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quarta-feira, 31 de outubro de 2012

1816 – Uma surpresa sem verão



1816 – Uma surpresa sem verão


Por volta de julho de 1815 chegou ao Brasil uma notícia sem muita importância: um vulcão, o Tambora[1], na longínqua ilha de Sumbawa na Indonésia, entrara em erupção em abril lançando toneladas de gases tóxicos, nuvens de poeira, pedras. Diziam que tinha sido uma grande explosão, enorme, a maior dos últimos mil anos, e que as nuvens do vulcão se espalhavam pelo hemisfério norte. Mas que, como tudo passa, a nuvem iria passar também. Era sempre assim e os comentários sobre o assunto cessaram em poucos meses.      


Em 1816, em Portugal e no Brasil não havia telefones nem linhas férreas, e apenas algumas ruas das principais cidades eram parcamente iluminadas com óleos de peixe – principalmente de baleia - ou mesmo com azeite. Em 1808 Hemphry Davy fez uma demonstração unindo dois bastões de carvão fazendo passar por eles uma corrente elétrica. No ponto de encontro dos bastões formava-se uma incandescência. Afastando um pouco os bastões a corrente elétrica continuava a passar, agora pelo ar, formando um arco luminoso e brilhante. Era o princípio para a fabricação de lâmpadas que serviriam primeiro para a iluminação pública, mas isto, no Brasil, somente aconteceria muito mais tarde em 1851. Entretanto, e até lá, a iluminação a óleo foi sendo substituída por iluminação a gás.


O Brasil em 1816 não era uma Colônia. Muito pelo contrário, era sede de um Reino, o principal, de vastas terras ao redor do mundo: Em sua capital, no Rio de Janeiro, residia o rei D. João VI – O clemente - de nome João Maria José Francisco Xavier de Paula Luís António Domingos Rafael de Bragança, rei de fato do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves. No entanto, como sede do Reino, O Brasil era em 1816 a sede de um Reino Unido que também abrangia Angola, Cabo Verde, Guiné e Moçambique na África, Goa e outros enclaves na Índia, além de Macau na China. E esta situação de uma colônia se transformar em Reino, por aquelas épocas, tinha sua razão de ser, embora única em toda a história universal, e começara exatamente no ano em que D. João VI chegou ao Brasil: 1808, no mês de janeiro a Salvador e no dia 08 de março ao Rio de Janeiro. O mesmo ano em que se fizera a luz elétrica pela primeira vez. A grandeza do Brasil assemelhava-se ao momento da criação: “Fiat Lux”.


Era costume, durante uma guerra, que a vitória numa batalha só seria legitima se o exército vencedor ficasse no campo de batalha por pelo menos um dia, e para ganhar a guerra era necessário que o exército vencedor capturasse o Rei, assim como num bom jogo de xadrez. Em Portugal invadido por Napoleão, e com o apoio da Inglaterra, cuja marinha escoltou o Rei em troca de benefícios comerciais, D. João e cerca de 15.000 membros da corte, tripulantes, soldados, artesão, artistas entre eles o pintor Debret, médicos, engenheiros, embarcam para o Brasil, com as tropas de Napoleão no seu encalço, chegando a Lisboa horas depois. O Brasil começava sua época histórica de reino a caminho da independência como nação, de forma inusitada, única e inteligente.

Como vimos, sem telefones, sem vias férreas, sem iluminação pública, porque o progresso da civilização ainda não o permitia, com viagens marítimas demorando meses, as notícias entre os reinos e o mundo corriam muito devagar, a cidade deitava-se cedo, enquanto os acendedores de lampiões da iluminação pública passavam pelas ruas acendendo-os um por um. Nesse ano de 1816 D. João VI passara por um inverno em Lisboa e enfrentava outro inverno, logo em seguida, embora mais suave no hemisfério Sul, fato devido à inclinação do eixo da terra em relação ao plano da sua órbita ao redor do Sol. Lá na Europa, o povo português preparava-se para enfrentar o verão que prometia ser como sempre fora: quente, com ventos abafados soprando do Saara – o Sirocco - em África, secando os pulmões, mas raros e fracos. Quando fortes, as areias do Saara eram levadas pelos ventos e caíam nos campos do Algarve e Alentejo, imperceptíveis, trazidas pelo Sirocco. Já haviam chegado até a Inglaterra. Por toda o reino europeu os produtores de vinho e azeite faziam as suas contas à produção, quantos tonéis de vinho seriam produzidos e vendidos. Temiam, embora fosse raro, a “chuva de sangue”, provocada pelo Sirocco carregado de areia que em contato com o ar úmido da atmosfera produz uma chuva vermelha como sangue. Seria indício de um verão ainda mais quente do que o normal. Poderia afetar o vinho tornando-o melhor, ou quem sabe, até pior. Ao desembarcar no Rio de Janeiro, o rei abre os portos do Brasil a todas as nações amigas, exceto à França.


O mundo dos negócios, e da política, é baseado em informações. Por isso, a ambição levava banqueiros a Portugal se a economia ia mal por lá, para oferecer dinheiro a juros mais altos, ou ao Brasil, se a sua economia também ia mal. A Guerra com Napoleão e o custo com a ajuda inglesa tinham diminuído consideravelmente os cofres do Rei, que somente o tabaco principalmente rapé, o café, o açúcar, o algodão, o ouro e os diamantes produzidos no Brasil podiam equilibrar. Longe de Napoleão, vivendo em terra farta onde se plantando tudo dá, até mais de uma cultura por ano, sem as intrigas das cortes européias, sem invernos frios e difíceis, é fácil acreditar que D, João VI se afeiçoara ás terras do Brasil, às suas gentes e que se pudesse, transformaria o Brasil numa nação independente. Mas havia muitas e boas esperanças para o ano de 1816 e seguintes. Nesse ano de 1816, no Rio de Janeiro, a corte e o povo estranhavam a temperatura nos meses de Verão, incrivelmente baixa para a época do ano. Parecia inverno tropical, o que era uma benção que evitava aqueles dias de suor, trocando de roupa várias vezes por dia.  


Quando a notícia chegou da Europa, o tempo de verão em Portugal já tinha passado. Cada viagem ao Brasil demorava quase uma estação do ano. E com a notícia, trazida a bordo de naus, chegaram também os banqueiros e comerciantes. Disseram que, inexplicavelmente, as temperaturas no hemisfério norte tinham baixado de tal ordem, que não houvera verão. Havia fome na Europa. Até Portugal estava exportando o precioso trigo do Alentejo, azeite do norte para o resto da Europa onde a invernia havia sido mais forte. As uvas haviam amadurecido muito tarde e isso se refletira na qualidade do vinho. Traziam também notícias da América do Norte, com o mesmo problema. Em pleno verão surgiram as doenças inflamatórias de Inverno. No Brasil, o verão que iria chegar ainda, não chegou também. A economia de Pernambuco ficou abalada com a queda dos preços do açúcar e do algodão, provocada pela concorrência com as Antilhas e com os Estados Unidos. Além disso, a seca de 1816 arruinou o nordeste.

Naquele ano de 1816 não houve verão, e ficou conhecido na história assim mesmo: “O ano em que não houve verão”. Os efeitos da erupção do Tambora estenderam-se, embora em menor grau, até 1817.  Um padre e advogado da cidade de Braga, Portugal, reverendo José Manuel da Silva Tedim, comentou na época: “Tenho 78 anos e nunca vi tanta chuva e tanto frio, nem mesmo em meses de inverno”.

Naqueles tempos não se conhecia ainda o “inverno nuclear”[2], produzidos quando o excesso de CO2, poeiras, e outros gases impedem a passagem da luz Solar, baixando a temperatura do planeta. Há suspeitas de que um outro vulcão[3] também tenha entrado em erupção pela mesma época, provavelmente localizado na região do Equador já que existem estudos segundo os quais a alteração climática se produziu até 1819, tendo-se iniciado em 1810.  Se isto for verdade, explica-se o despreparo de Napoleão para enfrentar o frio inverno da Rússia quando a invadiu em 1812, incluindo o uso de botões de estanho nas fardas dos soldados. O estanho torna-se quebradiço a baixíssimas temperaturas. Sem botões nas fardas, os soldados alternativamente seguravam nas armas ou puxavam as roupas para se cobrirem do frio.  

D. João VI podia entender o amor do filho Pedro I ao Brasil, e este, o de seu filho Pedro II. A independência veio pouco tempo depois, a sete de setembro de 1822, um dos primeiros países do mundo a livrar-se da colonização, e sétimo[4] na América do Sul.

® Rui Rodrigues




[4] Chile – 1810; Colômbia – 1810; Paraguai – 1811; Venezuela – 1811; Argentina – 1816; Peru – 1821; Brasil – 1822; Equador – 1822; Bolívia – 1825; Uruguai – 1825; Guiana – 1966; Suriname – 1975

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Os bons cogumelos – saiba o que come e como comer


Os bons cogumelos – saiba o que come!



Os cogumelos alucinógenos[1] não são tema deste artigo. Foram e ainda são usados em toda a região do globo. Também não se abordarão as espécies venenosas[2], sobre as quais existe, também, divulgação específica na net. Abordam-se as espécies comestíveis, aquelas que fazem a delícia do paladar em qualquer almoço, jantar ou ocasião.

Alguns dos cogumelos comestíveis têm sabor brando. Outros são mais fortes em escala que culmina na famosa trufa [3](que embora pertencendo à ordem dos “tuberales” não são da mesma espécie). Pequenas lascas de trufa dão o toque mágico a todo o prato e inundam-nos a alma, fazendo-nos levantar os olhos aos céus, parar a respiração, agradecer à natureza. Em termos qualidade e características do sabor e do cheiro, só provando, cheirando. Em termos de intensidade de sabor, os associo em semelhança com o caviar, a lula, a sardinha, o camarão, o alho, a carne de ovelha, manga, vinho: É um sabor forte, intenso, característico, bem definido, agradável.


Os cogumelos não são vegetais. Fazem parte de um reino intermediário entre o vegetal e o animal, chamados de fungos ou “Fungi”. Existem mais de 1.500 espécies conhecidas. No esquema acima, podem identificar-se as principais partes que constituem os cogumelos.

Os cogumelos não podem sintetizar matéria orgânica. Obtêm-na, já sintetizada, de restos orgânicos de animais e plantas, por absorção. Por isso se encontram em fezes de animais, em restos de árvores, ou em simbiose com árvores vivas, muitas vezes na raiz, como é o caso da trufa ou tartufo. Um quilograma de tartufo pode alcançar o valor de mais de quatro mil dólares. O alto preço se deve á sua raridade, ao excelente sabor e ao trabalho de coleta porque não podem ainda ser cultivados: é necessário um bom porco ou cachorro, que têm um olfato especial para detectá-los a cerca de 12 cm abaixo do nível do solo, presos a raízes. Em especial, nas de uma árvore especial, a Pioppo, que só existe na região da Toscana e do Piemonte, na Itália.



Em termos de calorias, são leves, exceto pelo modo como são preparados. Quando refogados ou fritos, o produto final é sempre altamente calórico.
Segundo a “Confraria dos Chefs” [4]Os cogumelos mais famosos ou mais consumidos no mercado são os conhecidos pelos seguintes nomes: Shitake, Shimeji, Paris, Portobello, Porcini, Ostra ou Hiratake, aos quais acrescento a já mencionada Trufa, a rainha (ou o rei) dos cogumelos.


Quando usar cogumelos secos, e dizem que cozinho bem, não esqueça de os colocar de molho, previamente, num pelo menos regular vinho tinto seco. Quando estiverem bem hidratados, refogue-os em azeite virgem com cebola, alho, orégano, tomate se desejar, e jogue-os sobre massa previamente cozida “ao dente”. Um pouco de parmesão por cima e acompanhe com salada (se desejar) e um bom vinho...  Sempre em boa companhia... Trufas bastam lascas sobre o prato que preparou, de carne ou de massa.

Na net encontrará certamente outros sites com excelentes receitas à base de cogumelos...

Bom proveito!

Rui Rodrigues


Os últimos condenados à morte



Execuções ao longo da história
Os últimos condenados à morte 
Aqui, pelo ocidente, dividimo-nos entre os que vêm na pena de morte virtudes de justiça, e os que acham que não se deve matar o semelhante em nenhuma hipótese. Não se questiona essa divergência neste artigo. 
Mesmo para os adeptos da aplicação da pena de morte, aqui pelo ocidente, há os que a defendem incondicionalmente, e os que se preocupam com a eficiência da lei, lamentando seus erros e questionando-se, no íntimo, se vale a pena correr o risco de condenar à morte possíveis inocentes. E não são raros estes. 
Há, aparentemente, a necessidade de que as leis sejam aprovadas – pelo menos algumas delas – pelo voto popular, face à disparidade mundial dos conceitos que norteiam a elaboração dessas leis. Vida não tem bandeira nem pode ser refém de idiossincrasias. Parece-nos que, onde há lei para pena de morte, se devesse restringir a elementos que já assassinaram mais de uma vez, a sangue frio, não em defesa própria, de forma premeditada e que não sejam deficientes mentais. Porém nota-se que a aplicação se estende a “inimigos do estado”, dissidentes, fugitivos, a gente inocente que nunca matou e foge para não morrer. 
O Título “Últimos condenados à morte” refere-se aos últimos porque a pena de morte já foi abolida, e aos últimos de uma longa série que ainda não terminou. Os cidadãos precisam saber da força que têm sobre o Estado que os governa. Deveria ser o contrário: O povo governando o Estado, dizendo-lhe o que quer, como quer, quando quer. Quem governa deveria servir o povo. 
Na forma como os governos decidem tudo, penas de morte podem ser tão injustas quanto cruéis, destituídas de moral, ética, humanidade ou mesmo fé.

Em Portugal
Diogo Alves, nascido na Galiza em 1810, foi enforcado às 14:15 do dia 19 de Fevereiro de 1841, no cais do Tojo em Lisboa, aos 26 anos de idade. Motivo da condenação: O assassinato da família de um médico, com a participação de outros elementos da quadrilha. É o que consta dos autos. No entanto, ele ficou conhecido como o “assassino do aqueduto das águas livres”. Segundo opinião popular, indícios, notícias de jornais e conversas à volta da lareira, Diogo Alves teria conseguido as chaves das portas de acesso ao aqueduto das águas livres, que conduz água para Lisboa até hoje, e de lá jogava suas vítimas que previamente assaltava, do arco do vão central, a 65 metros de altura. Teria jogado mais de 70 pessoas lá do alto. Como se dizia que pessoas se suicidavam jogando-se desse local, é possível que o numero de mortes ascendessem a muito mais do que essas 70. A cabeça de Diogo Alves ainda existe conservada em formol na Faculdade de Medicina de Lisboa. Fora arrancada logo após a morte por estudantes dessa instituição para estudo. Evidentemente, nada concluíram.
No Brasil 
O fazendeiro Manoel da Motta Coqueiro, foi executado, por enforcamento, no dia 06 de março de 1855, em Macaé no Estado do Rio de Janeiro. Motivo do crime: O assassinato de oito membros de uma família de colonos que trabalhavam em uma de suas propriedades localizada em Macabu. Correndo notícia de boca em boca e pelos jornais, o povo deu-lhe o apelido de “a fera de Macabu”. Logo após a prisão, declarou-se inocente e pediu a graça Imperial do perdão ao imperador D. Pedro II que a negou. Foi o primeiro homem rico, de alta posição social a ser enforcado no Brasil, e também o último a sofrer pena de morte. 
Porém, pouco tempo após a morte, ficou provado um erro judiciário. Manoel da Motta Coqueiro era realmente inocente. Abalado com o erro, D. Pedro II passou a negar a condenação à morte a todos os condenados. Em 1891, finalmente, a pena de morte foi abolida da constituição e das leis brasileiras. Exceção para casos de guerra, como consta da Constituição, vigente, de 1988.  
No Reino Unido 
Liam Holden cumpriu 17 anos de prisão depois de condenado como franco-atirador do IRA e condenado à morte. Motivo do crime: Ter morto a tiros um adolescente do Regimento de Pára-quedistas, Frank Bell, em Belfast, 1972, Jurando inocência, entrou com recurso. A pena foi comutada para prisão perpétua. Depois de 40 anos de prisão, a Comissão de Revisão de Processos Criminais verificou que a confissão de Liam Holden tinha sido obtida - de forma ilegal – através do método de asfixia por água, “waterboarding” numas instalações do próprio regimento ao qual pertencia a vítima, um soldado, apesar da sua adolescência.  Logo após a sentença de Holden ser comutada para prisão perpétua, a pena de morte foi abolida na Irlanda do Norte o que já era fato em todo o Reino Unido. 
Em Cuba 
Humberto Real foi condenado à morte em Cuba, em 1996. Motivo do crime: “crimes contra a segurança do Estado, assassinato e disparo de arma de fogo contra determinada pessoa”. Humberto real fazia parte de um grupo denominado PNUD que se infiltrou no norte da ilha, proveniente da Flórida, EUA, em 1994 e matou um cidadão cubano. Desde o ano 2000 existe uma moratória sobre a pena de morte, interrompida em 2003 quando o governo cubano fuzilou três cidadãos que, numa embarcação, pretendiam emigrar para os EUA. Recentemente Raul Castro converteu a pena de morte de Humberto Real a uma pena de 30 anos de prisão. Há outros casos em estudo para comutação de pena pelo governo de Cuba. 
No Irã 
Yousef Nadarkhani converteu-se ao cristianismo na adolescência. Reclamou do governo a obrigação de forçar crianças a lerem o Alcorão. Ao tentar registrar a sua igreja evangélica na cidade iraniana de Rasht, foi preso. Motivo do crime: Apostasia - quando se renuncia à fé à qual se pertence.  Foi condenado à morte por enforcamento. Em todo o mundo foram feitas campanhas para que o governo do Irã revisasse essa decisão, inclusivamente via Internet e durante o evento Rio +20. No dia oito de setembro de 2012, o pastor teve sua pena revista para prisão domiciliar. Teme-se pela morte “acidental” do pastor, já que outros pastores foram enforcados pelo regime do Irã.
EUA
John Errol Ferguson, com 64 anos é reconhecidamente esquizofrênico e acredita ser o “príncipe de Deus”. Foi condenado à morte no estado americano da Flórida. Motivo da condenação: Assassinato de seis pessoas em Carol City em julho de 1977 e de outras duas em 1978 em Hialeah, cidades do condado de Miami-Dade. O pedido de clemência foi rejeitado pela Suprema Corte. Dia 16 de outubro deveria ser  executado com injeção letal, após 35 anos no corredor da morte, mas mais uma vez, por força de dúvidas sobre sua sanidade mental – o que parece evidente, porque além de tudo acredita que após sua morte voltará para livrar os EUA do comunismo – sua morte voltou a ser adiada no passado dia 24 de outubro de 2012.  
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Doenças mentais devem ser tratadas. Doentes mentais passíveis de surtos perigosos para a segurança pública devem sofrer vigilância médica adequada. A prevalecer a pena de morte, deve ser estendida aos que provocam a “morte invisível” quando pessoas morrem em filas de hospitais, ou por fome, ou por esgotos a céu aberto, ou, em geral, por negligência do Estado porque houve desvio de verbas que nunca chegaram ao ponto final de sua aplicação no benefício das populações que pagam os seus impostos – e como pagam!

Rui Rodrigues

domingo, 28 de outubro de 2012

Vamos acabar com as guerras?




Vencedores sempre perdem a futuro
Vamos acabar com as guerras?
Até 1945 a “arte” das guerras limitava-se a danos localizados que podiam ser reparados em alguns anos, uma década. Eram hortas, pomares, pontes, barragens, fábricas, casas, até cidades arrasadas que se recompunham rapidamente. Depois da descoberta das bombas atômicas e de hidrogênio, o panorama mudou radicalmente. Graças a esforços de contemporização e medo internacionais, não se voltaram a deflagrar bombas atômicas com fins bélicos e até os testes, tanto quanto sabemos, estão adormecidos. Mas o perigo persiste. A qualquer momento os loucos que costumam passar pelo poder podem deflagrar uma inconseqüente guerra nuclear.
Temos realmente consciência do perigo que corremos?
O maior perigo é um inverno nuclear[1]. O menor, raças eliminadas, vidas destruídas, gerações eliminadas, genes perdidos, gênios em potencial destruídos antes de terem uma oportunidade na vida. Ninguém ganha com as guerras. Os vencedores também perdem, e Napoleão (e muitos outros) demonstram isto.
O inverno nuclear já foi produzido por pelo menos duas vezes neste planeta pelo impacto de meteoros. A explosão, equivalente a milhares de bombas atômicas provocou nuvens que circundaram o globo por décadas provocando efeito estufa, e por falta de raios solares, a morte de 98% da vida. O planeta se recuperou, mas não com as mesmas espécies que antes existiam. Só com cerca de 2% delas, remanescentes e mesmo assim temos toda esta diversidade. A natureza não se preocupa individualmente com qualquer espécie preservando-a. A natureza é. Simplesmente é.

O que leva às guerras

O primeiro fator determinante para uma declaração de guerra é a disponibilidade de exércitos e as constituições tal como concebidas até os dias de hoje, em democracias representativas: os governos podem declarar guerra sem consulta popular, à revelia dos cidadãos. Não há constituição que o não permita (exceto a da Costa Rica que nem exército tem).
O segundo é um conjunto de fatores: declaram guerras por vaidade, loucura, desespero, vingança, oportunidade, demonstração de poder, distração dos problemas internos. A história da civilização humana está repleta de exemplos. Aliás, a história da humanidade tem sido uma guerra constante. Não se deve ter passado um único dia neste planeta sem guerra. E algum lugar há sempre uma guerra. Os governantes sempre pensam que são deuses locais neste planeta e que podem governá-lo por completo. Hitler pensava isso, e Lula recentemente pensa que pode dominar a América Latina e depois o mundo.
O que podemos fazer para impedi-los, nós, cidadãos?
Pela ordem:

  1. Exigir de cada governo – cada nação acionando o seu governo - alterações na constituição de forma a obrigar que guerras somente sejam declaradas após consulta popular via net, ou outros dispositivos mais seguros. Numa primeira fase, a consulta deve ser dirigida a representantes populares, eleitos regionalmente, na mesma proporção dos senadores, porém em número total que impeça a compra da opinião. Em outras palavras, se alguém quiser comprar um senado de 300 participantes a um milhão por senador, gastaria 300 milhões, preço acessível a muitas entidades interessadas na guerra. Comprar um milhão de representantes para assunto especifico de declaração de guerra fica bem mais difícil senão impossível.
  2. Da mesma forma, exigir de cada governo – cada nação acionando o seu governo – alterações de remuneração a vítimas de guerra quando declaradas unilateralmente, isto é, quando os soldados morrerem em combate fora das fronteiras do país. Os ministérios são de defesa e não de ataque. Eles nos enganam com o nome pacífico de “ministério da defesa”, porque é a partir destes ministérios que sempre se iniciam as guerras. O pagamento deve ser justo com o valor da vida humana que sempre tem sido bem menor do que o custo de uma arma de guerra, sem alma, sem vida. O valor deve ser o resultado da multiplicação dos seguintes fatores: Expectativa de vida diminuída da idade do combatente morto; salário anual; numero de membros associados de família. Não se pode admitir que uma ida humana valha menos do que um avião. Aviões se repõem, vidas humanas são perecíveis.
  3. Fundar uma Liga Internacional de nações com forças armadas cedidas de forma constante pelos países membros para garantir a ordem mundial, impedido o direito de “vetar”.
  4. Redirecionamento das forças armadas para serviços comunitários e de polícia sem perda de direitos. 

Quais os benefícios das medidas propostas?
Parece que o mundo ficaria bem mais seguro, sem a interferência de loucos no poder, que ascendem sem sequer se submeterem a testes de personalidade, exames médicos operados por junta médica, geralmente seres dotados de enorme ambição e visão localizada e concentrada em objetivos pessoais, normalmente dependentes da opinião de quem lhes pagou – de forma direta - as eleições. Se a preponderância das contribuições tiver sido das empresas de material bélico, a probabilidade de guerra é ainda maior.
Em termos de economia, é de considerar a referência do IPEA [2] “No período 2010-2011, o gasto militar mundial foi, em média, de US$ 1,62 trilhão, equivalente a 2,6% do PIB mundial (no ano de 2010) e correspondente a US$ 236 para cada pessoa no mundo (também em 2010) (PERLO-FREEMAN et al., 2011, p. 157)”.
È fácil verificar que todo este capital poderia ser canalizado para outros setores produtivos que não sejam de destruição. É um valor considerável que não pode ser desprezado. Poderia ser utilizado, em cada país, para implantar ou beneficiar as infra-estruturas, a saúde pública, a luta contra o narcotráfico, o reforço da segurança, o controle de fronteiras e plataforma continental, teríamos um novo mundo...
É em busca deste novo mundo que a democracia participativa se explica da melhor forma e com a melhor e maior propriedade: a voz da nação contra os que usurpam o poder e manobram em seu nome dizendo que a “representam”.
Somos todos, em todo o mundo, cidadãos muito mais inteligentes do que aqueles que colocamos no governo. Mas como o sistema é corrupto por natureza, não nos candidatamos. Mas podemos falar e exigir-lhes. Veja como em http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/

Rui Rodrigues

O dilema do eleitor na hora de votar.




O voto sob vários aspectos

O dilema do eleitor na hora de votar.
Vivemos numa sociedade, em qualquer lugar do mundo, ainda no limiar da adolescência democrática. Até há cerca de 300 anos atrás quase todos os governos do mundo eram reinados e quem mandava era o rei que nomeava seus ministros, e não havia eleições. Se os governos não eram monárquicos, eram ditatoriais ou teocráticos. Não estamos habituados à democracia, ao poder do voto, e somos reféns de partidos políticos que nos empurram os candidatos que querem. Pior ainda, não se elege quem merece, mas quem faz a propaganda mais efetiva, quem se cerca da melhor equipe de marketing. Desconhecedor da vida do candidato, exceto por meia dúzia de atos públicos, vota-se no escuro, “rezando” ou torcendo para que o candidato, se eleito, cumpra com o que prometeu. Vemos horrorizados que ano após ano, não cumprem. Continuamos a reclamar as mesmas coisas. O sistema instituído preserva-se e a menos do voto, nunca mais nos perguntam nada durante todo o período de cada governo. Nosso voto dado não pode ser retirado, e esse é o maior problema: Nenhum eleito precisa fazer nada de útil, que seu emprego estará garantido. Somente se errar muito e de forma muito grave sofrerá um impeachment, que, por curiosidade, não parte do povo, mas da congregação de partidos políticos em que se transformaram as Câmaras de deputados e de senadores.
Colocando-nos na posição de eleitores em alguns países, podemos sentir o dilema de votar quando nos pedem – ou exigem – que votemos. Como veremos a seguir sob o ponto de vista do eleitor falando consigo mesmo na hora do voto.

Cuba
Não sei que democracia é esta que não posso escolher o presidente, nem o vice-presidente. Só nos permitem votar em deputados e delegados. Nossa vida é muito difícil, vivemos vigiados pelos delegados de bairro e pela polícia cubana. O “paredón” pode voltar a qualquer momento, podemos ser presos, perder o emprego, nossos familiares podem ser perseguidos. È assim desde a revolução em 1959. Um dia, quando o Fidel morrer, e o irmão dele, o Raúl, sair do governo, as coisas mudarão. Hoje é impossível fazer uma revolução. O estado é policial. Vou votar como me aconselharam a votar: Naqueles que demonstram ter mais acesso ao poder, porque assim terei mais chances de receber alguma vantagem ou não perder as que tenho. Se notarem algo contra o sistema na contagem de votos do meu bairro, sofremos intervenção para saberem quem está destoando do regime. Gostaria de emigrar, tentar a vida fora da ilha, mas não tenho dinheiro para a passagem. Até os alimentos são racionados e os salários são muito baixos. Não distribuem cupons de passagens aéreas. Se me pagassem a passagem poderia sair, mas não deixariam. Dizem que sou trabalhador “especializado”. Todos aqui querem ser “amigos” do partido para ganhar vantagens ou não perder as que têm. Se houvesse liberdade, há muito que o regime teria acabado.   

Brasil
Realmente estou em dúvida em quem votar. Esse negócio de partido político não funciona mais. Todos os candidatos – indicados pelos partidos – prometem tudo quando estão em campanha. Depois que assumem dão desculpas ou não se fala mais nisso. Quando tomamos consciência, passaram-se mais quatro anos. Já mudei de partido uma porção de vezes em toda a minha vida. Alguns até já acabaram, ou existem apenas para gastar dinheiro público – e não é pouco. Podiam limitar o numero de partidos a uns quatro – já que são todos iguais e já não há ideologias. Obrigam-nos a votar, o que é um absurdo e nada democrático. O comunismo acabou, praticamente, porque só há hoje dois países no mundo que ainda são comunistas. Para quê PcdoB. PCB e afins, se nunca vão ganhar eleições, e se mesmo eleito algum político desses partidos, não poderão governar de forma comunista? Não temos a mínima tendência para sermos comunistas. Ninguém quer dividir o que é seu de mão beijada. Nem as igrejas que recebem dízimos e esmolas dividem o que é delas. Andamos todos atrás de dinheiro, e cada um quer ter a sua casa própria, seu carro. Tudo o que os partidos fazem é fazer eleger candidatos que façam o que o partido quer para ganhar dinheiro. O dinheiro para as eleições vem das empresas. São as empresas que mandam nos partidos e estes nos políticos. E políticos e partidos não são essencialmente diferentes uns dos outros. Já vimos Collor de Melo que fazia discursos como se estivesse drogado, transtornado, roubar dinheiro de cada brasileiro expropriando-o das contas bancárias em ato insano; já vimos deputados, senadores e vereadores aumentarem os próprios salários sem contestação, porque a constituição o permite; já vimos baixarem atos constitucionais e medidas provisórias que alteram a constituição; políticos e partidos comprando votos no congresso e câmaras através de pagamentos com dinheiros públicos que deixaram de fluir para o benefício público. A impressão que tenho é que fazem o povo de escravo sem voz política e que no governo fazem o que querem. Políticos saem do governo muito mais ricos do que entraram, muito para lá dos próprios salários. Sinceramente, voto porque sou obrigado, porque político confiável, não encontro nenhum. Nenhum nos representa de fato. Mas entre mortos e feridos todos escapam. Depois do jogo vou tomar um chopinho, curtir uma praia, ver umas meninas, dançar um funk, ver um jogo de futebol e descolar uma grana para pagar o almoço. Pô... O Corinthians perdeu de novo... Tem que trocar o técnico.

Portugal
Quando acabaram os reis absolutistas e pseudoliberais – quem manda sempre manda, e o “ser liberal” é muito restrito - veio a república. O Estado passou a dividir o poder de forma diferente, entre maior numero de políticos. A partir daí pouco conhecemos de regimes democráticos. Sucederam-se ditadores, o maior dos quais foi Salazar, quase cinco décadas no poder. Depois veio o 25 de abril, mas como comunistas não sabem lidar com dinheiro, adotaram a mesma constituição da ditadura – porque queriam mandar como os ditadores – e deu tudo errado. Políticos e presidentes se digladiarem no poder, sucederam-se os escândalos e encomendaram com sucesso a morte de políticos. Finalmente, apareceu a oportunidade de entrarmos para a União Européia e todos os políticos ficaram de olho nas verbas da União para o desenvolvimento de Portugal. Dinheiro fácil que foi desperdiçado, mal empregado, ou recolhido de novo à União Européia por falta de projetos onde gastá-lo. Quando passou o deslumbramento, as verbas se esgotaram, por estes dias, e chegou a hora de pagar a conta, reparamos que a nação está quase falida, os antigos dirigentes vivendo à tripa forra no estrangeiro, cheios de mansões que jamais teriam se não fossem políticos. Já sabemos para onde foram as verbas, e continuamos com a mesma constituição. Não há partido político que não tenha o seu “senão”, e votemos no partido que votarmos, ou no político, corremos o risco – sempre - de sermos roubados, espoliadas, sempre um dos últimos paises da Europa em tudo. Não é sina, nem menos valia de nosso povo. É uma tradição secular de deixarmos que nos governem. Nem sei se vou votar, porque não vale a pena. Talvez vá para as ruas, talvez emigre para não ver a catástrofe – mais uma – de nossa nação. Um dia se disse – Portugal para os portugueses. Esse dia passou. Qualquer dia Portugal ficará entregue aos políticos para que votem neles mesmos. O povo todo terá emigrado, o que já se faz, em menores proporções, há pelo menos quinhentos anos. Só que desta vez, não mandaremos as poupanças para bancos portugueses, porque aqui só haverá políticos. Vou tratar do meu passaporte hoje. Pátria é onde me sinto bem, e não me estou a sentir nada bem por aqui. Os políticos querem que eu seja patriota mas eles não são. As Igrejas querem que eu seja bonzinho e dê esmolas mas elas são iguais aos políticos: arrecadam e não distribuem: deixam cair migalhas. Procurei um jornal sobre política, mas só encontrei jornais sobre futebol... Ora aqui está uma boa reportagem... Porque será que o Sporting nunca ganha títulos internacionais? Será que foi construído assim?  Mas vá lá... Se fosse do Belenenses ainda ia ficar mais triste. Vou jogar no totoloto para ver se ganho alguma coisa.

EUA
Temos dois partidos, e de vez em quando algum independente – sem muita chance - concorrendo às eleições: O partido democrata e o republicano. Para mim, não importa o partido, que se elege de acordo com o volume de dinheiro disponibilizado para se eleger. Quem cede esse dinheiro são as empresas deste país, e como os interesses das empresas são sempre os mesmos, não muda nada de essencial na vida desta grande nação americana. Porém, se for a industria bélica que tenha mais influência, teremos guerra. O problema é que neste ano, como em todos os outros, não sei se é a industria bélica que terá mais influencia por ter contribuído com mais verbas para as eleições. O que não quero é guerras para piorar a situação. Vou votar no político. Ou em Obama ou em Romney, e afora essa desgraça de guerra, também nada mudará de essencial. E mudar para quê? O problema é do mundo lá fora, principalmente da Europa que não aprende e nos devolve a crise que criamos aqui. Exportamos a crise para a Europa, mas ela veio de volta. Porém, como somos mais desenvolvidos, uma nação continental, temos mais condições de sair mais rapidamente da crise enquanto a Europa se afunda. Atualmente estou desempregado, mas as coisas vão melhorar. Somos uma grande nação. Se tudo der errado e eu morrer de fome, a culpa é minha que sou um incompetente para sobreviver. Nos próximos dias tenho que alternativamente arranjar um emprego, ir para debaixo do viaduto que até já escolhi qual deles, ou não sei. O que me amedronta é o “não sei”.  Acho que vou até o Brasil. Parece que lá ainda há grana sobrando. Não entendo como, porque roubam muito, mas tem.

Em outros paises

Não muda essencialmente nada de Cuba ao Brasil, dos EUA a Portugal. O caso mais dramaticamente hilário é o da República Democrática Popular da Coréia do Norte, que não tem nada de republica (é um reino com um ditador) de democrática (o povo nem respira mais forte porque pode ser confundido com capitalista que quer o ar todo para si) de Popular (porque a policia do estado controla tudo). Só o termo Coréia do Norte faz algum sentido.

Não conseguimos mudar nada de essencial no mundo. Os governos, constituídos de pessoas como nós sem mais nem menos virtudes, decidem tudo. Porque votamos?  
Para uma democracia diferente, verdadeira, participativa, verhttp://conscienciademocrata.no.comunidades.net/

Rui Rodrigues 

sábado, 27 de outubro de 2012

AMOR INDIGENTE - Marlene Caminhoto Nassa



AMOR INDIGENTE
Marlene Caminhoto Nassa

O seu amor

indigente
deixou me
 assim
vazia
pobre
silente
Germinou em mim
nostalgia
mas só nasceu
poesia
inocente...

RAIZ EXPOSTA - Marlene Caminhoto Nassa



RAIZ EXPOSTA
Marlene Caminhoto Nassa

Sou semente
jogada a esmo,
no atalho,
no ralo,
ou no ato falho,
mesmo
Exibo imensa raiz exposta
frágil demais por não ter chão
e ninguém gosta
Já não é planta
nem será janta
nem manta
a cobrir ou alimentar
esse corpo
alquebrado
gelado
É só raiz exposta
e sem resposta...

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

Como passar na prova do Enem




Como passar na prova do Enem

Lembre-se: Ninguém vive a sua vida. Só você a vive. A responsabilidade é toda e unicamente sua.

Se não passar neste exame do Enem, porque não teve tempo para se preparar adequadamente, prepare-se para o próximo seguindo estas instruções com muita dedicação. Caso já tenha passado, meus parabéns. É uma pessoa de sucesso!

  1. Preparação durante o ano

Não falte às aulas nem da escola nem do cursinho. Se tiver que faltar, peça a colegas que lhe cedam anotações. Use cadernos para anotar o que é mais importante e destaque com retângulos ou suas próprias marcas. Desta forma localizará melhor e mais rápidamente os assuntos quando necessitar. Se usar instrumentos eletrônicos para fazer anotações, use método semelhante, mas não esqueça: Todos os assuntos são importantes. Sempre que estudar, concentre-se exclusivamente no estudo. O resto não interessa.

Em algumas matérias terá mais dificuldades do que em outras. Dedique mais tempo àquelas. Não esqueça que a tendência é estudar menos o que mais nos desagrada. Inverta essa tendência. Lute para se dedicar mais ao que lhe parece mais difícil e desagradável. Nas provas não existe “não gosto dessa matéria”.

No que respeita a matérias exatas, repita exercícios. Resolva tantos exercícios quantos puder. Lembre-se que quanto mais “treinar” mais sedimentará o conhecimento e se lembrará das soluções na hora da prova.

Estudar em grupo tem muitas vantagens e uma desvantagem. A  desvantagem está relacionada com a dispersão se alguém do grupo destoar da seriedade do estudo. Estudar em grupo desperta a competição, diminui tempos para procurar os assuntos. Há sempre alguém no grupo que sabe o que você não sabe, e cada um atua como “professor” no que sabe.

Não perca tempo se não souber algo, “deixando” para amanhã. Procure em anotações, na Net, com amigos, mas resolva logo.

Se o namoro ou a amizade atrapalha, peça um tempo ou afaste-se definitivamente. Nada nesta vida é para sempre, exceto você mesmo(a). Sem uma boa carreira a vida ficará muito mais difícil.

Reserve para o lazer o sábado á noite e o domingo à tarde e não abra exceções, salvo em casos de força maior. Se for necessário “virar” uma noite, com responsabilidade, “vire”! Mas se estudar de forma consciente verá que não será necessário.   

Pense sempre positivamente! Não use nenhum tipo de droga. Fazem mal ao cérebro e você sabe disso. Drogas destroem carreiras, relacionamentos, projetos, vidas. Nenhum empregador aceita dependentes químicos, e toda uma carreira se arruína em um só dia, depois de anos de trabalho e dedicação.


  1. Nas vésperas de provas

Pare com a ansiedade natural que costuma acometer estudantes em véspera de provas, temendo “não saber”, ou “esquecer” o que já aprendeu. Isso não existe. Se souber, sabe, se aprendeu, aprendeu e não há forma de “esquecer” de um dia para o outro. O que atrapalha é a ansiedade e a insegurança. Uma forma de combater a ansiedade é simplesmente “não pensar” nessas possibilidades. Como? Dedique a véspera de prova para separar a documentação, a roupa que usará, colocar o despertador para funcionar, fazer o seu sanduíche preferido ou separar o seu pacote de guloseimas que levará para a prova. De estomago vazio a coisa não funciona. Para quê o sanduíche? Porque irá duas horas mais cedo para o local da prova e talvez não tenha tempo de comer alguma coisa... Melhor esperar no local da prova comendo um sanduíche, do que perdê-la! E porque ir duas horas mais cedo? Não é um exagero? Não, não é. O transito fica ruim, algum setor entrou em greve na madrugada, uma rua foi interditada, choveu de madrugada.. E o mais importante é a prova...

O que não aprendeu durante um ano não irá aprender em 12 horas antes da prova e o (a) deixará nervoso (a)... O nervosismo é inimigo da perfeição e do conhecimento.

  1. Durante a prova

Não se preocupe... Nem há razão para isso. Tudo que tinha que fazer já fez e chegou o grande momento.

Certifique-se do tempo de duração de cada prova, para saber o quanto pode perder de tempo em resolver as questões. Seu cérebro comandará esses “tempos” de forma automática e avisará quando achar que está perdendo tempo resolvendo o que não sabe ou não se lembra.

Não leia a prova toda. Leia questão por questão pela ordem das questões resolvendo de imediato todas as que sabe resolver, ou seja, as mais “fáceis” para você. Marque com “+” as que for achando serem mais difíceis. Quando chegar na última questão, volte ao começo, e tente resolver as que não têm a marca “+”... Quando, e se, chegar ao final, tente agora as que têm a marca “+”. Seu cérebro ajudará de forma automática a perceber quais, com esta marca, são mais factíveis de serem resolvidas. Quando faltarem uns cinco minutos para o fim da prova, “chute” os resultados das questões que não resolveu. Seu cérebro também ajudará... E terá acabado a prova.

Se, em qualquer momento “entrar em desespero”, peça para ir ao banheiro ou sair até o corredor. Se isto for permitido, passe uma água no rosto, dê descarga para ouvir o som relaxante da água. Não demore mais do que dois minutos, mas será o tempo suficiente para sair do “ambiente” de pressão, dar uma aliviada e voltar para a prova... Mas se não puder, não há problema. Feche os olhos, faça alguns movimentos para relaxar, pouse a cabeça na carteira para relaxar os músculos do pescoço, e passado um minuto... Volte á prova! Para o sucesso.

Aliás,... È isso que lhe desejo. Sucesso!

Rui Rodrigues

PS - Sou engenheiro, e passei num vestibular em que foram necessárias três chamadas a prova para completar as 425 vagas disponíveis. Passei na primeira leva. Meus filhos passaram por isso. Pode confiar nas dicas acima... 

quarta-feira, 24 de outubro de 2012

O naufrágio do “Santa Maria da Rosa”



O naufrágio do “Santa Maria da Rosa”


Esclarecimento

Não há criança que não se fascine com um modelo de uma nau ou caravela, daquelas que a partir de 1432 começaram a navegar ao longo da costa africana, cada vez mais para sul. São velas, cordames, mastros, roldanas, madeira, que levavam a aventura para mares que jamais se tinham navegado. Muitas naus e caravelas foram construídas das quais não se lembram os nomes, e são as que sofreram naufrágio as mais conhecidas porque deixaram “saudades”. As saudades é que escrevem livros. Neste texto, conta-se a história da “Santa Maria da Rosa”, uma fragata, vulgarmente conhecida como Santa Rosa construída em 1715, naufragada em 6 de setembro de 1726. Os dados foram pesquisados conforme links e a ambientação e hipóteses aqui aventadas levam as "pinceladas" deste autor.

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Pelo ano de 1715

No ano de 1715 apareceu o primeiro jornal oficial português, o “Gazeta de Lisboa”.

Tal como hoje, publicava notícias, anúncios mas nada de política porque reinava D. João V, 24º rei de Portugal, sem oposição. Em destaque o acompanhamento da construção naval para garantir a navegação das frotas mercantes portuguesas em mares infestados de piratas, e garantir o território e as colônias. Nessa época, Inglaterra e França disputavam os mares e dividiam o mundo entre si. Havia que ter cuidado não só com as nações, como com a pirataria cujo período áureo se iniciara em 1690 e se estenderia até 1730. Nesse período havia entre 1.000 e 2.000 piratas em sua maioria britânicos, infestando os mares. Mais de 2.400 naus e caravelas foram atacadas e capturadas. Ao pirata Bartholomew Roberts se atribuem 400 dessas baixas.

Atuavam principalmente no Atlântico sul em demanda dos galeões espanhóis que vinham de Cartagena de Índias na atual Colômbia, e dos portugueses do Brasil. Holandeses também atacavam as naus e comboios portugueses. O comandante de uma delas, a “Nossa Senhora do Rosário”, em 1648 vendo-se perdido em combate com a nau “Utrecht”, holandesa, esperou que os holandeses iniciassem a abordagem para por fogo no paiol. As duas naus foram para o fundo. Dos 700 homens a bordo da “N.S. Rosário”, sete foram recolhidos no dia seguinte. Não se esperava igual sorte para a fragata S.M. da Rosa que, na Ribeira das Naus em Lisboa, estava acabando de ser construída. Era um portento dos mares com seus 56 metros de comprimento, 1.100 toneladas, três mastros, armada com 70 canhões. Mas voltemos no tempo e vamos até a Ribeira das Naus...


A Ribeira das Naus e a partida da Nossa Senhora da Rosa





A Ribeira das Naus não é uma Ribeira. É um cais à beira do rio Tejo onde se construíam galeões e caravelas que percorriam os mares. O que nos chama a atenção é a imponência da fragata: Um portento dos mares com seus 56 metros de comprimento, 1.100 toneladas, três mastros, armada com 70 canhões, elevando-se, já com as velas enroladas, sobre o nível do cais. Depois eram os cheiros do cais. Suores curtidos de semanas e meses sem banho, misturados a cravo e canela que chegavam do Brasil, sacas de café, azeites, limões e laranjas para evitar o escorbuto, sardinhas salgadas em barricas, charque, vinhos e aguardentes que vazavam de um ou outro barril mal manuseado, a vozearia dos mestres e capatazes apressados, as imprecações, o cadenciado marchar dos destacamentos de fuzileiros experientes que chegavam com jovens arrebanhados á força, nas ruas de Lisboa, arrancados de suas famílias, para servir na marinha. Muitos pais somente saberiam que tinham sido engajados depois que a nau partisse. Muitos pais os empurravam para as ruas, nessa época, para que fossem escolhidos e pudessem ter uma vida digna. O balir de cabras e ovelhas embarcadas para garantir o leite dos oficiais, cheiro de bacalhau, de couro das fardas, o chiar de vergas com o vento, o trote de mulas e burros de carga. E a vozearia marcando o ritmo da pressa.
O mesmo cais a veria partir para a batalha do Cabo de Matapã (atualmente cabo Tenaro na Grécia)  em Abril de 1717. Ela fez parte da frota portuguesa de sete embarcações enviada pelo rei D. João V para, em conjunto com Malta, Veneza e outros estados, defender os interesses da Igreja católica contra os turcos que a ameaçavam. Veria ainda esta nau chegar e partir muitas vezes, agora protegendo os comboios anuais que iam para o Brasil com carregamentos da metrópole e voltavam carregados de couros, açúcar vendido a peso de ouro, fumo, ouro em pó, ouro em lingotes e pedras preciosas. Um bom carregamento poderia dar como paga a cada marinheiro, o equivalente a 36 anos de trabalho. A comida a bordo era sempre racionada e não raro os oficiais vendiam aos tripulantes, em mercado negro, a preciosa comida que lhes rendia um faturamento extra. Quem não podia ou pensava em economizar, caçava ratos e baratas na imundície que eram as naus daquela época, com água racionada usada apenas para cozinhar e beber. Poderiam levar mais água, mas havia que dar espaço para carga. A vida dos tripulantes era grátis. A carga, não.     

Sempre que partia, uma multidão no cais entre lágrimas, soluços, acenava com seus lenços brancos como numa última despedida recheada de esperança numa volta proveitosa. Viram as velas diminuir lentamente, na medida em que a nau se afastava levada pelo vento, rumo ao estuário do Tejo demandando o alto mar. Mas conheciam os números. Dos que partiam, em média só pouco mais da metade voltava. Em 1726, só três voltaram da Santa Maria da Rosa. A fragata, essa não. Levava a bordo além da tripulação de marinheiros, uma força de fuzileiros para defesa e ataque no abalroamento por nau inimiga ou para abalroá-la.

A volta - Partida do cais do Rio de Janeiro – Praça Mauá.

No dia 20 de março de 1726, o capitão Bartholomeu Freire comandando a NS Rosa, e a fragata NS da Nazaré partem para Salvador comboiando 18 naus mercantes numa viagem que duraria dois meses e quatro dias. Ficaram em Salvador mais dois meses e meio em operações de carga e descarga, e nesse ínterim, outras 37 embarcações se foram juntando à frota aguardando a partida na segurança das duas naus de guerra.  No dia 24 de Agosto de 1726 a frota partiu carregando cerca de 27 mil rolos de tabaco, 13 caixas de açúcar, 20 mil couros, milhares de cocos e um grande número de arcas e baús de jacarandá. Nestes baús e arcas, cerca de 10 toneladas de moedas de ouro, além de ouro em pó e barras alem de diamantes e pedras semipreciosas, divididas entre as duas embarcações de guerra, cabendo à Santa Rosa 6,5 toneladas que faziam parte do quinto da Coroa Portuguesa. As moedas de ouro, de 22 quilates, eram cunhadas no Brasil e marcadas com “M” se cunhadas em Minas Gerais, “R” no Rio de Janeiro, “B” na Bahia. No paiol da Santa Rosa, mais de 200 barris de pólvora para municiar os 70 canhões.

A tripulação dizia adeus ao Brasil, entre sorrisos e saudades das mulheres cheirosas que tomavam banho todos os dias, perfumadas, chiando tanto no falar como nas ruas do Chiado em Lisboa, que exatamente por isso tem este nome. Não veriam mulheres até chegarem a Lisboa, tantos meses depois. Por falta de mulheres, uns se divertiam com outros, afeminados, num regime espartano: Os comandantes sabiam disto, todos sabiam, mas quem fosse apanhado praticando o ato sofria punição.

O naufrágio


Logo no dia seguinte, 25 de agosto, a frota enfrentou uma forte tempestade em alto mar que durou alguns dias. Tão forte que o comboio se separa em duas partes. Uma, em torno da NS da Nazaré, que ruma a 6 léguas da costa tentando recuperar o rumo programado para a volta a Lisboa, e a outra acompanhando a NS da Rosa. No dia 6 de setembro, ao largo de Recife, depois das ave-marias, o que deve ter acontecido pouco depois das 18:00, na nau mercante “Vila Real”[1] que acompanhava a NS da Rosa, que carregara vinhos, azeite e peças de linho branco para o Brasil e agora carregava cocos, a tripulação estava em sua hora de descanso e recreio, recuperando-se do árduo trabalho a bordo e preparando-se para dormir nas incomodas redes amontoadas no convés e no tombadilho. Os grumetes, crianças entre os 7 e os 16 anos, aprendizes de marinheiro e que constituíam uma considerável parte da tripulação, dormia no convés. Foram os primeiros a ver uma grande explosão iluminando o anoitecer. O céu ficou iluminado. Podiam ver-se os rostos, as velas tingidas pelo alaranjado da explosão apesar da distância. Uma explosão dessas só poderia ser devida a pólvora, e a embarcação que carregava tamanha quantidade que provocasse uma explosão dessas somente poderia ser a NS da Rosa. Primeiro pensaram que se tratasse de ataque pirata e a ordem dos oficiais foi de reduzir o pano das velas e mandar a tripulação dos canhões para seus postos. Depois as ordens se alteraram porque não havia vela inimiga por perto. Com o mar ainda encapelado, rumaram para o local da explosão onde se viam os destroços. Chegando perto, botes foram lançados ao mar com dificuldade. Quando chegaram ao local, cerca de uma hora depois, já noite escura, não havia sinal da embarcação. Afundara quase que instantaneamente completamente desfeita. Corpos boiavam na água ondulando ao sabor.  Movimentos na água indicavam a presença de tubarões atraídos pelo sangue. Gritos chegaram de dois lugares. Sete homens agarravam-se aos escombros. Quatro estavam feridos. Recolhidos a bordo, contaram que houvera uma grande discussão entre o capitão Bartholomeu Freire de Araújo e o comandante dos fuzileiros. Nunca se soube ao certo sobre os motivos da discussão, nem quem desceu ao paiol para atear fogo à pólvora ou, por descuido, lançar chama ou faísca. Se foi discussão, e por causa dela alguém se suicidou assassinando todo o resto da tripulação, ou estava bêbado ou foi em desespero de causa, e pode entender-se se o desespero de causa estiver ligado aos lucros particulares ou á honra.

Dos sete sobreviventes somente três chegaram a Lisboa.

A “Gazeta de Lisboa” não publica o naufrágio

A partida e a rota das frotas mercantes eram sempre sigilosas. Com a França, a Inglaterra e a Holanda com piratas soltos no mar, enfraquecendo nações, minando-lhes os recursos, era conveniente o sigilo. Espiões eram mantidos nas principais cidades do Brasil, da Colômbia e do México para que os piratas pudessem ser avisados e isso tinha que ser feito com bastante antecedência. No caso da frota capitaneada pela NS da Rosa, havia um interesse maior: Ninguém poderia saber do naufrágio, porque o dinheiro e as riquezas que levava serviriam para o rei pagar os seus compromissos. Sem esse dinheiro teria que pedir emprestado a banqueiros e os juros subiriam astronomicamente. Era e é assim que ainda funciona o mercado. Outro motivo para o sigilo era a própria rota que, uma vez descoberta se tornaria vulnerável a futuro.

O valor total da carga em ouro, moedas, barras, pedras semipreciosas, está hoje avaliado em cerca de 2 bilhões de reais


A Gazeta de Lisboa só publicou o naufrágio no ano seguinte. Famílias das tropas e tripulantes angustiaram um longo e tenebroso ano. No Rio de Janeiro e Salvador, as namoradas esperaram em vão pela volta do NS da Rosa.

Rui Rodrigues


Leia mais em:

 





[1] Sem a relação das 55 embarcações que compunham a frota, adotei este nome fictício para dar uma visão da cena apreciada por alguém que estivesse fora da NS da Rosa. Talvez até existisse alguma embarcação com este nome.