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domingo, 27 de setembro de 2015

O velho das águas.


Não se pode fugir do silêncio do nada. É preciso ir ao seu encontro, aninhar-se na escuridão, escutar e ver com os ouvidos e os olhos da alma. Então o velho procurou nos livros que leu. Todos os livros são sagrados, porque sua origem é sagrada. Não fez Deus o homem – e a mulher – á sua imagem? E não são estes que escreveram os livros? E o velho assim fez. Cercou-se do silêncio, abriu todos os livros que tinha lido e deles juntou algumas idéias porque o todo lhe é impossível e a ninguém possível, senão seria Deus. E entendeu ouviu e viu uma parte do todo que define a totalidade. Já era alguma coisa. E viu um tímido quanta de luz correr célere pelo nada e era só o começo. Precisava de luz.   

1.  Do Gênesis


Primeiro viu o animal, e quando chegou ao fim, lá estava o animal evoluído agora quase imberbe, vestido, refinado, com alguma educação. O animal agora tinha mais conhecimento, andava em duas pernas e não em quatro patas e podia até corrigir a obra de Deus, e o velho se perguntou se alguma vez existira esse Deus. Porque corrigir algo neste mundo ou permitir que o façam, se Deus é Deus e tudo que fez foi definitivo e perfeito como os astros e as coisas e corpos que vemos? Não houvera tantos deuses, todos diferentes, alguns parecidos entre si e uns poucos quase gêmeos, um que se divide em três e ressuscitou? Onde andará esse, que para desaparecer, melhor não tivesse ressuscitado, que não se pode ser Deus apenas naquele tempo quando as cidades ainda floresciam. E se perguntou porque acreditavam os fiéis, e a resposta foi “a fé!”. Então se lembrou que por fé tinham afirmado muitas coisas. Afirmaram que a Terra era como uma bolacha sustentada por tartarugas, que o Sol girava em torno da Terra, e continuam afirmando porque a fé tem que ser cega. E surda, mas não muda. A fé tem que ser propagada. Porque propagam a fé não importa, mas o velho se perguntou porque acreditam “por fé”, e porque crêem se não por tolice, que saber não sabem de nada, nem uns nem outros. Os que sabem não acreditam, não porque não tenham fé, mas porque não há comprovação e são muitos os deuses que se entendem por este mundo, cada um como cada qual o interpreta e teriam que escolher um, porque não pode haver dois. Qual escolher? O mais forte, o mais inteligente, o mais bondoso, qual tem todos e os melhores predicados? Então proíbem os livros que falam de outros deuses? Acaso é tão fraca a fé? Onde o homem – e a mulher – se perderam então, se aquilo em que tinham fé se desdobrou em erros?



2.  A perdição.    



Olhando mais ao fundo da escuridão, o velho viu o nascimento da Terra, ígnea, o choque de um asteróide, o nascimento da Lua, e viu que por bom tempo o caos reinou sobre a Terra até que o homem se fizesse. Mas agora já conhecia um pouco do homem e as trevas não eram tão escuras. E já não via um homem e uma mulher e viu uma porção, depois uma tribo, muitas tribos, nações, e, desde uma porção até uma nação, havia obediência. Obediência ao mais forte primeiro, depois ao mais forte de justiça imediata e ao mais forte na fé do além de justiça a qualquer tempo, que já eram dois. Este fazia justiça com raios, inundações, vulcões, tornados, terras que desmoronavam, secas, com feras e por vezes com doenças terríveis das quais poucos se salvavam, a maioria morria.E isso era de sua intermediação com Deus. Então o velho sentiu o medo. A existir Deus, nele havia bipolaridade. Não tinha Deus se arrependido e afogado toda a humanidade menos a de uma arca com todos os animais? Porque razão não se separaram os peixes? Não seria justo que a humanidade pecadora tivesse sido exterminada de outra forma – e não pela água - para que todos os animais, incluindo os marinhos, tivessem que ser salvos? Não, não. O velho não estava questionando Deus, que nem sabia qual o verdadeiro de tantos que eram e são. O que ele questionava era a lógica, assim como a da bolacha Terra sustentada por tartarugas, em busca da perfeição de Deus. Não tem Deus que ser perfeito? Mas se é perfeito, porque existe a evolução? Então o velho pensou que a evolução é obra de Deus. E se tudo evolui, os livros têm que ser revistos para que reflitam a Verdade: Deus não fez. Deus mandou suas leis fazerem e desapareceu ou se esconde em outras águas para lá das que se vêem. Pois que a “verdade” é uma atribuição divina. Só um Deus sabe toda a verdade e é verdadeiro, e a natureza do universo se corrige segundo as leis da evolução. Mas isto não fazia sentido para o velho. Onde o homem e a mulher se tinham perdido? No Dilúvio? Não. Foi depois. Isso ele podia saber, porque foi muito mais tarde, depois que tudo parecia imutável, que as nações se encheram de humanidade. O homem se perdeu no medo e na ambição, logo que foram largados os machados de pedra que todos tinham, e se criaram os exércitos que dominavam pelos metais, pela pólvora, pelo medo, por conta da ambição. Deus não é o Senhor dos Exércitos. Isso o velho tinha percebido, porque está na história que não importa qual o Deus, exércitos sempre perdem pelo tempo. E o velho viu que se fez mais luz nas trevas, e já ouvia sons desde os do vento aos dos exércitos. Nas escolas não eram todos que aprendiam, que se fossem, quem faria o trabalho mais vil? Então não se pode ter um mundo só de pobres nem só de ricos, nem só de ignorantes, nem só de cultos. Não faria sentido. E o velho entendeu que a política com os exércitos fazem uma associação letal. A perdição veio antes de terem feito as primeiras moedas. Então as moedas já podiam ser inventadas porque a humanidade já estava quase domada a caminho da perdição. 


3.  A quinta água.



E Deus criara as águas e as separou, e eram três, uma superior leve que era o ar, outra mais embaixo e mais pesada que era a água, e a terceira era a Terra, a mais pesada de todas. Aos poucos a quarta água apareceu em todo o seu tranqüilizante esplendor verde. E logo depois a quinta água. E o velho viu bem quando aquilo que era apenas homem e mulher passou a nações, e já perto do fim, se transformou num mar de carne ávido por conhecimento, comida, roupas, saúde, casa e moedas. Não tinha Deus então construído uma Terra com a quantidade certa de todas as águas onde já se podia voar, navegar e transitar? E quanto mais o mar de carne precisava comer, mais se deteriorava o mar verde vegetal e se substituía por vegetais ralos, mais se poluía a água das águas, e a terra evoluiu mais uma vez, mas não por si. Foi porque a mudaram e o velho entendeu. Fazia as contas, mas o balanço não fechava, porque quanto mais se criavam condições, mais o mar de carne aumentava, e sobrevinha a fome, não havia comida para todos, nem saúde, nem segurança, e toda a civilização que haviam construído estava ameaçada de ruína, porque as fronteiras se romperam, e de onde as condições eram piores, vieram em ondas para dividir o que tinham por muitos mais, ou desbastar ainda mais as águas verdes, as águas do mar, poluir o ar, para produzir mais alimento. Assim como um buraco, do qual quanta mais terra se tira, maior fica. Essas nações, das que viviam melhor, entenderam a ciência e a usaram. Tiveram menos crias, desenvolveram a tecnologia para produzir mais com menos gente. Sentiu o velho que era uma nova era das trevas, um retrocesso. À sua volta, o mar de carne crescia sem ter o que comer, onde trabalhar, o que produzir. Pensou em sair do silêncio do nada, que já não era tanto, mas não o fez. Quem o ouviria numa época em que já não havia profetas para convencer pela fé, e os que sabiam de ciência não podiam vencer os que se apoiavam nos exércitos para suportar sua ambição? 



Então o velho enrijeceu os músculos, levantou-se e ficou despreocupado. Não podiam culpá-lo por não poder lutar contra exércitos, contra a ambição, contra o medo.Um dia todas as águas se juntariam, e seria a volta do caos, em meio de troares horrendos, calor, frio, inundações, terremotos, vulcões, e muitos esqueletos secos, expostos ás areias trazidas pelos ventos. E talvez não sobrasse nem um homem e nem uma mulher.

4.  A profecia.


Não eram os religiosos que expunham os bem sucedidos aos outros e entre aqueles se faziam acolher, para dizerem: Eis que Deus os ajudou e prosperaram? Quantos entre milhares, milhões, bilhões prosperaram? Pois que não fizeram as contas, e por não entenderem, quiseram prosperar como se fosse fácil a Deus que lhes seria fiel apenas pela fé. Deles viviam os imediatistas, ambiciosos senhores dos exércitos. Antes tiravam a vida, depois as moedas. Agora não precisam tirar-lhes a vida, porque basta tirar-lhes as moedas. A mesma fé entre todas as religiões, os mesmos templos em que mudava a arquitetura e o Deus. Então mostraram doentes que disseram estar curados e lhes disseram: Dá o teu testemunho. E logo apareceram tantos testemunhos, que por fé se convenceram os outros que era melhor pagar aos dos templos do que aos médicos. Da mesa tiravam o que comer para se vestirem o melhor que podiam. E tiravam eles da educação e de tudo o que precisavam para assistir a tocadores de instrumentos, ir a bailes, pagar adereços e pinturas, alegria, alegria, alegria. O sofrimento advinha no trabalho mesmo quando não lhes era disponibilizado. E drogas, pelo desânimo de seguir lutando. De lutar contra um mar de carne que parece ter o que eles não têm, que se locomovem em máquinas que poluem, consumindo produtos que poluem e desbastam e destroem todas as águas e o velho viu a luz que se fez num estalo, do nada... O mar de carne teria que regredir, deixar as águas se limparem e se voltarem a espalhar pela Terra. E se o mar de carne não o fizesse, a natureza, que não conhece Deus, o faria. Então disse a outro velho: Vai e conta-lhes! Que se preparem, porque a cada dia a vida lhes será mais difícil se não se prepararam para enfrentar as dificuldades. Que não deixem para Deus a tarefa de os salvar que nem exércitos salvou antes. Eles, os que mandam, sabiam e não o fizeram. Se perguntarem se ainda há tempo, diz-lhes que na dúvida, o haverá, com soluções para hoje, que quanto mais adiarem o amanhã, mais impossível parecerá e será. Boas palavras de conforto não resolvem. O que resolve é a crítica nua dura e crua.


E o velho se recolheu á caverna não se sabe por quanto tempo. Mas não durará até que as águas se voltem a unir: A natureza que mata para que outros possam viver, se equivocou. Sempre nasceram mais do que os que morrem. E a quinta água, a da carne, herdou a Terra. Herdou, mas não cabe toda. Herdou demasiado por ser imediatista, ambiciosa, medrosa, e se perder na fé. “Há que cuidar preferencialmente deste mundo”, disse o velho, do lado de lá, dos fundos da caverna.


® Rui Rodrigues.   

Brincando com besouros antes da grande fuga.


Uma das grandes agonias da humanidade – é realmente uma agonia – reside na preocupação sobre “nossa vida” após a morte. Este campo do conhecimento humano é pantanoso, produto de ciência e fé. Quem se arrisca a escrever encontra apoio em qualquer um dos lados, e críticas também. Os livros da fé e da ciência não se negam, mas não passam atestado um ao outro. Para a fé, basta um sopro de vento para se acreditar que “foi um sinal”. Para a ciência o sopro não basta. Para mim, amante da ciência, mas não sem fé, sou cheio de dúvidas. Se eu soubesse mais, talvez pensasse diferente, mas não poderia aprender mais de um lado do que do outro, e há limites para a fé e para a ciência. Por enquanto!...
Neste texto não procurarei fazer citações a respeito de Freud ou algum outro estudioso da “psique” humana ou animal, nem de livros religiosos. De ambos os campos já li bastantes. Dirão que ler não é suficiente, é certo, mas sempre procurei entender. Foi essa a minha intenção, a de entender, quando os li.

Será possível sentir algo depois da morte?

1.  A Infância da vida.



Quando somos crianças tentamos aprender o mundo que nos rodeia. Fazemos todo o tipo de experiências. Vemos as pessoas se moverem de um lado para o outro e ainda engatinhamos. Tudo se move até pelo vento. Uma coisa estranha para nós. 
- Rui!...- Gritou minha mãe – Não mates o bichinho que não te fez mal nenhum...
O pequeno besouro brilhante já estava de patas para o ar. Com o mesmo dedo com que o virei de costas, o desvirei e ele seguiu seu caminho. Nem pensei na época, se o besouro falava alguma língua desconhecida, me agradeceu (ou a minha mãe) e eu não o ouvi. Besouros, por causa do tamanho, deveriam falar muito baixinho ou em língua diferente daquelas que pessoas estrangeiras costumavam falar. Fiquei feliz ao ver o besouro se afastar. Quis compensá-lo pela perda de tempo, peguei-o novamente e o coloquei uns metros adiante na direção em que ia. O besouro parou por uns momentos como que perdido. Depois caminhou em outra direção. Eu também não sabia o que fazer a seguir. Não tinha um “programa” definido. Assim guiei meus passos para perto de minha mãe e lhe fiz perguntas que não teriam respostas satisfatórias. Isso foi há muitas décadas, quase sete... Havia um grande caminho até encontrar pessoas que me dessem respostas certas que fizesse sentido, isto é, que eu aceitasse. Eu e minha mãe éramos dois besouros humanos enormes e os sacerdotes não poderiam nos ensinar o que queríamos saber...Eles se preocupam com outras coisas que se podem aprender em casa ou nos estabelecimentos de ensino.



2.  O aprendizado.


Levei um peteleco de meu pai porque achei cinquenta centavos com os quais poderia comprar meia dúzia de rebuçados que o pai de meu amigo Mário, dono do pequeno armazém da vila, me vendeu abaixo do custo por amizade que não percebi. Meu pai disse-me que todo o dinheiro da família era usado de forma comunitária, e que antes de gastá-lo deveria ter-lhe perguntado. Além do mais, se alguém perdeu essa moeda não era minha. Ninguém joga dinheiro fora. Quando ele precisou dinheiro emprestado, ninguém lhe emprestou. Teve que trabalhar duro para comprar as passagens para a oportunidade de um lugar onde houvesse trabalho mais bem remunerado. Depois achei Deus esquisito porque proibia um montão de coisas boas, e permitia outro montão de coisas ruins. Pessoas, mesmo de família, sempre diziam que Deus “não gostava” disso ou daquilo. Os padres diziam que masturbação era coisa feia, mas um já tinha sido afastado da paróquia da vila por molestar crianças do catecismo [1]. E Deus tão poderoso que tinha feito o universo, separado as águas, construído o planeta terra, permitia pobreza, indecências, roubos, assassinatos, guerras e misérias sem fim. Não era possível que Deus se tivesse interessado apenas em construir mundos e não zelasse por sua obra. Concluí que Deus tinha feito a construção, se cansara e se fora para todo o sempre, porque durante toda a minha vida nunca vi Deus aparecer neste mundo para corrigir alguma coisa. Entregues á própria sorte e ao livre arbítrio, foi a minha conclusão baseada na percepção do tudo o que via e sentia. A melhor forma de viver bem seria não fazer mal aos outros para que não me fizessem mal também. Melhor ainda, se pudesse fazer bem aos outros, talvez eles me fizessem bem também, mas pela experiência que meu pai me passou, parece que a segunda via não funciona direito. Podemos fazer o bem numa sociedade sem professarmos esta ou aquela religião. Dei então, certo dia, meu aprendizado como aceitável, mas não concluído, lá pelos 28 anos. Casei e tive dois filhos maravilhosos. Mas ainda faltava uma questão: Como nos salvarmos?   



3.  A única espécie ainda viva no Planeta que pode salvar.



É fácil concluir, para qualquer criancinha ou adulto, principalmente entre os mais desvalidos, duas coisas que são muito importantes: 1 - Que há uma vida depois desta, onde se fará justiça porque esta é injusta, e onde tudo se compensará. Deus é justo!... (Mas pelos vistos somente seria possível lá na outra tal vida, porque nesta não é nada justo); 2- Que o comunismo ou o socialismo podem tornar todos os homens e mulheres iguais (mas onde foi usado o comunismo não funcionou e foi uma desgraceira de mortes, pobreza, e sucumbiu. Quanto ao socialismo, ele funciona – mal, mas funciona – no interior de fronteiras. Um mundo socializado é como o comunismo. As invasões de migrantes na Europa vão provar que ao não haver nações ricas, todas serão pobres). Ninguém se iluda: Num país sem ricos, a ambição muda de rumo do dinheiro para os benefícios. Disputa-se uma maçã, um cargo público, qualquer coisa.



Tenho hoje a forte impressão que somos uma espécie que apareceu num planeta girando num universo á deriva. Andrômeda é uma galáxia igual á nossa que se aproxima de nós. Será a extinção para quase toda a vida das duas galáxias. Então, temos que primeiro, sair deste planeta, de forma que todos possamos sair e não apenas os “protegidos” de sistemas ou religiões, e depois sair de nossa galáxia em direção a alguma outra que não se esteja aproximando... Ora isto significa que temos que ter muita pressa. A cada dia a galáxia para onde se poderá fugir fica ainda mais longe. Para quem não se interessa pela humanidade e apenas tem interesse em passar “bem” sua estadia neste mundo, minhas preocupações não têm o mínimo sentido. São pessoas imediatistas, e não são “castigadas” por isso. Nem eu por lhes ser contrário.  As igrejas, por exemplo, arrecadam doações, são ricas, apregoam o desprendimento dos bens materiais, mas continuam ricas. Isto coloca ainda mais á deriva a nossa humanidade que não tem nem plano “A” nem plano “B” para uma convivência construtiva no sentido de tornar este planeta confortavelmente habitável e gastar a grande energia e inteligência humanas em preparar a GRANDE FUGA. Não há "canjas" nem "almoços grátis" suficientes para todos neste mundo. O relacionamento humano e baseado em trocas. Cuidado com os que te pedem - ou exigem -dinheiro e não te dão nada que seja comparado com o valor que deste.     



4.  A Grande Fuga.


Se conseguíssemos eliminar a política – vamos imaginar que sim, só para simplificar – e apenas as religiões governassem o mundo, teríamos lutas terríveis. Cada fiel acha que sua religião é a melhor, e sem política, não há conversa nem freios. Acenar com outro mundo melhor depois de mortos, em vez da convivência pacífica, é desviar a humanidade, os povos, da sua razão da vida e para a qual foram feitos: Viver aqui, no planeta, da melhor forma possível, a sua própria vida como achar melhor que é para si. Isto envolve um pensamento comunitário: Entregue a egoísmos, cada egoísta lutará para manter seu egoísmo, que é como uma droga. Não há religião nem política que mude isto. Somos assim. Só a lei e sua aplicação e controle corretos podem corrigir.



Para a grande fuga, é preciso que se pense com muita propriedade, objetivamente e com determinação. Não temos muito tempo, porque as viagens espaciais demoram muito tempo pelas distancias interestelares e galácticas. É preciso enviar sondas, equipamentos, pessoas, preparar o terreno para o recebimento, e levar a humanidade para lá. É um trabalho hercúleo que poderia regenerar e modificar a economia mundial, mas que tem que ser feito em etapas. Uma viagem a Alfa de Centauro que está a apenas 4 anos luz, duraria 80.000 anos – só de ida - á velocidade atual de nossas naves. Hoje estamos preocupados com industrias que visam o consumo e a guerra. Nosso consumo não se prejudicaria se a economia fosse voltada para o espaço exterior. Pelo contrário, teria crescimento fantástico. Mas cuidado... Não podemos ser tantos. Temos que reduzir a população mundial para caberem todos nas naves, e para isso o mundo em que vivemos deve ser reformado e ter outro sentido de vida. Tentar acomodar cada vez mais gente neste planeta, em vez de melhorar a qualidade de vida, é um erro de bondade extrema que nos pode causar a extinção. Este não é um pensamento egoísta. É uma realidade da ciência. Não é preciso matar. Basta controlar a natalidade de forma adequada pela educação. 



Que haja paz entre os seres humanos, que o planeta seja agradável a todos, que a vida seja uma bela estadia, e que trabalhemos para a salvação da humanidade. A salvação está na fuga. Na GRANDE FUGA!... E não pensem que o tempo que temos é eterno e que devemos deixar esse problema para as gerações futuras. Se bobearmos, a partir de algum momento no futuro elas não terão tempo algum... Aqui vivemos, cuidemos primeiro do lugar onde vivemos e de nossas vidas agora. Depois da morte é outra história. Nem temos certeza se quem morreu ainda raciocina, coisa difícil com os miolos comidos pelos besouros e vermes da natureza. Quanto á “alma”, suspeita-se que esteja no DNA e nos nossos miolos. Quanto aos besouros, como têm asas, não sentiriam "vontade de voar". Não teriam necessidade de foguetes. 


® Rui Rodrigues









[1] Fornelos, Trás-o-Montes, Portugal,  nos anos quarenta, cinqüenta. 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

Quem são eles? - Um ensaio sobre Snowden e Assange.



1.  Simpatias e repulsas

Nós, humanos, somos seres dotados de uma inteligência estranha. Normalmente nos guiamos por atos imediatos para nos classificarmos uns aos outros, e, alem disso, de nos adjetivarmos, ora guiados pelo raciocínio ora pelo instinto. Em função disso nos apoiamos uns aos outros, ou nos rejeitamos. Nações, religiões, clubes esportivos, instituições, são grupos de linhas de pensamento ou de simpatia que tanto nos podem separar quanto unir. Nós somos todos assim, com maior ou menor ambição, maior ou menor capacidade, maior ou menor fé. E somos competitivos. Todos gostamos de ganhar, e mesmo quando isso não interessa, ninguém gosta de perder. Porém, nada mais nos separa ou une mais do que a “guerra” ou a hipótese de que possa vir a acontecer. Nosso problema, como nação, é que raramente sabemos onde pode começar uma. Nosso temor por guerras é de tal ordem que mesmo com a verdade á frente de nossos olhos, sempre tentamos evitá-las. A mais triste notícia histórica que temos desta demora em tomar atitudes, aconteceu alguns anos antes de Hitler tomar o poder – até de forma democrática – na Alemanha. Nossa esperança de evitar uma guerra se estendeu até 1939, quando Hitler já estava demasiadamente forte. A guerra se tornou cruel, altamente letal, destruidora. Podemos ter certeza que tanto os serviços de inteligência quanto as forças armadas de todas as nações do mundo devem ter jurado que uma guerra assim, da noite para o dia, deflagrada sem aviso prévio, jamais voltaria a acontecer. A Organização das Nações Unidas parece hoje um enorme elefante branco. 
 

2.  Paranóia ou Realidade?

Podemos entrevistar qualquer pessoa na rua, em alguma instituição que não seja das forças armadas ou da inteligência, sobre a possibilidade de uma guerra mundial ou de ataque a grande potência, que a resposta será negativa. Quando muito, como já houve muitas, dirão que é possível, mas se perguntarmos: - Acredita realmente que estejamos na eminência de uma? – Dirão que não! Ninguém acredita numa terceira guerra mundial nos tempos modernos. Que países devem temê-la? As que têm grandes territórios e grandes economias e as que são medianas. As demais podem alegar sempre a neutralidade até serem eventualmente invadidas. Mas, a ser possível, que nações as poderiam deflagrar?
Uma guerra mundial somente poderia ser deflagrada nos dias atuais por nações com armas atômicas dirigidas por algum presidente ou rei, ou chefe supremo das forças armadas que fosse suficientemente desequilibrado para fazê-lo, e temos alguns candidatos. Há que descartar, porém, os que usam a “bazofia” para conseguir uma ou outra pequena vantagem. Recentemente tivemos o senhor Tsipras que queria uma indenização de guerra da Alemanha para pagar as dívidas do governo da Grécia que não soube gerir as verbas públicas; o senhor Quim II da Coréia do Norte que ameaça sempre em lançar mísseis sobre o mundo ocidental; O senhor Putín que invadiu a Criméia e já andou invadindo a Geórgia; A China costuma ameaçar a respeito de zonas de influência como na disputa de uma ilha com o Japão, mas de modo geral não tem demonstrado a belicosidade russa, nem de longe. E há os grupos extremistas que depois do “Hamas” e da “Al-Qaeda” proliferaram. Seu crescimento tem aumentado depois do 11 de setembro, quando os EUA mostraram uma eventual fragilidade, culminando no atual Estado Islâmico. Afora isso, as disputas se resumem a revoluções internas, ou a um ou outro país sem projeção mundial. Mas o perigo existe. Não é paranóia. É realidade. A humanidade estará sempre em guerra.  


3.  O Rebanho de Hackers.



Como se move um exército, uma flotilha, uma força aérea? Isto é o que todo o general, almirante ou brigadeiro gostaria de conhecer antes de uma batalha com força inimiga: Quantas unidades e de que tipo, qual o poderio de fogo, a velocidade de deslocamento, e o moral das tropas. E devem proteger suas próprias forças mantendo-as ocultas da inteligência inimiga tanto quanto puderem. Por outro lado forças que não se comunicarem não se desenvolvem bem, a contento como programado, no terreno, no mar ou nos ares. E a velocidade de informação é fundamental para rever táticas e movimentos. 
Foi assim que nos primeiros tempos de guerra as mensagens viajavam a cavalo, depois com pombos correio, mais tarde ainda com radares e agora com satélites de informação. E há os códigos que não deveriam ser decifrados, mas que são porque para todo o veneno tem que ser descoberto o antídoto. Aconteceu com a máquina "enigma" alemã que codificava mensagens. Uns dizem que foi o inglês Alan Turing quem conseguiu descodificá-la, outros que foi no Central polonesa de deciframento, a "Polish Cipher Bureau". Como descobrir o que se tenta encobrir e manter em segredo? É aí que entram os espiões de campo, e os espiões de gabinete, estes sentados em frente a enormes computadores decifrando mensagens dos “inimigos” em potencial, aprimorando os próprios códigos de informação. Entre estes, estão os Hackers que se infiltram em programas, empresas, segredos de Estado.



4.  Snowden e Assange – Mocinhos ou parte de um esquema?


Bin Laden que dizem ter fundado a Al-Qaeda, fugiu, escondeu-se por um bom tempo. Foi apanhado, se é que existiu mesmo (parece que sim) e executado. 
Com tantos satélites dotados de câmaras potentíssimas acima de nossas cabeças poderíamos dizer que não há lugar onde alguém se possa esconder por muito tempo neste mundo. Dizem que vivia pacatamente como se ninguém o conhecesse de frente para uma construção militar no Paquistão, no meio de seus inimigos. Estaria sendo protegido, o homem das fotos não era o verdadeiro terrorista? ou realmente ninguém o percebeu? Não importa. O que importa é que, real ou ficticiamente, Bin Laden já não existe. Assange e Snowden existem. Não andam por aí escondidos onde ninguém os pode ver. Edward Snowden vive na Rússia, Julian Assange vive na Embaixada do Equador em Londres como se vivesse numa exígua estação espacial transformada em asilo político.


Assange, um australiano, com dupla nacionalidade na Suécia, foi acusado de estupro e abuso sexual na Suécia. Assange nega. Não é esse o ponto deste artigo. É o fundador do Wikileaks, uma organização que coleta informações e as divulga. Estas informações estão relacionadas com corrupção e abusos de poder. Ele se julga a si mesmo como libertário.
Snowden está na mesma linha de Assange. Trabalhou para a CIA e a NSA americanas e denunciou a vigilância americana sobre comunicações pessoais ao redor do globo.


Tanto Assange quanto Snowden aparentam ser “pessoas não gratas” aos governos ocidentais, mas têm atualmente liberdade para agir. Se apanhados terão prisão perpetua ao que tudo indica. Mas porque não são apanhados?
Provavelmente porque “servem” ao sistema de forma direta, como membros de alguma organização agindo a mando, ou de forma indireta, sem ligações, porque os seus serviços atendem “necessidades”. Tanto podem apanhar gente das próprias fileiras, como oficiais, espiões, contra-espiões, corruptos do ou com o governo, ou gente estranha, como pessoal do Estado Islâmico, Boko-Haram, e outros.

Mata-Hari, Eli Cohen, Kim Philby, Juan Pujol, Valerie Plame, Josephine Baker, Virginia Hall, Klaus Fuchs, Robert Philip Hanssen, Dussan Popov, famosos espiões do passado, se vivessem hoje e fossem experts em computadores, talvez não prestassem o serviço que Assange e Snowden já prestaram. E quem pode jurar que estes dois não sejam elementos “perseguidos” para serem bem aceitos pelo “inimigo”, ou por quem possa delatar inimigos?

® Rui Rodrigues  
      

     

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

As admiráveis baleias!


Há três países que ainda caçam baleias: Japão, Noruega e Islândia. Para eles o recado abaixo:
“Caçar baleias é um ato deplorável e vergonhoso para a humanidade”.
- 捕鯨は、人類のために嘆かわしいと恥ずべき行為です。
- Hvalfangst er en beklagelig og skammelig handling for menneskeheten.
- Hvalveiðar eru deplorable og skammarlegt athöfn fyrir mannkynið.


Minha formação universitária se limita ao campo da Engenharia, porém, desde o primário que não desgrudo dos livros de todas as demais ciências por querer entender o mundo ao qual me trouxeram. Seria uma idiotice de minha parte viver num mundo sem o conhecer, vivendo apenas por viver. Por isso, depois de estudar as obras de Darwin e Jay Gould á mistura com Freud e Carl Jung, e uma porção de outros estudiosos, creio profundamente numa mais que “memória genética”:Na “Inteligência genética”, que faz com que os genes aprendam a adaptar-se às mudanças climáticas e ás alterações do Ambiente em maior ou menor grau de inteligência [1]. Segundo esta minha teoria, há um tipo de inteligência nos genes que permite reconhecer as alterações do ambiente e provocar uma adaptação. Lenta, certamente.   

A Teoria de Darwin mostra a cada dia que está no rumo certo. As espécies evoluem, o que estiver adaptado ás mudanças da natureza sobrevive, o que não, se extingue, mas temos vários e grandes problemas. Um deles é que espécies extintas não têm condições de voltar a existir, porque mesmo que fossem reproduzidas geneticamente em laboratório, descendentes sem trocas genéticas tendem á extinção por degeneração dos genes. Outro problema, é que normalmente as espécies se extinguem por que o Ambiente mudou. Trazê-las de volta, a ser possível, não resolveria o problema a não ser que as mantivéssemos em redomas de Ambiente adequado, ou seja, como era antes de se extinguirem, porque em caso contrário se extinguiriam novamente. As espécies podem parar no tempo, mas a natureza seguirá adiante sem se importar com quem fica. Olhe-se para trás nos arquivos da paleontologia e se constatará.
Evoluir juntamente com as alterações do ambiente não é tarefa fácil, embora este mude normalmente muito devagar. O problema das espécies é que evoluem ainda mais devagar do que o ambiente, e quando as condições se tornam adversas, não há mais condições para viverem, e o tempo para a adaptação se esgotou. Mas há uma exceção fantástica. São as baleias.    

Toda a vida na Terra se originou [2]há cerca de quatro bilhões de anos na água, uma época em que os dias duravam cerca de dez horas, a Lua bem mais perto do que está hoje. Foram as marés que proporcionaram á vida marinha a diversificação, o aparecimento de florestas, o surgimento de animais que se adaptavam da vida marinha á vida terrestre, porque sobre a terra encontravam alimento. Destes animais teria surgido há 48 milhões de anos o Indohyus [3], um mamífero que para fugir a predadores se foi habituando á vida na água. Este processo de transformação durou milhões de anos.


Então apareceu esta espécie nefasta chamada “nós”. Eu também, até porque já fui um predador [4] bem idiota. Embora o Homo “Sapiens” sempre tenha provocado a extinção de espécies, e tenha o mérito ainda que duvidoso de ter preservado outras – para criação – o fato é que com os descobrimentos o homem pisou em continentes munido de armas de fogo e de uma ignorância sobre a natureza a toda a prova. Extinguiu [5] dentre muitas outras espécies o Dodô (em 1681), o Tigre da Tasmânia (1936), a foca monge do caribe (em 1932) e o periquito das Seychelles (em 1.900). Podemos entender a ignorância desses tempos e por isso devemos também entender que não se possa mais admitir nos tempos atuais que exista a caça á baleia, por exemplo, animais em extinção. 


O Japão que defende a caça destes cetáceos para fins de estudo, acaso já fez o estudo do genoma das baleias que caçou? Não temos notícias sobre esse “feito científico”. Parece muito mais uma desculpa para comerciar carne de baleia do que para “altos” estudos do ambiente e da vida na Terra. Acaso os chineses já pararam de comer chifre de rinoceronte em pó crentes que se trata de um afrodisíaco, ou mãos de chimpanzés? Que organismo decente mundial se dispõe a enfrentar nações armadas de armas e mercados econômicos? Que porcaria de moralidade é esta em que vivemos? Que políticos indecentes governam este mundo? Porque os elegemos?


Há uma resposta para estas questões, diminuindo o poder dos políticos, com o poder de lhes retirarmos o voto dado. Nosso mundo é muito mais importante do que os interesses pessoais ou particulares de indivíduos, empresas, ou governos. Ou pelo menos deveria ser. Há que mudar a educação nas escolas, revisar nossos conceitos de moral, de ética, e nos voltarmos para o interesse comum da preservação de nosso ambiente, da natureza em que vivemos. 
Veja como mudar o mundo, sob esta perspectiva em http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/

® Rui Rodrigues  





[1] Seria o caso das baleias, que de peixes com guelras evoluíram para mamíferos terrestres, e destes para mamíferos marinhos de volta ao ambiente marinho. Não fosse a ação humana, elas teriam acertado em cheio, porque os grandes mamíferos terrestres se extinguiram. Esta minha teoria não invalida as de Darwin nem as críticas de Jay Gould.
[2] Pode ter sido através de descargas elétricas de raios em meio a uma sopa primordial, ou por simples raios de luz que incidiram sobre moléculas orgânicas (esta teoria é reforçada pelo fato de os seres vivos só processarem alimentos dextrógiros, isto é, que desviam a luz polarizada para a direita).
[3] Descoberto o fóssil em Cachemira. Segundo o chefe da pesquisa, professor Hans Thewissen, do Departamento de Anatomia do Colégio de Medicina da Universidade Northeastern de Ohio, Estados Unidos.
[4] Andei praticando caça “esportiva” em Minas Gerais e Rio Grande do Sul nos tempos em que isso era “bacana”, e as “caturritas” e pombos da mata eram detestados por comerem milho e soja. Eu me julgava um espantalho atirador. Não acertei um cervo em Minas por pura sorte. Meã Culpa, que a natureza, os leitores, e minha família me perdoem.  Eu tinha a obrigação de saber que isso era errado.
[5] Se procurarem na Net ou em livros específicos ficarão aterrorizados com a quantidade de espécies extintas pela ação do homo Sapiens. Pior ainda, sem termos aprendido com elas através de seu comportamento e genética de adaptação. Algumas nos poderiam ter dado pistas para cura de doenças, imunidade, etc. 

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Uma aula num futuro distante.

(Dei um pulo no futuro á custa de uma infinidade de sinapses e voltei com esta visão. Se forem lá e também tiverem estas visões, por favor, avisem que publicaremos. Nossa humanidade e nossa nação precisa muito de quem tenha visões a futuro).

O professor entrou na sala de aula. Seu rosto era de um rosa tão escuro que parecia vermelho. Tinha uma bela cabeleira dourada. Os alunos na sala receberam-no em silêncio. Levantaram-se quando ele entrou e se sentaram logo que, com um gesto, ele fez sinal para que se sentassem. Sentaram-se em silêncio. O professor falou:

- Como é habitual em todas as segundas feiras, leio para vocês os cinco primeiros princípios do “Livro da Vida” que norteiam a nossa civilização para que nunca se esqueçam. Leiam comigo, por favor, e não se esqueçam que não é apenas para decorar e “saber” repetir. É para sentir o significado mais profundo do que implicam estes princípios. 

Dos princípios se fazem as leis, e delas tudo se fez, e o tempo era um oceano e a matéria outro que nele se movia e evoluía, e onde foi possível a vida se fez porque assim são as leis da natureza desde os princípios.
Princípios 1.1
E da matéria se fizeram as três águas: A terra, as águas e a atmosfera, e destas surgiu a vida que assim está nas leis.
Princípios 1.2
E para manter a vida há que se adaptar rapidamente e estar preparado para as mudanças porque elas vêm quando menos se espera.
Princípios 1.3
Desperdiçar inteligência é desperdiçar a vida, porque sem inteligência não há salvação, razão porque te lembrarás que não se pode desperdiçar o tempo por ser a natureza quem dirige a vida não importa como ela seja.
Princípios 1.4
Tu és nada e ao nada voltarás, mas prepararás o caminho para teus descendentes viverem ainda melhor do que tu, pelo que abdicarás de todo e qualquer livre arbítrio que implique no prejuízo de outro ou do planeta, a menos que tua própria vida esteja em perigo.
Princípios 1.5


Um aluno levantou o braço. Queria falar. O professor assentiu com a cabeça.
- Poderia explicar o que significa A.E. e D.E.? A turma teve algumas dúvidas ao ler o texto de sua aula que dará hoje, como preparação para o entendimento.
- Bom... Temos que contar o tempo para tudo no nosso dia a dia, e medir o tempo decorrido em relação ao passado para que possamos ter noção da “distância” no tempo e assim medirmos uma porção de coisas, incluindo a nossa evolução. Algumas entidades científicas propuseram o nascimento do primeiro Senhor que uniu as nações numa só, outros propuseram a do nascimento do primeiro filósofo, mas precisávamos de um “tempo universal”... Assim, foi aprovado por unanimidade das nações o ano zero como o da data do primeiro documento escrito por nossa humanidade. Nossa data de hoje é 04-12-4932. Isso significa que descobrimos a escrita há cerca de quatro mil novecentos e trinta e dois anos.
- E F.H. o que significa?
- Houve uma civilização inteligente antes da nossa, a dos humanos, mas foi extinta ao que tudo índica por eles mesmos. Tudo começou com um aquecimento global que seria natural, mas que eles mesmos aceleraram por sua ambição de produzir coisas e bugigangas de que nem precisavam realmente. Queriam essas coisas por curiosidade, ambição e vaidade. Foi uma civilização do desperdício. F.H. significa “Fim dos Humanos”. Eles se extinguiram há cerca de 2,5 milhões de anos, quase nada na escala de tempo de nossa Galáxia. Ainda temos pela frente uns sete bilhões de anos até que o Sol engula este planeta. Por isso as bases que já instalamos no quarto planeta a partir do Sol. Nossa civilização começou entre 42 e 52 milhões de anos atrás da mesma espécie original. O Homo Sapiens evoluiu primeiro, nós aprendemos alguma coisa com eles, quase nada. O mais importante que aprendemos é que “poderíamos” aprender. Eles se extinguiram e nós seguimos adiante.



- Por que não fomos extintos, professor?
- Com a mudança da composição química da atmosfera, o ar tornou-se irrespirável. Excesso de dióxido de carbono e metano, altas temperaturas. Sobreveio um inverno nuclear de curta duração. Mais ou menos dois anos. Quem podia, enquanto pôde, usou oxigênio engarrafado até os últimos instantes, consumiu estoques. Não se produzia nada. Se alguém produzisse, roubavam, assaltavam, matavam. Morriam aos milhares, milhões todos os dias, e nos últimos anos de câncer de pele. Aí vieram as doenças. Para piorar, quem tivesse uma arma vivia mais uns dias ás custas dos outros. Nossa espécie [1] estava habituada a passar dias a fio numa ilha, a ilha de Koshima, á beira da praia – nossos ancestrais sabiam nadar – e absorviam uma mistura de ar normal misturado com os gases das fontes termais. Estavam mais preparados para as mudanças na composição química do ar que sobreveio. Durante um ano, mais ou menos, após a extinção dos humanos nossa espécie sofreu algumas baixas, mas com o fim da atividade humana a flora do planeta começou a jogar no ambiente o oxigênio que havia sido perdido, e a consumir o dióxido de carbono.
- E quando saíram da ilha de Koshima para povoar a terra?
- Em cerca de 500 anos. Antes mesmo da extinção humana nossos ancestrais já nadavam entre ilhas da região. Um dia conseguiram fazer uma jangada de troncos. Também tinham aprendido com os humanos a lavar batatas doces. Sabiam como plantá-las. Nestes dois milhões de anos que então se passaram evoluímos. Ficamos muito parecidos com eles, mãos, pés, pernas... Há quem diga que antes da situação ficar crítica, cientistas humanos fizeram experiências genéticas com nossos ancestrais, dando-nos genes humanos que não possuíamos. Nossas tentativas para encontrarmos ossadas de nossos ancestrais e fazer análise de ADN até agora foram infrutíferas.

- Como sabemos de tudo isso, professor?
- Através de escavações e principalmente porque nossos ancestrais se preocuparam muito em preservar o que o tempo não havia destruído. Em muitos porões antigos de casas e universidades se preservaram muitas informações. Foram guardadas. Aprendemos muito com elas.
- Quais as diferenças principais de nossa civilização para a deles?
- São poucas, importantes e fundamentais. Recomendo que apertem a tecla “I” para gravação em vossos implantes cerebrais, porque junto com os cinco princípios que lemos no inicio desta aula, são a base de nossa civilização.

  1. A pressa só é importante quando usada a favor da coletividade. Afora isso, não temos pressa nenhuma. Como exemplo, nossos veículos movidos a energia renovável e não poluente. Motores de carros de polícia, corvetas marítimas de fiscalização, transportes públicos, são de potência e velocidade máximas. Transportes particulares têm velocidade mínima. Outro ponto importante é que não se aprova o uso industrial de nada antes de se comprovar seus efeitos sobre o ambiente. Nem se constrói casa onde não haja antes uma rede de esgotos, iluminação, adução de águas pluviais para tratamento e consumo. Os humanos perderam o controle neste aspecto e não queremos repetir o erro deles.
  2. Abolimos a esperteza política e não temos nenhum político. O que temos são funcionários públicos que fazem valer leis aprovadas pela população para municípios e estados. Os Estados juntos formam a União. A união somente distribui verbas em caso de catástrofes. De resto cada estado tem que sobreviver por si só para não criar preguiçosos acomodados e dependentes. A maior vergonha para um Estado é ser “mais pobre” que o outro. Eles competem para que cada um seja melhor que o outro.
  3. Imposição de “cotas de filhos”. A população não pode ter crescimento populacional acima de limites sustentáveis estabelecidos. Antes de nascerem as crianças devem ter lugar em escolas, garantia de sustento, creches disponíveis. Então podem nascer. Não entendemos hoje como os humanos nunca perceberam isto. Deve ter sido porque diziam que se amavam uns aos outros, mas não parece que se amassem muito. Nós não nos amamos uns aos outros, mas amamos nossa civilização, nossa preservação da vida. Vivemos como podemos e devemos viver, e não como “queremos” viver. E agindo assim conseguimos um dia, já lá vão mais de três mil anos, viver como queremos realmente. É como o filho protegido achar que tem que ser sempre atendido e se tornar um bandido. Não criamos “proteções” especiais.
  4. O objetivo maior de nossa civilização é transportá-la integralmente, sem falhar um único cidadão, para outros planetas, porque este nosso o terceiro a contar do Sol, será absorvido, torrado, incluído ao Sol em pouco mais que quatro bilhões de anos. Para criarmos condições em outros planetas, leva milhares, milhões de anos. Por isso já começamos em Marte o nosso treinamento. Uma comparação: Dos humanos, se tivessem sobrevivido á grande extinção, só gente de três ou quatro países teriam chegado a novos planetas para os colonizar. Mais de 95 por cento da população da Terra pereceria, porque nunca se preocuparam em salvar todo mundo. Salvar-se-ia apenas quem pudesse.
  5. As espécies vivem neste planeta hermético constituindo a natureza. Então a natureza vem antes do indivíduo em importância de cuidados. Por isso que fazemos análises diárias do Ambiente. Por vezes até precisamos poluir mais para mantermos as porcentagens químicas a que estamos habituados. Outras vezes até o pouco que poluímos pode gerar uma catástrofe. Mantemos hoje o planeta em suas condições ideais. De certa forma isto também não é muito bom, porque evita a “evolução” das espécies. Ainda estudamos estes aspectos.
  6. A ambição e a falta dela são controladas. Ninguém pode ser tão rico que possa comprar um ministério público, indicar alguém para cargos, formar um exército. Os humanos faziam isso. São poucos os exemplos que seguimos dos humanos. O melhor que fizeram foi a tecnologia. Nem os religiosos se aproveitavam. Todos eles pertenciam a empresas comerciais que arrecadavam verbas, usavam menos de um por cento para obras assistenciais como propaganda, e o resto servia para se expandirem pelo mundo para arrecadar mais verbas, obterem mais poder.

- E os Bonobos [2], professor?
- Os Bonobos são uma espécie muito semelhante á nossa. Temos um programa especial para acelerar a sua evolução. Fizemos algumas alterações genéticas e estão indo muito bem. São menos “frios” do que nós e estão mais voltados para o amor. Um dia serão como nós e nós como eles e poderemos, juntos, ocupar planetas para os quais estejamos mais adaptados. Já se estuda o cruzamento entre nós e eles. Estudamos também a possibilidade de evolução acelerada de outras espécies.
- E a religião, professor, como funcionava?
- Esse será o tema de nossa próxima aula. Mas vou adiantar que fizeram uma enorme confusão com o conceito de “moralidade”. Para eles até a evolução era imoral e jamais permitiriam uma troca genética entre nossa espécie e a humana. Até a próxima... Não esqueçam de fazer o resumo da aula como trabalho, e o “aparte” com proposta de evolução sobre este tema, ou seja, o que mudariam em nosso comportamento para a melhora de nossa civilização.
-Só mais uma pergunta, professor... É verdade que os continentes já se moveram nestes dois milhões de anos após o FH?

- Vejam neste vídeo [3]... Moveu-se muito pouco. Ainda não é tão sensível no clima, mas precisamos nos prevenir... Um novo Pangea – os humanos chamavam a essa nova aglomeração de continentes de “Amasia” - vai prejudicar nossa existência. Graves mudanças climáticas se esperam sempre bem devagar. Temos tempo...Não desperdiçaremos nosso tempo como os humanos desperdiçaram. Se tivessem se dedicado á vida em vez de se dedicarem á morte, já estaríamos com eles há muito mais que dois milhões de anos em outros planetas, espalhando-nos pelo Universo. E há filósofos entre nós que se perguntam “Porque teríamos que nos espalhar pelo universo”... Agora chega!... Bom dia a todos, aproveitem o dia para se divertirem e estudar.  


® Rui Rodrigues
       





[1] Conhecidos como “Macacos das Neves” ou “Macacos de cara vermelha” existentes na Ilha de Koshima, Japão. Ver em https://www.youtube.com/watch?v=-sZ48htPLgs

segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Humanidade Marco Zero.



No Bar do Chopp Grátis contamos o que nos contam. Há aviso na entrada e espalhados pelas paredes onde consta: “Se deseja segredo, não nos conte. Se nos contar, podemos publicar sem qualquer tipo de compensação financeira”. Até hoje ninguém reclamou. Quanto á ficção, são tantos os casos que se tornaram realidade, que é bom ter cuidado com estas coisas. 


Novembro, 08, 2041.




Ralph Ogarth foi o ultimo a sair naquele dia do “Laboratórios Alifdeg” em San Diego. Era uma sexta-feira. Tinha acabado de analisar as placas de Petri e efetuado os cálculos para todas. Selecionara dez para a bactéria KPC em estudo [1]e mais dez para a bactéria modificada cultivadas em ágar-ágar. Fizera em seu apartamento a modificação genética. Para todos os efeitos no laboratório, o estudo se destinava ao estudo da bactéria KPC, não á modificada. Todas as informações referentes á bactéria modificada estavam anotadas em seu pequeno bloco de papel que cabia em seu bolso traseiro das calças. No laboratório não havia registros sobre esse estudo. Por isso, logo que anotou os cálculos no bloco, queimou as placas de Petri cultivadas com essa bactéria. Não havia qualquer antídoto que a pudesse eliminar. Tinha absoluta certeza e só precisava testar para confirmar. As principais propriedades da KPC modificada eram a sua redução de tamanho, a alta velocidade de proliferação e o sistema de contaminação através do ar, da troca de fluídos, pela pele das vítimas. Sairia de férias e só voltaria depois das festas de ano novo. Passaria a próxima semana em testes com animais em sua casa de campo. Tinha licença para criar porquinhos da índia. São prolíferos quase iguais a coelhos, comem menos e ocupam menos espaço. Sua mulher, Olga Karajeva, já o esperava. Estavam casados há 16 anos, não tinham filhos por vontade dela, e sabia que o traía. Sabia até com quem, e não era apenas com um.  

Pelo ano de 2023.





Ralph Ogarth formara-se em Harvard em biologia molecular em 2023 com 20 anos. Muitos de seus professores vaticinavam que seria sério candidato a prêmio Nobel por relevantes descobertas, mas algo o perturbava desde criança. Achava o mundo injusto. Sua inteligência reprovava, de modo geral, o desinteresse humano pelo conhecimento, as injustiças sociais, o desleixo com que se trata a natureza e os serviços públicos, por excesso de preocupação com a riqueza e o luxo pessoais. Uma das coisas que mais o intrigava eram os altos salários pagos a artistas e desportistas, atividades para as quais a desenvoltura física, o aspecto físico e desenvoltura no falar, além do fingimento, eram os predicados necessários encobrindo uma ignorância total. Homens que contribuíam para a ciência e professores eram geralmente bem pagos, mas nada que se comparasse com os salários de artistas e atletas. Ralph Ogarth também não tinha muita aptidão para lidar com mulheres. Esse tinha sido uma das razões para se dedicar aos estudos e ao trabalho com afinco. Ao longo dos anos reprimiria esse seu desajuste, disfarçaria com sua simpatia, e jamais se consultaria com psiquiatra. Ele estava certo em seu julgamento, o que era injusto era o mundo. Se não fosse o cunho religioso, e a pequenez dos ideais, teria como heróis os antigos idealistas do Estado Islâmico já destruído ao longo de décadas de combates sem quartel. Sorriu ao pensar que sua casa se transformara numa potente arma de destruição em massa.

Dezembro, 22, 2041.



Ralph Ogarth abriu a porta da garagem e entrou no carro. Eram oito horas da manhã, era inverno e o dia estava frio. Calçava luvas e levava consigo algumas ampolas. Deixou para trás um traje completo de prevenção contra contaminações jogado no piso da garagem, uma criação morta de porquinhos da Índia e sua esposa que jazia junto ás gaiolas dos pequenos animais. Não havia mais nada vivo na casa. Nem o cachorro, um velho labrador com artrite. Ninguém associaria um montículo de cinzas no piso da cozinha a um pequeno bloco de papel com anotações a lápis. Pisara as cinzas para que não pudessem ler o conteúdo queimado, com ajuda de microscópios, pelas ondulações no papel devido á retração do papel pelo carbono do lápis, definindo as letras. Aliás, duvidava até que se alguém entrasse na casa tivesse tempo de sair antes da falência total dos órgãos.  
Chegou ao supermercado em San Diego a tempo de abrirem. Levava no bolso de sua jaqueta impermeável uma ampola. Discretamente quebrou-a com a mão enluvada, e foi pegando em frutas, legumes, colocou o dedo em peixes expostos como quem verifica se está com a carne firme, em queijos embrulhados como quem vê o preço. Não gastou mais de dez minutos. Depois saiu. Antes de voltar a entrar no carro jogou as luvas e a jaqueta num latão de lixo. Podia deixar pistas sem problema algum. Depois entrou no carro, pegou outra ampola e colocou no bolso de outra jaqueta de cor diferente que vestiu. Ligou o rádio. Nenhuma notícia a respeito. Não achou estranho porque a notícia demoraria um pouco mais em sua opinião, mas os efeitos já estavam correndo a uma velocidade incrível. Muita gente mais teria tocado onde ele tocou com sua mão direita. Dirigiu-se a outro supermercado. E a outro. Perto do meio dia, dirigiu-se ao aeroporto. Pegou um avião para N. York. Levava na mala algumas ampolas e uma reserva de jaquetas. Em sua opinião a bactéria já o deveria ter contaminado. Embora tivesse tomado precauções quanto á permeabilidade das luvas e das jaquetas, porque não fizera ainda efeito em seu corpo? Na sala de espera esperou em frente ao aparelho de TV. Então assistiu á primeira reportagem. Havia gente espalhada no chão do primeiro supermercado que visitara. Todas mortas. Outras pessoas estavam passando mal. Não sabiam a causa e não havia suspeitos. Durante o vôo ouviam-se comentários. Uma das hipóteses era um ataque terrorista. Faltando cerca de dez minutos para o pouso, Ralph dirigiu-se ao banheiro. Na volta foi passando a mão enluvada contaminada pelos encostos das cadeiras. Depois entrou no ultimo dos banheiros. Tirou as luvas que jogou no vaso, deu a descarga e calçou outras iguais. Foi para sua cadeira e esperou pelo pouso. Foi o ultimo a sair. Dali foi direto para o hotel que tinha reservado.

Noticiário em Janeiro 10, 2042.



... Aparentemente a epidemia começou num supermercado em San Diego, Califórnia. Não se sabem os motivos, mas existe um suspeito. Trata-se do doutor em biologia molecular Ralph Ogarth dos laboratórios Alifdeg. Em sua casa foram encontradas dezenas de porquinhos da índia mortos, um cachorro velho que sofria de artrite e sua esposa. A suspeita é baseada nestas mortes e no fato de ter sido visto no supermercado na manhã do dia 22 de dezembro. Ele viajou para Nova Iorque nesse mesmo dia. Contam-se aos milhões os mortos em San Diego. A cidade está isolada, ninguém entra e ninguém sai. A epidemia alastrou-se aos estados vizinhos que também já foram isolados. Os laboratórios da nação trabalham afincadamente para determinar as características da bactéria que parece ser a KPC geneticamente modificada. A ser confirmada, é muitas vezes mais letal do que o Ebola... As autoridades...

Noticiário em abril 10, 2042.
 
... Foi encontrado hoje num hotel no centro de Manhattam o corpo do doutor Ralph Ogarth. As agências de Inteligência, incluindo a NSA e o FBI confirmam que a origem da bactéria é proveniente da casa de campo de Ralph Ogarth. A população do Estado da Califórnia e os vizinhos Nevada, Oregon e Arizona estão com sua população reduzida a cerca de 10%, assim como Baja Califórnia no Estado vizinho do México e outros estados. O mesmo acontece com N. Iorque e os estados limítrofes e com Ontário no Canadá. A velocidade com que a bactéria se espalha é de tal ordem que não há pessoal para garantir o isolamento. A esta velocidade o mundo pode ficar reduzido a cerca de dez por cento de sua população em pouco mais de seis meses. O maior problema é a fuga dos países infetados para outros países na esperança de se livrarem da contaminação... A economia mundial está confusa e praticamente parada. Faltam víveres, remédios, as fábricas fecham suas portas diariamente.Os enlatados acabaram.   

Noticiário em fev 15, 2043.



... Ao que parece a epidemia estabilizou-se. A população mundial é atualmente de cerca de 700 milhões de pessoas. A população mundial regrediu a níveis do ano 1.750. Em cerca de um ano após o inicio da epidemia a qualidade do ar melhorou tanto que a temperatura média global baixou mais de um grau centígrado. Os cardumes de peixes nos oceanos se fortaleceram em quantidade e tamanho. Acreditam os expertos que com o nível de conhecimento que se tem hoje a humanidade jamais crescerá ao ritmo que crescia antes. Com tanto trabalho a fazer e tantos bens disponíveis grátis por falecimento de famílias inteiras, a filosofia do socialismo e do comunismo desapareceram das expectativas da população. foi inaugurada em Haia uma estátua em referência ao marco zero de uma nova humanidade...

® Rui Rodrigues   




[1] Bactéria KPC (Klebsiella pneumoniae Carbapenemase)