém, com a crescente profissionalização e especialização do conhecimento que se seguiu à revolução industrial, a maioria dos campos que eram objeto de estudo da filosofia, particularmente da ética, foram estabelecidos como disciplinas científicas independentes. Assim, é comum que atualmente a ética seja definida como "a área da filosofia que se ocupa do estudo das normas morais nas sociedades humanas" e busca explicar e justificar os costumes de um determinado agrupamento humano, bem como fornecer subsídios para a solução de seus dilemas mais comuns. Neste sentido, ética pode ser definida como a ciência que estuda a conduta humana e a moral é a qualidade desta conduta, quando se julga do ponto de vista do Bem e do Mal.
A ética também não deve ser confundida com a lei, embora com certa freqüência a lei tenha como base princípios da ética. Ao contrário do que ocorre com a lei, nenhum indivíduo pode ser compelido, pelo Estado ou por outros indivíduos, a cumprir as normas éticas, nem sofrer qualquer sanção pela desobediência a estas; por outro lado, a lei pode ser omissa quanto a questões abrangidas no escopo da ética.

Não foi possível perceber, ao longo da história, onde se podem encontrar os seguintes “elos” perdidos ao longo da história do comportamento humano:

1)    Quando começamos a perder o nosso lado animal e pela primeira vez percebemos que para viver em sociedade necessitamos de nos comportar de forma ética, com moral e de acordo com leis pré-estabelecidas a que todos somos obrigados a aderir, porque fazem parte de nosso entendimento moral e ético;

2)    Quando, apesar de já sermos portadores de consciência ética e de conceitos de moral e conhecermos as leis, começamos a seguir e até mesmo a idolatrar líderes que, sabemos hoje, não agiam dentro dos padrões da moral, não tinham ética e ditavam leis que os isentavam da moral e da ética, e, portanto, das próprias leis que apoiavam ou criavam.
E,
3)    Porque razões continuamos, apesar de todos os estudos e da disseminação da cultura e do ensino, a aceitar líderes que por interesses próprios e escusos, ou por convicção, continuam a permitir ou a agir sem moral, sem ética, fora das leis, no todo ou em parte.

Cabe aqui um á parte, além de outros que também caberiam. O item 3 acima, não é um elo perdido, mas acredito que, descobertas as razões nele implícitas, possa constituir um “elo” encontrado para o futuro, marcando o momento em que as sociedades possam ter líderes, estes sim, líderes, que ajam com moral, com ética, obrigando-se ás leis que criaram e  fazem impor.

Visto á luz da moral, da ética e das leis, não há aparente explicação para seguirmos os líderes que temos e que agem através de sistemas de governo que não pedem explicações aos cidadãos. Muito pelo contraio, mesmo nas democracias mais plenas, sólidas, consolidadas, governos instauram as leis, aplicam-nas, agem á revelia e criam uma em particular que os destina a ficar à margem da lei: a imunidade política que foi criada preferencialmente para embaixadores em trânsito, como se fosse um salvo-conduto.  Precisamos de algo mais que o explique.A política e o comportamento das multidões dão-nos uma razoável contribuição.

Sobre a política, diz-nos a Wikipédia:

“Política denomina arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta arte aos negócios internos da nação (política interna) ou aos negócios externos (política externa). Nos regimes democráticos,a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.
A palavra tem origem nos tempos em que os gregos estavam organizados em cidades-estado chamadas "polis", nome do qual se derivaram palavras como "politiké" (política em geral) e "politikós" (dos cidadãos, pertencente aos cidadãos), que se estenderam ao latim "politicus" e chegaram às línguas européias modernas através do francês "politique" que, em 1265 já era definida nesse idioma como "ciência do governo dos Estados".
O termo política é derivado do grego antigo πολιτεία (politeía), que indicava todos os procedimentos relativos à pólis, ou cidade-estado. Por extensão, poderia significar tanto cidade-estado quanto sociedade, comunidade, coletividade e outras definições referentes à vida urbana.
O livro de Platão traduzido como "A República" é, no original, intitulado "Πολιτεία" (Politeía). (Segundo Aristóteles, o homem é um animal político).

Vejamos, por exemplo, qual a política necessária para governar uma Pólis muito antes de Platão, cidades como Çatal Uyuk [2]na Turquia, ou Ur [3]na Caldéia, dentre outras. Nenhuma destas duas cidades tinha mais de 10.000 habitantes, mas podemos considerar que tivessem até mesmo 100.000 habitantes, porque a forma de governar e a dificuldade é exatamente a mesma conforme se organizaram.

Naqueles tempos, os seres humanos iniciavam sua convivência social, ao fazerem parte de grupos considerados enormes para os padrões da época e de outros povos que ainda vivam em tribos, na coleta de produtos da natureza e da caça. Tanto em Çatal Uyuk quanto em Ur, a agricultura já havia sido descoberta. Grupos de coleta e caça não podiam ter mais de 60 indivíduos porque chegados num local de coleta ou caça, imediatamente esgotavam as provisões, obrigando-se a deslocamentos sem descanso. Com a descoberta da agricultura e do confinamento de animais, a comida disponível permitiu o crescimento de comunidades maiores. Naqueles tempos a força se impunha à razão. Os seres humanos saíam da animalidade para a condição de seres que raciocinavam e olhavam o mundo ao seu redor, começando a atendê-lo e como o podiam aproveitar.

Considerando 10.000 pessoas, 5.000 mil eram mulheres. Pela força, as mulheres se submeteram aos homens. Não vem ao caso se a religiosidade que então despontava, se baseou em instruções divinas para mandar calar as mulheres, apedrejá-las  por traição sexual mesmo sendo obrigadas á força por homens que não seu marido. O que importa é que os governos adotaram essa premissa como lei. Cada marido governava sua mulher. O estado somente tinha que governar, então, 5.000 homens...

Dos homens, cerca de um terço era menor de idade e governado pelos pais. A outra terça parte era idosa, com mais de 30 anos, sendo que a idade esperada de vida era de apenas 45 anos. Poucos viviam mais do que isso. Para governar, então, nada mais do que a terça parte de 5.000, ou seja, 1.700 homens.

Para uma cidade de 10.000 habitantes, com cerca de 1.700 homens em condições de se sublevarem ou sublevarem a ordem, 1.000 homens no exército seriam suficientes e até demasiado, mas bem armados, esses homens poderiam sair para fora da cidade, percorrer as aldeias e fazer escravos para cultivar as terras. Foi o que fizeram. Os outros 700 que sobravam eram mais do que suficientes para administrar a cidade-estado, promover a religião, instruir, fabricar utensílios, promover o comércio. Como os 1.000 homens eram comandados pelos generais e postos de menor graduação, o governo de um rei e ministros era suficiente. Ou seja, uma centena de pessoas tomava conta de 10.000 habitantes...

Era fácil governar, ainda mais que os reis se diziam, com a ajuda dos sacerdotes, que eram divinos, descendentes dos deuses. Freud nem teria a mínima necessidade de estudar o comportamento das multidões.  Viviam todos em perfeita ordem. O rei e seu séquito podiam passear livremente pelas ruas, ostentar ouro, cobrir a cúpula dos palácios com ouro, colocar guardas armados com espadas flamejantes de guarda nas portas da cidade. Pareceria a algum visitante menos aviado, que dentro da cidade havia um paraíso, um éden, e que esse paraíso era guardado por anjos com espadas de fogo, assim lhes incidissem os raios solares durante o dia, ou os raios de luz de fogueiras á noite. As únicas prisões que podemos imaginar seriam destinadas a escravos fugidos e recuperados, e possivelmente para bêbados. Lá se cultivava a vinha.

As cidades cresceram desde as primitivas cidades-estado de Ur e Çatal Uyuk. Cresceram muito. Há cerca de 2.400 anos atrás, havia cidades como Atenas e Esparta na Grécia, Mênfis no Egito, Roma [4]na atual Itália. Vamos concentrar-nos em Atenas [5], que possuía um exército de hoplitas de 40.000 (eram cidadãos) que com suas famílias completariam cerca de 140.000 atenienses. Além disso, cerca de 400.000 escravos. Por esta época, o mundo crescera muito, cidades cresciam próximas umas das outras, e o temor de serem conquistadas era muito grande. Não havia naquela época a convenção de Genebra[6], e durante as guerras, as mulheres eram estupradas, os jovens e os homens passados a fio de espada, crianças tomadas como escravas. Roma e Mênfis eram cidades de mais ou menos do mesmo tamanho e da mesma complexidade, geridas com maior ou menor dificuldade.

Havia revoluções, mas geralmente a população seguia líderes que nada mudavam de substancial na vida do povo. As revoluções faziam-se em torno de uma figura que detinha parte do exército ou todo ele a seu favor. O motivo primário das revoluções era sempre a vontade de tomar o poder, a ambição, a vaidade, a vingança. Não se tem notícia de revoluções a favor do povo, a não ser quando Spartacus, o gladiador, se revoltou contra Roma. Revoltas populares, e mesmo assim incitadas, aconteceram na história a partir da revolução francesa. Os “sem culotes” (trabalhadores franceses) incitados por Marat e Robespierre dentre outros, invadiram e destruíram um dos símbolos da Realeza, a Bastilha[7], uma prisão. O recado popular foi significativo: Um rei que não dava pão nem trabalho e que apenas explorava, vivendo em luxos, não tinha moral para prender ninguém.  

A democracia, tanto quanto se tem notícia, foi usada como forma de governo na Grécia antiga, por muito pouco tempo. Nada se fazia sem que, em Praça Pública se fizesse votação popular, pelo gesto simples de levantar a mão quem estava de acordo. Havia mobilização popular. Os cidadãos participavam altivamente.  Pela mesma época surgia em Roma o conceito de República. Ambos os tipos tinham a figura do Chefe da Nação, do Senado que eram eleitos entre os cidadãos. Cidadão não era qualquer um. Eram apenas considerados como cidadãos os autóctones, descendentes das classes consideradas como tradicionais. Como República e Democracia eram muito semelhantes, fez-se certa confusão e se tomou a república como uma democracia. Afinal ambas cuidavam- ou deveriam cuidar- da “Res pública”, isto é, da coisa pública, dos cidadãos, e aparentemente eram similares, porque a boa e velha democracia do voto popular cidadão, ficara lá atrás na história, num mundo que era eminentemente analfabeto, sem conhecimento da história, e o que era pior, com a história encomendada por governos.

Com governos republicanos, em que mulheres não votavam, nem crianças, nem idosos, com voto obrigatório [8]sob pena de deixar de ser cidadão, as nações atravessaram os séculos habituadas a que “alguém” cuidava delas.  Afinal, era para isso que pagavam impostos. Os impostos serviam para que alguém, no caso o governo, preocupado com a população, cuidasse do abastecimento de água, dos esgotos, da saúde pública, dos exércitos e da polícia. Pelo menos, o governo servia para isso. Desculpava-se muito do luxo que os governos tomavam como hábito, em troca do benefício de ser cuidado.

Na verdade, o que aconteceu na transição do reinado para a república deveu-se principalmente ao crescimento populacional. Na medida em que as populações cresciam, cada vez mais havia comerciantes, industriais, banqueiros, generais, sacerdotes, e outros com influência junto ao povo, a quem as populações pediam favores para que cuidassem de seus interesses. Era necessário atender a todos os influentes, e estes, cada vez em maior número, com uma população crescente, ganharam o direito de dividir o poder. A República chegara a Roma para ampliar o poder e chegara para ficar.

No entanto, na medida em que as populações foram crescendo exponencialmente, cada vez mais cidadãos com influência achavam necessário defender seus interesses. Eram e são os donos de Bancos, Industriais, forças armadas. Organizaram-se sob a forma de Lobbies para agir sobre aqueles que participam do governo. O povo nunca teve lobbies agindo sobre os governos. O povo nunca se organizou, realmente, para defender os seus interesses assim como aqueles cidadãos se organizaram (talvez a solução para os dias de hoje seja a reunião de cidadãos em “blocos” de forma a que possam também encher os corredores dos palácios de governo para chamar a atenção para as suas necessidades específicas, ou, quem sabe, melhorar a democracia e o que se entende e subentende, para que se adote o voto direto como no tempo de Atenas, do filósofo Sócrates).

Foi apenas na metade do século XIX que se começou a diferenciar entre governo republicano e governo democrata, mas vê-se pelo governo dos Estados Unidos da América do Norte que não há diferença entre os dois, porque apenas com dois grandes partidos, o democrata e o republicano, os EUA continuam governáveis como exemplo da maior democracia do mundo.

Essa diferença, entre democracia e república faz toda a diferença para as populações e para a cidadania.
Em ambos os governos, república e democracia, não raro as populações vão para as ruas, para pedirem que os governos olhem para as suas necessidades e as atendam.  Foi assim contra a guerra do Vietnam nos EUA, a favor do Impeachment de Collor no Brasil, movimentando grandes multidões. A esperança era a de mostrar aos governos que a quantidade de pessoas nas ruas, era uma voz forte, de nível nacional, representativo, como se, quem tivesse ficado em casa, o devesse qualquer fator que não o de não participar do movimento.

Porque razão os manifestantes não foram até os palácios de governo, porque não juntaram assinaturas para agir nos corredores como fazem as empresas e instituições que têm lobbies?

Porque, creio eu, seria uma “afronta” sujeita a repressão e o povo queria demonstrar, polidamente, que queria fazer a demonstração em paz, de forma democrática... Mas essa não é a forma correta de se fazer ouvir, porque o governo deve representar o povo, e não pode exigir deste que se humilhe a pedir, por favor, que o governo o atenda, uma atitude claramente democratofóbica, como se os cidadãos fossem coisa reles, pedintes carentes, massas escravas que devem seguir o que os senados determinam.
Há uma distância ainda muito grande entre o governo e os cidadãos. São duas sociedades com interesses diferentes dentro da mesma sociedade...

Doze mil anos de história de povo pedindo ao governo que olhe por ele, é uma tradição inculcada, empedernida como montanha cravada numa planície e que é necessário esclarecer e reparar.
Finalmente chegamos ao século XXI, com novos instrumentos de comunicação agora instantâneos e portáteis, como é o caso dos celulares, computadores e Internet, em que já não necessitamos levantar o braço em praça pública para votar o que o povo deseja.

O povo não sabe que existe a velha democracia do braço levantado e que ela hoje é possível. O povo não sabe o que pode ou não pode fazer, porque as leis não lhe são ensinadas desde a escola primária, como os direitos da criança e os direitos humanos. E, no entanto, apesar de o Estado não distribuir a Constituição de forma gratuita a todos os cidadãos, para que a conheçam não se pode alegar desconhecimento nem da Lei nem da Constituição... Constituição essa que é constantemente alterada por Medidas Provisórias, as chamadas MPs que a rasgam em tiras soltas de letras perdidas no vento.

Os governos fazem o que querem sem consultar o povo, podendo fazê-lo através dos meios disponíveis no mundo mais do que moderno de hoje.

È preciso que se leve o conhecimento às escolas, às universidades, aos juízes, aos generais, às instituições, mesmo que estas não ensinem... È preciso que os cidadãos saibam que os governos devem atender as sociedades e não serem atendidos por estas, a não ser na aplicação da lei que essas sociedades mesmas aprovaram. Que nos dias de hoje já não devem declarar guerras sem consultar o povo para saber se podem ou não...

E se encontrarem moral, ética, leis credíveis nos governos de hoje, por favor, leitores, indiquem onde, porque eu não encontrei, e é disso que necessitamos nos dias de hoje, a bem da ética, da moral, da lei, da cidadania.

Rui Rodrigues



[1] Para referências, adotei a Wikipédia, fonte viável para quem desejar conferir via Internet.
[2] Çatal Huyuk existiu em terras na atual Turquia, tinha cerca de 5.000 habitantes por volta do ano 6.700 AC. Sua fundação presume-se entre 12.000 e 10.000 anos atrás. Não tinha ruas. A entrada das casas se fazia pelos tetos. Conheciam a cerâmica e o comércio. http://pt.wikipedia.org/wiki/Revolu%C3%A7%C3%A3o_urbana
[3] Ur, terra de Abrahão, Foi fundada cerca do ano 2.000 A.C. Situava-se na Caldéia, a primeira a ter um código de leis – O código de Hamurábi, dotada de escolas para crianças onde aprendiam a ler. Muitas das tabuinhas de argila com o código de Hamurábi foram fruto de trabalhos escolares das crianças. As leis eram aprendidas pelos habitantes desde tenra idade. Onde perdemos esta beleza de ensino, leis aprendidas por crianças? Ver http://pt.wikipedia.org/wiki/Ur
[4] Roma chegou a ter cerca de 1.200.000 habitantes segundo fontes conservadoras. Ataques e doenças fizeram com que seu numero de habitantes se reduzisse a 500.000 e 30.000 respectivamente.
[6] Pela Convenção de Genebra, pela primeira vez na História humana, se fez uma lei social para humanizar a guerra.  Abria-se o mundo a uma compreensão que nunca foi devidamente tomada em conta: As guerras são declaradas pelos governos de estado, não pelos cidadãos. Ser civil significa que não está necessariamente a favor da guerra nem de seu governo. Governos e povos são duas entidades separadas da sociedade, e nem sempre estão de acordo uma com a outra.
[8] O voto, mesmo obrigatório sempre foi limitado, como em Roma, à classe dos Patrícios (as famílias autóctones, mais influentes, considerados como a “raça” pura da nação). Mulheres só puderam começar a votar no início do século X!X, após o movimento das Sufragettes na França. Mulheres fizeram passeatas na França, nos EUA, na Inglaterra, na Alemanha, apanharam da polícia, foram presas, mas conseguiram, felizmente. Movimentos populares maciços costumam ser ouvidos nos últimos tempos. Ver também sobre voto feminino http://pt.wikipedia.org/wiki/Sufr%C3%A1gio_feminino