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sábado, 31 de janeiro de 2015

IN NATURA



Minha opinião não importa a ninguém, estou ciente disso. Nem pretendo que importe. Sobrevivo sem apoios, palmas ou reconhecimentos. No entanto quero deixar evidente que acredito num Deus único que é diferente de todos de que se tem conhecimento, porque quando descobriram as religiões, nosso conhecimento era tão limitado que nem se sabia ainda que a Terra era redonda nem que girava em torno do Sol.

Hoje sabemos mais, qualquer deus é muito mais importante e maior do que se pensava antes de descobrirmos o Big-Bang como origem do Universo. Quando Einstein disse que Deus não jogava dados, imaginou um Deus sem adaptar o conceito de Deus à relatividade irrestrita.

Pois Deus. o único, em muito se parece com D'Us e talvez seja, mas diferente no poder, na força, nas suas "funções"... D'Us não tem funções. D'Us terá feito uma multitude de Universos segundo suas leis que os regem.

Nós somos pequenos e míseros pedaços de matéria pensante e ambulante, cheios de conceitos, preceitos e preconceitos, que esquecemos que vivemos num meio natural e que dele fazemos parte. Uma vez que destruímos essa natureza, ou que ela seja destruída, ou nos adaptamos ou perecemos sem nunca, jamais, termos percebido completamente o que é DEUS, D'Us....

Precisamos pensar e muito, talvez até re-pensar....

RR

Três famílias em três etapas.

Três famílias em três etapas.



A primeira família nem sabia onde estava, não se questionava. Apenas olhava a natureza, alimentava-se dela. Rabum, o pai, fazia parte do grupo de guerreiros, sua mulher, Altrid, colhia alimentos junto com outras mulheres que cozinhavam para toda a tribo. O filho, Zenfrid, de 12 anos, era já um homem feito e caçava com ele no mesmo grupo de caça. Quem conseguisse morrer deitado em seu leito de palha, não o fazia depois dos 40 anos. A vida era muito difícil e morria-se cedo, ora caindo de uma árvore, ora de febres ou comido por um animal selvagem, sentindo os dentes da fera na carne antes que a consciência de viver se apagasse, vendo o próprio sangue esvair-se pela terra. A tribo era de cerca de 60 indivíduos quase todos consangüíneos. Altrid não era. Fora capturada de uma outra tribo com que se haviam cruzado num território de caça. Houvera uma breve luta, e Rabum ficara com ela. Apesar de escrava, nascera entre Rabum e Altrid um amor profundo. Ajudavam-se no dia a dia. A única coisa que o incomodava era o chefe da tribo. Ele podia deitar-se com a mulher da tribo que escolhesse, e para o bem da comunidade, Rabum não questionava isso, fingia que não sabia. Um dia, se tivesse sorte, formaria o grupo que se separaria da tribo que só podia suportar pouco mais de 60 indivíduos. Quanto menos gente tivesse a tribo mais tempo podiam ficar no mesmo lugar explorando caça e coleta de frutos e folhas comestíveis, mas ficavam fracos em número para se defenderem. Com muita gente tinham que estar sempre abandonando seu território porque tudo nele se esgotava rapidamente. Ele, a mulher e o filho eram a parte boa, aquilo pelo qual valia a pena lutar. O restante da tribo cooperava entre si, mas cada um procurava ser mais protegido pelo chefe e pelo druida que os ameaçava com as forças da natureza. Dormiam juntos, cada um protegendo os outros. Zenfrid era um bom filho, a mulher estava sempre disposta a aliviar-lhe o peso dos dias ora com comida ora com seu corpo. Era costume o chefe determinar quais crianças viveriam depois de nascerem. Se a tribo precisasse de guerreiros, mandava abater as fêmeas. Se precisasse de fêmeas, escolhia apenas os machos mais fortes para sobreviver. Zenfrid estava na época de acasalar também e não havia fêmea disponível. Então, num dia de fim de Inverno, quando a neve já começava a derreter, os três se juntaram a um grupo de uns vinte e saíram para nunca mais voltarem. Levaram da tribo apenas uma bolsa de couro com brasas dentro cuidadosamente protegidas para servirem de semente para o fogo. A tribo ficou. Iam constituir uma nova sociedade, num mundo infinito, sem aparente fim, cheio de florestas, rios, montanhas, onde o chefe não fosse tão prepotente, mas cedo iriam aprender que se o socialismo entre eles era para dividir tudo, os dois chefes e seus ajudantes eram sempre menos socialistas, queriam sempre a melhor parte, a maior quantidade. Rabum sabia também que se não agisse assim em sua nova tribo, como chefe, perderia o lugar para outro que fosse mais forte, mais exigente, menos socialista no dividir, mais ambicioso e prepotente no tomar. Quando faleceu em seu leito de palha, sua mulher Altrid já falecera. Foi seu filho que lhe segurou a mão e lhe aliviou a dor da ultima partida, da ultima separação. Morreu sem definir o que prevalecera, se o prazer de viver ou as dificuldades, todas elas, porque passara. Mas se o Druida estivesse certo, depois resolveria se voltaria ou não, mas sem Altrid e sem Zenfrid, não valeria a pena.



A segunda família vivia numa casa decente na península ibérica numa aldeia com 500 habitantes, junto a um rio onde havia uma ponte construída pelos romanos alguns séculos atrás. Bastantes séculos. Moravam na casa e cultivavam umas terras que haviam herdado de seus ancestrais, geração a geração. Não havia mais terras para ocupar. Tinham que ser compradas. José colhia morangos, maçãs, batatas, couves, criava um porco, tinha algumas galinhas e coelhos. Na aldeia faziam-se trocas. Quem precisava de cebolas trocava por batatas, de comércio havia apenas dois armazéns, um mais dedicado a bebidas, azeite e produtos que não se cultivavam por ali, como arroz e farinha de pau [1], o outro com roupas, ferros a carvão ou elétricos, rádios sob encomenda, sapatos, velas, fósforos, lamparinas e muito milho que era produto da terra. José já não vivia com sua mulher, Isabel porque se haviam separado e dos dois filhos um, Afonso, herdaria as terras pequenas que mal davam para duas pessoas viverem do que plantassem, o outro, Geraldo, teria que emigrar. Um dia José que era também de desenhar, pediu empréstimos pela aldeia para comprar uma prancheta, canetas, tinta nanquim, mas ninguém quis emprestar. Não viam futuro e se emprestassem o dinheiro seria perdido, que era assim que pensavam, embora José fosse tido como bom homem, honrado e cumpridor de seus deveres. Então um dia, cansado, resolveu emigrar. Foi para o Brasil, deixou a velha mãe, e os dois filhos com uma irmã e uns trocados para viverem por mais uns três meses, dinheiro esse proveniente da venda das terras pequenas que tinha. No Brasil submeteu-se a um salário que só por si não daria para alimentar os dois filhos, mas dividiu o mesmo apartamento com mais seis entre emigrantes e brasileiros, economizou o que pode, e em quatro meses de trabalho já mandava uns trocados que davam para manter os filhos. Anos depois os chamou para o Brasil, depois de cumprir todas as leis do país, enviando-lhes “carta de chamada” logo que montou seu próprio escritório de desenho. Voltou a casar. Não conseguia ver seus filhos, porque eles estudavam. Quando chegava em casa, pouco tempo tinha para falar com eles, trocar impressões, falar de problemas e de coisas boas. Eles estudavam até altas horas da noite, obcecados em obter um diploma com mérito. Um se formou em engenharia e o outro em medicina. Ambos saíram de casa logo que se formaram, constituindo novas famílias. Chegou a conhecer dois netos que também via pouco. Quando faleceu só o filho médico lhe segurou a mão para lhe dar forças para partir aos 87 anos. O outro andava em projetos várias fronteiras além, muito longe. Amavam-se à distância. Desde sua formatura, pai e filho se viram umas quatro ou cinco vezes em cerca de trinta anos. Ao partir, José reviu toda a sua vida, cultivando sua macieira e vendo as primeiras flores quando ela era ainda uma haste pequena de cerca de metro de altura, seus contatos na aldeia para pedir empréstimos e as desculpas esfarrapadas que lhe deram, sua alegria quando lá voltou e mostrou que estava bem melhor que eles de finanças também honestas, sua vida inteira e assistindo à formatura dos filhos. Ele vencera na vida arriscando-a em seu futuro e de sua própria família. 



A terceira família vivia numa cidade do interior do Brasil. É uma cidade pequena de cerca de 50.000 habitantes. O pai, Carlos, trabalhava na construção civil. Aprendera a fazer concreto e massa triviais, daqueles sem responsabilidade de adequar a cálculos, porque as construções eram pequenas, no máximo de dois ou três pavimentos. O problema é que havia muita gente que sabia fazer o mesmo. Das poucas obras disponíveis conseguia apenas trabalhar em umas três durante o ano inteiro. Era pouco para dar uma boa educação à única filha que tinha, Elizabete. Sua mulher Sara ajudava na renda da casa fazendo peças de artesanato. Era uma boa mulher. Por ela já tinha dispensado muitas pretendentes que o que queriam, mas Carlos sempre sobrepesara as vantagens e as desvantagens. Não jogaria fora o ouro que tinha, por algo que desconhecia apesar de muito atraente, mas temia por sua pouca assistência ao lar, porque fazia muitas horas extras para sustentar a família. Elisabete, a filha, era inteligente e tinha excelentes notas. Certamente conseguiria passar no Vestibular, mas sairia para outra cidade e tinha que mantê-la numa república, pagar-lhe roupa, alimentação, livros e outras despesas que o Imposto de renda não considera. Quando a mulher lhe disse que estava amando “outra pessoa”, jamais imaginou que essa outra pessoa fosse uma mulher. No principio sentiu-se um “Zé mane”, até impotente, mas depois compreendeu que o amor se moderniza e se adapta às circunstâncias da moda da humanidade. A humanidade segue a moda assim como a fé segue religiões e desfiles de moda do mundo dos desfiles: Se disserem que a moda é cor de rosa, será, se disserem que é saia rodada, assim será também. Há sempre quem faça a moda, seja a moda de roupa, de perfumes, de sexo, de libertariedade ou de juros bancários. Mas o certo é que perdeu a mulher e a filha Elizabete continuou estudando, Carlos pagando as prestações de um programa do governo que garantia os estudos da filha que, depois de formada, continuaria pagando as prestações ao governo terceirizado sujeito aos juros do mercado. Sua filha provavelmente trabalharia quase a vida inteira para pagar o curso que fizera em apenas cinco anos de universidade. A filha, desde que entrara para a Universidade em Ouro Preto, se formou e nunca mais a viu, porque ela se mudou para os EUA por ter sido convidada por uma empresa americana. Soube por cartas e e-mails que amigos lhes liam, que sua filha casara, mas que a vida estava difícil por causa de uma crise econômica e estava até com dificuldades para pagar o apartamento que comprara junto com seu marido. Carlos se aposentara, entretanto, com dois salários mínimos que via encolherem com a inflação. Ainda pagava a conta do crediário da filha para estudar e que ela esquecera que era de sua responsabilidade. Quando Carlos sentiu que sua vista se escurecia e tombou inerte no chão, seus olhos contemplando o infinito, ainda demorou uns dez minutos para deixar de ver por completo. Pensou na vida que levara, o que valera a pena e o que não valera. Imaginou sua filha no apartamento que tinha dificuldades para pagar, e pensou na sua dificuldade de pagar-lhe os estudos como se ambos fossem escravos de uma vida livre, social e democraticamente social e antes de se apagar por completo, sentiu a falta de uma mão.

® Rui Rodrigues   



[1] Farinha de mandioca.

sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Á imagem de Deus !

Pode ser duro, mas purifica o entendimento!


Disseram-nos uma vez: Sois feitos à imagem de Deus!... Eu também acreditei!... Eu também acreditei!... E toda a humanidade se ufanou de ser semelhante a Deus, mesmo que haja muitos deuses, cada um diferente do outro. O ego anda lá nas alturas....
E dizem uns que o seu é único e todos dizem que seu Deus é o único e o melhor...Mas tenho minhas suspeitas que ou esses deuses não foram bem compreendidos, ou então não somos nem parecidos com nenhum deles...
Deus não pode ser tão ruim, nem tão estupido, nem tão falta de inteligência, nem tão defeituoso como somos.
Perguntem ao pessoal do PT à semelhança de quem foram feitos... perguntem ao pessoal do ISIS, do Boko-Haram, dos corruptos deste governo, aos que vão ao supermercado para beliscarem tudo o que podem, aos que roubam no peso, aos que roubam nos preços, aos que roubam o que podem, aos que matam pelas ruas,.aos que tomam o óbolo da viúva, aos que se aposentaram ganhando mais do que deveriam receber, aos que foram comprados pelo mensalão, aos que arrebentaram e ainda estão arrebentando os cofres da Petrobrás, da Caixa, do BNDES, aos que deixam entrar armas em presídios, aos que desviam merenda escolar, aos que se atam explosivos no corpo e matam inocentes, aos das ONGS que recebem e não fazem nada....
Pergunte-se a si mesmo!

® Rui Rodrigues 

quinta-feira, 29 de janeiro de 2015

Uma volta ao mundo em janeiro de 2015


Entre o terror e o hilário, o que vai pelo mundo ? 



1- Lá na Coreia do Norte, o menino gordo indisciplinado que é Rei vitalício do unico país comunista do mundo e já matou boa parte da família. Aliás. matou exatamente a unica boa parte da família e está reativando reatores nucleares para fazer mais bombas atômicas. Classificação: ASSUNTO SÉRIO




2- Lá na Russia o Putin que quer voltar a ter a posse dos territórios que abandonaram a ex-URSS, mas sem comunismo. A vítima da vez é a Ucrânia e da Xexênia foi feita salada-russa com muita beterraba a modo de dar-lhe um toque sanguinário. Putin tem acordos com Cuba e Síria onde tem portos disponíveis. Classificação: ASSUNTO SÉRIO.



3- O Boko Haram, o ISIS, e uma porção de muçulmanos e mercenários divididos em outros grupos que exercem o terrorismo com um prazer que, se não for, beira a demência. Matam e esfolam. Dizem eles que Maomé e Alah ficarão muito satisfeitos com mortes de inocentes a sangue frio, desarmados, e sem terem feito nada contra ninguém. Classificação: ASSUNTO MUITO SÉRIO



4 - Por aqui na América meio central meio do Sul, juntou-se um advogado falido metido a general, uma viúva que aprendeu politica por osmose com o marido, um motorista de caminhão, um cocaleiro e uma terrorista com sérios sintomas de arritmia cerebral. Pretendem fazer renascer o comunismo nem que para isso tenham que acabar com toda a riqueza da nação, e ficar todo mundo pobre dividindo restos de lixão reservando porém para eles e seus associados os restos da riqueza vandalizada. Estes estão indo muito bem, dada a passividade da população que fica em casa vendo TV, na NET, ou assistindo futebol, BBB, carnaval, baile funck e shows da Prefeitura. Não são comunistas em absoluto. Parecem mais com ditadores especializados em apropriação ilícita legalizada em constituições que alteraram: Classificação: ASSUNTO HILARIANTEMENTE MUITO GRAVE.


Evidentemente que o grupo mais perigoso e que faz mais estragos na população é o grupo 4, porque morre muita gente por falta de segurança, de saúde pública, de educação, etc. porque nada já funciona. A população é eliminada sem tiros, salvo os provocados por meliantes de rua e gentes do tráfico. Nos demais grupos: A Coreia do Norte pode arrebentar com a Coreia do Sul só com uma bomba e com a outra o Japão, porque o presidente deles é completamente doido: Não menos doido é o Putin que tem um arsenal de bombas atômicas e pode atacar simultaneamente uns 500 países, se houvesse tantos; O de maior impacto emocional é o grupo 3 porque são muito covardes, sanguinários e vestem-se de preto em pleno calor africano, o que demonstra que não têm o minimo conhecimento cientifico sobre Energia Térmica. O branco seria mais indicado para ficarem mais frescos.


Assim estamos neste mundo com o aquecimento global esturricando os miolos de gente com propensão para a demência, e a Marina Silva, que depois da morte do Eduardo Campos ficou caladinha da Silva, boca hermeticamente fechada, provavelmente com síndrome de pânico recém adquirida e medo de cair de algum avião porque ela conhece muito bem o partido da ex-terrorista ao qual pertenceu...

® Rui Rodrigues

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

O Rio Norte-Sul

O Rio Norte-Sul



Rios que deságuam no mar sempre acabam em Estuários ou deltas Poucos se despenham em cascata ou são subterrâneos e brotam no meio do mar sem conhecerem as praias.
Correm sempre presos a regras que não podem modificar: Gastam mais tempo em meandros, mas percorrem mais espaço; vão rápido em linha quase reta, e gastam menos tempo; quase que param em grandes planícies; as águas nunca voltam para trás. Rios são determinados e determinantes.

A humanidade não aprecia nada as coisas que são determinadas nem as determinantes, que assim como os rios, seguem seu curso sem escutar os ruídos das margens. Que importam aos rios os barulhos e gritarias das margens? Mas todos deveriam ter uma ponte para se parar e escutar tudo. Há quem entupa tanto os rios e lhes acabem com as margens, que eles secam, param de serem rios, e passam a ser leitos tão secos que  nem peixes podem parir.

Deveria haver um rio - com muita ou com pouca história - que passasse por Brasilia, nascendo no Oiapoque e desaguando no Chuí, com uma bela e grande ponte na qual se pudesse parar, ouvir, meditar... Mas parece ser muito tarde agora! Não só estaria quase seco, como poluído, sem energia...


® Rui Rodrigues 

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Poderíamos ter um Brasil melhor em 4 anos ?




Depois que me formei em engenharia civil, tive que usar tudo o que tinha aprendido nos bancos de escola e mais, principalmente Direito Internacional e comercial. 


Assim, além de dois edifícios que calculei para a companhia de Resseguros do Brasil, já fiz fiz Controle de Custos, Planejamento de Obras incluindo elaboração de Pert-CPM. Já fui Gerente de Obras, Gerente de Construção, Gerente de Contratos, Consultor, Gerente de Filiais de Companhias. Uma delas me deu uma procuração para comprar, vender, e a conta no Banco estava em meu nome. Tenho cartas de clientes parabenizando por entregas no prazo, pela boa consecução de projetos. 


Em todas estas situações, exceto no cálculo dos dois edifícios, tinha que "fazer acontecer". Como? Como milagres não são grátis nem se sabe onde se vendem, tinha que pensar... Pedir ajuda quando necessário, consultar sempre os envolvidos, o garoto da limpeza se fosse preciso... 


Tenho orgulho de minha carreira, mas este texto não se destina a dizer "vejam como sou competente"... Não!... Destina-se a tentar mostrar que não se deve perder tempo com o que não interessa por ser particularidade factual muitas vezes decorrente de um principio que é preciso corrigir. Ir direto ao ponto! Ser estrito nas análises, identificar os problemas e resolvê-los!


Em termos de política, o que vejo na NET são enxurradas de denúncias, quase todas atingindo comprovadamente elementos do mesmo partido e de sua base aliada, mas não vejo nenhuma solução viável para acabar com esse problema, o que faz com que hoje, já possa prever o dia de amanhã: Mais corrupção! Mais dinheiro que neste instante está sendo desviado, e de cujo fato todos se isentam, como se fosse algo aceitável, porque é assim, sempre foi e será!


Quando não se pode obter uma solução numa intervenção apenas, costumamos dividi-la em etapas, que devem culminar na solução desejada. Algumas etapas começam antes, outras no meio e algumas quase no final,.de modo que o tempo gasto não é a soma dos tempos de cada etapa. É muito menor!


Poderíamos programar um Brasil melhor para daqui a quase quatro anos? 


RR

domingo, 25 de janeiro de 2015

E Deus descansou no Sábado...Ou foi na terça-feira?

E Deus descansou no Sábado...Ou foi na terça-feira? 



Sinceramente, não sei se Deus começou a construir este imenso universo numa segunda feira ou se foi num domingo em que despreocupadamente passeava na escuridão do nada, isto é, na escuridão do falso vácuo... Nem sei se ficou cansado depois e descansou ao fim de seis ou sete dias. Acredito até que não "fez" nem faz nada atualmente. Acho que não faz absolutamente nada por aqui, porque o que teria feito foi provavelmente pegar um grãozinho de poeira que ele mesmo teria feito, e dizer-lhe:
- As leis são estas, agora cresce e multiplica-te e faz crescer e multiplicar-se tudo em tudo o que cresceres....(E o universo, isto é, uma infinidade de universos se fizeram, porque o falso vácuo tinha sido rompido em seu equilíbrio, e fez-se o Caos ordenado segundo as Suas Leis)

Tiro assim sábados e domingos, ou outro dia qualquer da semana. para me dedicar ao pensamento sobre a obra de Deus, feita talvez por acaso neste, mas não em todos os universos. Pelo menos no primeiro, que existe desde a eternidade lá para "trás" do começo dos tempos, do peteleco divino...
Mas eis o produto do que temos feito com este planeta em que vivemos (assista os vídeos- são curtos!)...
Aliás, não fizemos nada de mal, a não ser não nos termos preparado para sobreviver... A ciência precisa correr para nos salvar... Quem estiver preparado poderá sobreviver. Quem não estiver, perecerá orando a Deus....Mas todos poderão orar assim como oraram no grande Dilúvio, embora fosse tarde demais!
Mas fica-me a impressão que alguém viu Noé construir uma arca e construíram uma outra igual que foi parar não se sabe onde. Nem uma nem outra.

® Rui Rodrigues
https://www.youtube.com/watch?v=_FEDasXNjpQ     (- Parte 1/2)
https://www.youtube.com/watch?v=ZkSJ9RxI0ZE     (parte 2/2)

sábado, 24 de janeiro de 2015

Se me fosse dado escrever sobre a História do Brasil...

Se me fosse dado escrever sobre a História do Brasil...

...Descreveria este período que vem desde 2002 como " Medievalização da República Nacional" . Pode parecer um contrassenso falar em medieval junto com república, mas verão no inverno que não é... Por enquanto ainda faz muito calor por aqui. Os trovadores continuam cantando "canções de amigo", os grandes "torneios" vão se iniciar nas grandes "arenas", os "arautos" passam desenrolando longos "pergaminhos" anunciando novos impostos, e já se prepara a sucessão ao Reino que deverá ser da mesma família e talvez até de mesmo sangue real. Pelo menos a corte que se reúne amiúde em S.Paulo, onde se criou um Foral para a Comuna, assim delibera.
Correm vozes no Reino de grande seca e menores fartanças populares, de forma tal que tudo fechará por falta de tudo, provocando manifestações populares onde se diz que o Rei está nu, que a Rainha é louca. As embaixadas no exterior já não têm moedas sonantes para pagar suas despesas e alguns estão sendo chamados de volta ao Reino, porque a Rainha não quer falar com ninguém, fechando-se em Copas.
Passou há tempos pelo Reino um santo homem que preveniu para o Apocalipse Eminente, mas por mais que tenha sido cristianizado, o povo não entende este protestantismo contra o Rei e a Rainha, embora o Meirinho tenha esclarecido que o povo quer mudanças no comportamento da Corte e que teme a volta do patíbulo com carrascos e corpos balançando nas traves, porque até as hortas já estão ficando sem água.
É voz corrente que em casa de ferreiro o espeto é de pau, mas muitos da plebe já se perguntam: E em casa de torneiro, e de dama de casa de que será?
RR

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Piratas também amam: Mary Read.

Piratas também amam: Mary Read.

Se gosta de histórias de piratas, pegue seu chá, seu cafezinho, seu pacote de biscoitos, sua cerveja água ou uísque, e sente-se confortavelmente, por que a história não é curta, sem ser longa. Vamos começar sem o famoso “Era uma vez...” Saiba, porém, que naquela época quem tomava banho três vezes ao ano era cheiroso(a), os perfumes eram raros e caros, morria-se de doenças desconhecidas, roupas grossas escuras e quentes serviam para diminuir a fedentina corporal. Em dia que a história não conta, homens cortaram as calças pelo joelho para diminuir o calor, criando as primeiras bermudas e mulheres jogaram fora certas partes de seu vestuário. Anne Bonny e Mary Read usavam calças

  1. Mary Read
Mary Read desde cedo usava roupas de menino. Não por opção sexual. Nascera na Inglaterra filha ilegítima da viúva de James Kid, um capitão do mar, e sua mãe não quis perder a pensão da sogra, que só era dada a filhos homens. Ela tinha um irmão mais velho, mas este morreu e ela herdou a pensão. Aos 13 anos foi admitida como pajem de uma senhora francesa muito rica, mas não agüentou o trabalho. Fugiu ou foi apanhada pelos recrutadores que palmilhavam as ruas em busca de jovens em idade de embarcar ou combater, porque era assim que se fazia recrutamento, e embarcou num navio de guerra. Combateu na Flandres na infantaria com grande ferocidade. Alistou-se mais tarde na cavalaria e se apaixonou por um soldado pouco tempo depois de confessar que era uma mulher. Casaram-se e compraram uma taverna na Holanda. A “The Three Horseshoes” – As três ferraduras próximo ao castelo de Breda. Quando o marido morreu, logo depois, Mary Read voltou a vestir-se como homem, tentou engajar-se no exército, mas não deu certo e embarcou para as Índias Ocidentais como marinheiro. Durante a viagem seu navio foi atacado pelo capitão Jack Rackham e feita prisioneira.  

  1. Anne Bonny
A família de Anne Bonny mudou-se para o novo mundo com a família. O pai era advogado. Casou-se com um marinheiro pobre de nome James Bonny. Marinheiros pobres eram os comuns, da Marinha de Guerra, ou da mercante. Só enriqueciam marinheiros de descobertas e piratas, mas pouco havia já para descobrir por aquela época. Diz-se que o marido de Anne não era muito valentão e era dos valentões que Anne gostava. Homens para ela tinham que ser destemidos, valentes, aventureiros, estarem sempre ávidos para manter relações sexuais, coisa que só acontecia com maridos durante os primeiros anos de casamento. E com as esposas, também. Além de descobrir novos mundos, Anne queria descobrir novos homens e se possível ficar rica, mesmo que lhe custasse a vida. Qualidade e quantidade era o que queria, queria o mundo. Largou o marido e foi procurar seus objetos de desejo, suas aventuras, em Nassau [1] nas Antilhas Holandesas. Apaixonou-se por “Calico Jack” Rackham, capitão de um navio pirata. Anne Bonny deveria ser uma mulher muito interessante sob todo e qualquer aspecto, sempre pronta, disponível, conhecedora dos desejos dos homens sem, contudo, agir de forma a lhe faltarem com o respeito. Ela sabia defender-se com pistola e espada como qualquer marinheiro belicoso e usava calças.


  1. Na prisão
Agora Mary Read estava grávida e febril. A seu lado na cela escura e fedorenta, coberta com palha, estava Anne Bonny, sua companheira, também grávida. As duas haviam sido capturadas pela esquadra britânica enquanto praticavam a pirataria nos mares do Caribe a bordo do navio pirata da esquadra de “Calico Jack” Rackham. Estavam condenadas à morte na Jamaica. Rackham, o terrível, era casado com Anne Bonny. Mary Read com Bartholomew Roberts que se transformara num valente e temido pirata a serviço de Rackham. A lei inglesa nunca falhava com prisioneiros, assim que tinham a morte como certa. Seria uma questão de poucos meses. A corte as condenara mas a sentença só seria executada após o nascimento das crianças. Uma semana depois de dar à luz uma criança que morreria poucos dias depois, Mary Read faleceu. A criança de Anne Bonny morreu também, mas o pai, rico, pagou-lhe a fiança e ela voltou para o marido que abandonara. Não deixa de ser interessante que Anne Bonny voltasse para o marido e que este a recebesse, mas não podemos esquecer que o pai de Anne era rico. Há quem diga que não se juntou ao marido, mas que foi viver com o pai. Faleceu em 1782.

  1. Certas coisas essenciais antes de prosseguirmos.

Histórias de piratas são sempre muito interessantes por que causam medo, temor, sem ser um medo ou temor real: Piratas já não existem e todo mundo sabe disso. No entanto, no apogeu dos navios exclusivamente à vela, eles foram terríveis, cruéis, a maioria não fazia prisioneiros nem poderia fazer: Não haveria mantimentos para todos, raramente tinham tripulação adicional para fazer navegar os navios apresados, e muitas vezes estes eram muito pesados, lentos. Piratas sempre tinham pressa. Normalmente afundavam os navios que conquistavam em batalhas sangrentas.

Algo que é necessário saber-se, é que a Inglaterra começava a tornar-se a Rainha dos Mares. Não querendo entrar em conflito com seus amigos e aliados europeus, a realeza inglesa permitiu e incentivou a pirataria que lhe dava grandes lucros. Visando lucros, sempre lucros, criou o sistema de fiança: Alguns crimes poderiam ser relevados em troca de bom e gordo pagamento. Mas pirata que não desse os lucros que deveria dar, ou prejudicasse pessoas erradas, tinha a cabeça posta a prêmio sem direito a fiança. Teremos mudado muito de lá para cá? Bem... Estamos falando de um período que vai desde 1645 a 1782.   

  1. O mar
O mar atraía e assustava. Atraía porque significava conhecer novas terras, olhares amplos e infinitos entre muitos tons de azul – do céu e do mar até verdes - aventuras, mudança! O mundo sempre quis mudanças nem que fosse de ares. E medo! Medo de fogos a bordo, de tempestades, de marasmos, de sede, de escorbuto. Principalmente de piratas. Só mulher bonita se salvava de um ataque pirata e mesmo assim não eram todas. Por vezes os piratas tinham que escolher. Os mares estavam coalhados de navios piratas e de navios de guerra que vasculhavam os mares em proteção a embarcações comerciais que transportavam ouro, especiarias, pérolas, sedas, açúcar, rum... E escravos! Por esta época, a Inglaterra era uma das principais potências no trafico de escravos, que só desistiu desse comércio por causa da revolução industrial.

  1. Os piratas que navegavam pelos mares.

Por essa época andavam nos mares os piratas mais famosos e terríveis de todos os tempos como William Kidd, Edward Teach, Bartholomew Roberts, Sir Henry Morgan, Bartolomeu Português, Jack Rackham, Anne Bonny, Mary Read e alguns outros sem muita expressão, entenda-se “sem expressão” sem causar tanto medo. Sem medo não pode haver aventura, sem aventura não se sai do lugar.

William Kidd era um elegante escocês que nascera em 1645 e fora feito comandante por sua tripulação exatamente quando perseguia piratas a serviço da Marinha. Fora líder como cidadão de bem em N. York, e após ter apresado uma embarcação da East Índia Company, seu maior feito, enterrou o tesouro na ilha de Gardiner. Apanhado em Boston foi para a Inglaterra e condenado à forca. Por duas vezes se livrou porque as cordas se romperam, coisa inadmissível para os serviços de sua majestade britânica, mas acabou sendo morto e seu corpo exposto, amarrado com correntes à beira do Tamisa em 1701.


Edward Teach era o famoso “barba negra”, talvez o mais famoso de todos. Inglês, nascido em 1680, tinha quatro embarcações e cerca de 300 marujos de primeira. Atacou e venceu o famoso HMS Scarborough e capturou mais de 40 navios mercantes, passou na espada muitos prisioneiros reféns. Tinha uma namorada de 16 anos, que queria dizer-lhe como agir e fazer. Embora mulherengo, deu a menina para entretenimento da tripulação e não há notícias dela. Numa batalha com a Marinha real, O Barba Negra foi decapitado e sua cabeça pendurada no rio Hampton como exemplo em 1718. Mas que exemplo, se a Rainha incentivava a pirataria? Nada diferente dos dias de hoje...

Bartholomew Roberts “Black Bart” nasceu na Inglaterra em 1682, e ainda pequeno sofreu ataque de piratas. Em vez de se inibir, foi eleito por sua tripulação e se transformou talvez no mais bem sucedido de todos os piratas, se é que se pode chamar a isso de sucesso: Capturou mais de 400 navios, uma façanha. Era admirado por sua tripulação que lhe chamava de “à Prova de Pistola”. Foi morto por um capitão também britânico, Chaloner Ogler, durante uma batalha naval em 1722. Talvez seja o mais admirado dos piratas.  


Anne Bonny era irlandesa e nasceu em 1700, cerca de 12 anos após a morte de Henry Morgan, que de tão bons feitos para a coroa britânica [2], foi agraciado com o “Sir” de cavaleiro, mas durante muitos anos ainda seria um exemplo para todos de um pirata bem sucedido. Morreu confortavelmente na Jamaica, porque viver na Inglaterra que antes da condecoração o condenara, era-lhe demasiado penoso por se sentir isolado e descriminado. Por outro lado, e sob o ponto de vista da corte britânica, que piratas se atreveriam a invadir a Jamaica com Morgan por lá? Anne Bonny conseguiu arranjar uma amiga em meio a tantos navios e ilhas cheios de piratas truculentos, sanguinários, interesseiros, dominadores. Esta é uma das histórias sobre ela: É como a imaginei dentro do contexto da época. A partir deste ponto, muito é verdade, um pouco é lenda, uma pitada é de imaginação.  

  1. O encontro.
Quando o navio onde Mary Read viajava a caminho das Índias Ocidentais foi  atacado pelo de Calico Jack, nem toda a tripulação foi dizimada. Mary foi escolhida para continuar a bordo como parte da tripulação de Rackham, o Calico Jack, que tinha Anne Bonny como companheira. Ambas sentiram uma atração mútua, e ficaram amigas. Talvez mais que uma simples e inocente atração, porque tudo a bordo era muito estranho, fora dos padrões da época. As duas vestiam calças, lutavam como homens. Bartholomew que se apaixonaria de forma mútua ou conveniente por Mary, gostava de se vestir com um casaco vermelho com estamparia de flores douradas e era religioso, usando um crucifico enorme pendurado do peito, coberto de diamantes [3]. Bartholomew Roberts, aliás, mantinha regras de bons tratos a mulheres a bordo, proibia o consumo excessivo de álcool e fazia rezar missa regularmente aos domingos. A impressão que se tem é que o terrível era o Rackham, realmente, e o passivo era Roberts [4]. Nada de admirar portanto que houvesse a bordo todo o tipo de relação sexual entre os quatro, ficando até difícil dizer-se de quem eram os filhos de Mary e de Anne. Talvez de Rackham mais certamente ou do Roberts de casaca vermelha com estampas de flores douradas que rezava missa e desejava boa conduta a bordo. Não tomava rum como todo mundo. Tomava chá. Entre as duas, a julgar pela atração do primeiro encontro até que Mary revelasse que estava vestida de homem mas que era mulher, não se poderia descartar a hipótese de uma relação muito mais afetiva entre as duas. Mas não nos iludamos com Bartholomew Roberts. Ele e Mary atacaram as costas brasileiras, as de África, da América do Norte, enforcou o governador da Martinica Francesa, e impôs pesadas perdas à frotas mercantes de companhias britânicas. Afirmar alguma coisa sobre estes e estas piratas é temeridade. Podem ressurgir numa noite de nevoeiro e fazer-nos engolir as nossas más línguas.  



® Rui Rodrigues





[1] Nassau foi fundada por Maurício de Nassau, de certa forma um pirata que andou invadindo Pernambuco no nordeste do Brasil. 


[2] Invadiu a rica cidade do Panamá saqueando-a para a coroa britânica, com 1.200 homens.
[3] No filme os Piratas do Caribe, o capitão Sparrow sugere tratar-se de Bartholomew
[4] Assim como Batman e Robin.

quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A vida continua, sempre, na nova cidade.

A vida continua, sempre, na nova cidade.

Não vou dizer o nome, mas ela fica bem perto daqui. Chamo de cidade porque é uma grande comunidade com cerca de 35 mil habitantes. Conheço-a há uns doze anos, de passar a caminho da loja de conserto de bombas hidráulicas, de um ou outro artefato para o uso diário, recarregar um celular ou fazer compras de emergência nos dois supermercados.

Ontem faltou água e energia elétrica aqui no bairro à beira mar, e de tão comum, já sei o que fazer nessas largas horas: Saio de casa e vou até essa cidade para passar o tempo, comprar alguma coisa que precise em casa. Ir sem as pressas habituais nos alivia o caminhar, temos mais tempo para apreciar o que passa ao alcance de nossos olhos. Como a menina simples, simpática, que nos dá um leve sorriso sem comprometimento apenas porque somos idosos e lhe somos simpáticos. Mexia em sua bolsa enquanto caminhava de sandálias havaianas, duas argolas de pano em volta dos tornozelos. Passou sem som, assim como quando apreciamos a paisagem e não escutamos nada do que se passa em volta, e depois ela sumiu no meio de outras pessoas que passavam perto do Supermercado. Antes de entrar, vi na porta do mesmo bar os três fregueses habituais sentados, a perna cruzada, um copo e uma garrafa de cerveja, os olhos apreciando também a paisagem, só que, para eles, era sempre a mesma. Quando muito vieram de longe num ônibus, assentaram praça na cidade, viajam até Cabo Frio de vez em quando, e desde então ali ficaram até hoje. Devem saber da vida de todo mundo, coisas que não dizem, histórias que não contam. Talvez nem lembrem do que viram a cada dia que chegam em casa. Do que vivem ninguém pergunta. Nem eu! Nunca tinha falado com eles. Pedi que cuidassem de minha mochila que guardava uma cadeira na calçada, enquanto entrei para pedir também uma cerveja em lata. O dia estava quente.


Uma criança de seus 13 anos passou com outra de cerca de nove meses no colo e entraram no Bar. Eram mãe e filha. Não sei o que foram comprar, nem me perguntei naquela hora, mas fiquei pensando como se interrompem fases de nossas vidas que deveriam ter uma continuidade natural de paz e tranqüilidade sem muitas dificuldades para viver decentemente. As dificuldades deveriam ser apenas dos que querem ficar descomunalmente poderosos, ou roubar e matar os outros, mas jamais para quem não tem grandes “aspirações”. A menina perdeu parte de sua adolescência, ficou mulher muito jovem, dirá em poucos anos que era muito jovem, não sabia o que fazia e que seu marido não a entende (nem ela ao marido). A criança crescerá num meio em que ouvirá todos os dias que “os homens são todos iguais”, porque a cada novo companheiro da mãe, surgem novos desentendimentos. Não é diferente quando pais ficam com a guarda dos filhos. Sei disso porque o meu ficou.


Esperança é também desilusão, quase sempre. Lojas que vendiam certos produtos vendem agora outros e já venderam outros mais. É raro o comerciante que mantém o seu negócio por muito tempo: Os hábitos e as necessidades mudam a cada ano e é preciso ter a percepção do que a cidade precisa ou precisará a cada ano. Das lojas de material de construção sobraram apenas três, mas de dono, duas já mudaram, e anúncios de “passa-se este ponto”, ou “vende-se esta loja” são bastantes Também são muitos os comerciantes de ocasião, iniciantes, que tendo algum dinheiro resolvem aplicar  num tipo de negócio de sucesso numa loja do bairro pensando que dividirão os clientes, mas quem já chegou há mais tempo e conhece do ramo, leva vantagem e a nova loja fecha. Quem passa de ocasião pela cidade vê uma efervescência que não é “real”, ou melhor, que muda a cada dia em detalhes tão pequenos, que voltando duas semanas depois jurará que a cidade é igual, que nada mudou, até saber que o “sem queixo” do bar morreu, e que a loja de artigos sexuais acabou e agora vendem sorvetes lá. Mas se reparar melhor verá que não existe nenhuma livraria. Na verdade só há uma, é evangélica de propaganda maciça, em que o fiel se vê obrigado a comprar para mostrar que é da congregação, livrando-se de comentários no templo, como “esse aí nunca comprou nem uma bíblia na minha loja”. Outros da loja “Adonai” dirão que não comprou nem um saco de salgadinhos. Em horas de trabalho, a cidade está cheia de gente, homens e mulheres, fazendo alguma coisa, normalmente passeando, um passeio custa um sorvete que se come a meio do passeio. Sai barato. No verão vive-se da praia, no inverno o desemprego cai e não se pode trabalhar. Explicar é impossível sem esbarrar em conceitos, preceitos e preconceitos. Dirão que a explicação é pura propaganda, a novela ainda diverte, como a dona do bar que fica encantada no balcão, apreciando as cenas sem tirar os olhos da TV em frente, mas sem errar o troco. Quando acaba o capítulo, vai lá para fora pegar um ar, porque o balcão fica perto do banheiro, e quando alguém entra no bar, pergunta “o que quer ?”, porque dependendo do que o freguês quer, ela nem precisa perder seu tempo para o atender no balcão, lá nos longínquos fundos do estabelecimento...Freguês é apenas um consumidor que paga e a quem se tem que dar troco. Nunca aparece ninguém com dinheiro certo.


O centro comercial da cidade não tem Banco. Menos uma preocupação para os quatro pachorrentos guardas municipais de boné na mão, batendo um papo relaxante e alegre na soleira de uma loja, em frente à viatura. Não há Banco nem livraria. Que mais poderia estar faltando? Um cinema... Mas as lojas de aluguel de cds de filmes fecharam as portas. Não há mais nenhuma, nem nas grandes cidades. Se me perguntarem porquê, eu diria que a realidade que nos atravessa os dias já é um filme, por vezes de puro terror, outras de romance, e outras ainda de propaganda política feita por falsários com diploma e empresa. Dessa propaganda do que fariam se fossem eleitos, não se vê nada feito, o povo reclama por inteiro da candidata eleita, e ninguém consegue explicar por que ganhou. É o milagre sem redenção. Adonai por vezes faz tudo certo por linhas tortas, ou faz sair tudo errado por linhas certas, mas dizem, que o amanhã não é ainda o hoje, e que quando chegar trará a esperança do depois de amanhã, cortando o passado para sempre.


Não há doentes nem pobres nas ruas. Desses, uns ficam em casa porque não têm saúde, outros por vergonha de não terem dois reais para tomar um sorvete instantâneo que derrete imediatamente com o calor de quase 40 graus. E nem têm roupa por mais simples que seja que não os deixem envergonhados com as pessoas simples que passam pela rua, desocupadas. E se perguntam, esses envergonhados, o que não entendem de um mundo em que uns desocupados têm dinheiro e outros não têm. Será porque não têm partido, ou esqueceram que lhes venderam os votos? Não procurei saber nem perguntei, porque sem livrarias, não acredito que me pudessem responder. Nem universidade existe por ali.



Há um “lojão” na cidade onde se vende tudo a preço igual ou inferior ao de supermercado, e até pacotes de cigarro têm desconto. Não é das coisas para se entenderem, apenas para se saber que existem, mas as prateleiras que antes estavam cheias de pacotes, mostram suaves manchas de pacotes de tabaco cortado, a preço muito mais barato. Com um pacote daqueles se fazem cerca de 120 cigarros e custa 6,00 reais cada um incluindo dois livrinhos de papel para enrolar. A mesma quantidade de cigarros comuns, vendidos em pacotes de 20 custaria 40 reais mais dois livrinhos de papel de enrolar que custariam mais dois reais. Para alegrar a vida sem livraria, sem tabaco, sem cinema, só drogas, sexo e cerveja podem – mas não devem – substituir. É como se estivessem empurrando a sociedade para um novo tipo de consumo. Tudo na calada da política. A impressão que se tem é que foi um enorme desperdício todo aquele imenso dinheiro usado em propaganda política. Um desperdício. Nunca muda o que tem que mudar, como usar o nome de seu deus em vão para fazer comércio.  


® Rui Rodrigues    

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O socialismo universitário dos anos 60-70

O socialismo universitário dos anos 60-70



Hoje, depois de tantos anos já passados, já posso falar livremente e à vontade. Não porque tenhamos o governo que temos, mas porque o povo brasileiro pode aceitar muitas coisas, menos perder o direito de falar livremente por ser a única atividade cultural grátis, a única forma de interagir psicologicamente sem ter que deitar em sofá inacessível de analista, a única forma de avisar sobre atividades contra os interesses de comunidades ou do município, estado ou nação.  Falar livremente é muitas vezes uma diversão, uma forma de expressão do humor, podendo usar-se como foco desse humor o Papa, Moisés, Maomé, o bispo Macedo, ou o apóstolo Valdomiro, deus até e ateus, sejam todos estes – ou em parte – gays ou outra coisa qualquer.



No final da década de 60, inicio da de 70, freqüentei a Universidade Federal Fluminense (Niterói) onde me formei em Engenharia Civil. A única instituição de ensino paga que freqüentei foi o colégio La-Fayette no Rio de Janeiro. Sempre fui um interessado pelas ciências, de forma que estudar nunca foi sacrifício. Foi um prazer. Por exemplo, quando assistia às aulas de Mecânica dos Solos do professor Homero Pinto Caputo, eu já tinha lido os livros dele antes das aulas. Era-me fácil entender o que ensinava. E onde arranjava tempo, eu não sei, porque nessa época eu fazia estágio numa empresa de engenharia, namorava três meninas ao mesmo tempo (mas em dias separados) e ainda fazia um curso de pós-graduação na PUC do Rio de Janeiro a expensas da Capes, incrivelmente longe de Niterói e da casa de meu pai na Haddock Lobo, Tijuca. Valeu-me uma parada respiratória e o médico me disse que deveria parar com quase tudo: Fiquei com o estágio, uma menina e o as aulas do ultimo ano do Curso.



Mas não era isto que queria contar. Foi só o preâmbulo a uma faceta do socialismo estudantil dessa época: A cola! Eu não colava. No inicio e de vez em quando, quando insistiam, eu dava cola. Depois parei de dar. Achava que cada um devia ter seus méritos num mundo de competição. Logo eu estaria disputando um posto de trabalho com um “colador” que se formaria sem mérito algum, não bastasse ter de competir por postos de trabalho com filhos de donos de empresas de engenharia. Este mundo tem de tudo, menos de sociedades socialistas. Só em pequenos grupos pode haver socialismo. É muito difícil dividir méritos e bens por quem não os tem. A única atenção que se costuma dar é aos mais necessitados não por pena, comiseração, mas por que incomodam. Esta é a verdade! Nos próprios templos, onde deveríamos ver a solidariedade e o socialismo, porque é isso que pregam, das esmolas e dízimos apenas uma mísera parte serve para aliviar os mais necessitados. Mérito e dedicação são bens próprios de cada indivíduo. Daí minha relutância em dar cola. Mas havia um outro motivo, Logo nas primeiras aulas de cálculo vetorial, no primeiro ano, senti imensa necessidade de um cola. Pedi e ninguém me deu. Tive minha primeira lição de socialismo universitário aplicado a bens imateriais. Por isso, embutido da mais sólida consciência que teria de me virar sozinho, passei a fazê-lo.

Agora imagine-se uma turma nas ultimas provas do curso, no ultimo ano, quase todo mundo pendurado na nota mínima para passar, e recebermos uma prova com apenas três questões cabeludas. Que sufoco. Eu via todas as cabeças se virarem ansiosas para o os lados, pés batendo na cadeira da frente, até que se voltaram na minha direção. Um chegou a dizer-me: - Porra português! Me dá a primeira e a segunda que só consegui fazer a terceira e tô fudido! Era um sinal de que ninguém sabia fazer as questões. Para mim bastava acertar apenas uma questão para passar sem ter que fazer prova final, mas se tivesse que fazê-la, não haveria problema. Então resolvi dar cola. De uma só, a segunda questão, porém, faltando uns cinco minutos para acabar a prova, notei erro meu nessa  questão e avisei o colega a quem tinha passado a cola... Mas não deu tempo para corrigirem: Creio que nem sabiam como lidar com a informação. Minha turma tinha 42 alunos. Só dois não tiraram zero, porque o professor identificou o mesmo erro numa questão da prova, a segunda, comum a 40 alunos.


Estes 42 alunos eram os únicos remanescentes das turmas que tinham iniciado o curso cinco anos atrás, com um total de 425 alunos admitidos em três vestibulares, porque o numero de vagas não era preenchido pelo alto índice de reprovações no vestibular unificado. Fazer engenharia naqueles tempos era dureza. Hoje não sei. Freud pode explicar muita coisa que eu não posso, mas fico me perguntando porque razão resolvi re-analisar a segunda questão tão tarde, a apenas uns dez minutos do final da prova e corrigi-la... Como não pensar que desde o inicio eu tomara um caminho errado de forma proposital, com um despertador interno que tocou o sinal a dez minutos do final da prova? É certo que ninguém deixou de ser formar por essa questão, o que tiveram foi que fazer uma prova final para a qual tiveram que estudar o que nunca tinham estudado durante o ano todo. Devo ter contribuído de certa forma para que estudassem. Todos tinham tempo para estudar, e o único problema eram as prioridades. Alguns faziam parte de “grupos de esquerda” que invadiam as aulas para dar prédicas. Combinamos com eles que, por estarmos ali para estudar, que cederíamos nosso tempo de intervalo para que viessem nos dar aulas de socialismo e que podiam trazer os livros vermelhos de Mao Tse Tung, que os ouviríamos tranqüilamente. Perdemos muitos intervalos de aula para ouvirmos, democraticamente, a esquerda “pensante” de nossa nação. Hoje estão no poder, mas me pergunto que aulas eles perderam que nada mudou neste país que piora a cada dia depois que gastaram toda a riqueza, como a Petrobrás e outras, herdadas de governos anteriores de que tanto reclamavam e de Fernando Henrique Cardoso, o governo que moralizou por alguns anos a economia e a política nacional e internacional. Devem ter perdido muitas aulas, colado muito, obtido diplomas às custas de amigos!



E não devem estar lendo notícias do mundo há pelo menos 40 anos. Durante este tempo a Republica Democrática Alemã, a China e a Rússia empurraram outros cerca de 90 países para fora do comunismo, e Cuba reatou as relações com os EUA. O socialismo europeu entrou em crise perturbando seriamente a solidez da Comunidade econômica Européia, na maioria dos casos por corrupção. Políticos do cone sul da América do Sul, concentram a política em “personagens” símbolos das dificuldades sociais como Lula, Chávez, Fidel Castro (antes de voltar a reatar com Cuba) e usam a linguagem dos anos 60 para mobilizar a ignorância em seus países para lhes dar votos eleitoreiros cheios de esperança e fé no imponderável: Qual a solução para a igualdade social? Esses políticos poderiam encontrá-la na Alemanha, na Noruega, Finlândia, Suécia, Suíça, mas dizem convenientemente que esses países são outra realidade. São sim, mas não são utopias. São reais!


® Rui Rodrigues