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quinta-feira, 25 de junho de 2015

Crônicas do Peró. Sexo, o frio, o mar e o vento.



Estamos em Junho, quase no final, temos que fazer frente às frentes frias.

Pode-se construir um Reino, um Império, uma república com uma boa dose de frio, os horizontes pra lá das ondas do mar, e o vento. Basta uma boa idéia. Saí de casa para enfrentar estes elementos, disposto a pensar no assunto. Sou otimista. Não que quisesse sair daqui, onde tenho minha casa, minhas coisas de frade franciscano, meu leito de sonhos, minha fábrica de labaredas, e duas geringonças que me põem em contato com o mundo lá de fora, muito mais bravio e inóspito do que este em que vivo, preocupado com minhas galinhas que logo serão acompanhadas de alegres coelhos. Do outro lado deste território do qual divido a soberania com um grupo de vizinhos há um Motel cujo dono é um chileno mas que não tenho visto mais desde minha ultima vistoria que fiz a um dos quartos que estava precisando de movimento. Ele me cobrou. Tá certo. Amigos, amigos, mas negócios à parte. Por isso estranhei quando, a caminho da praia, com cachecol, camisa de malha de mangas comprida e um casacão por cima, vi, claramente visto, ontem e hoje novamente, um carro branco balouçante a dois passos do começo da areia da praia. Ontem vi um sujeito de camisa vermelha abaixando-se sobre o banco da frente, hoje vi “algo” indefinido como se fossem roupas, mas segui em frente para não incomodar quem estivesse no seu interior. Nunca se sabe que bofes tem quem está lá dentro. Podem ser bons ou maus bofes, armados ou desarmados.
Fui então pela praia, com ventos e respingos de ondas, um frio dos diabos, mas sempre de olho na paisagem. Uma gaivota passou a meu lado, me acompanhou por uns cinco centímetros e saiu zunindo. Pousou lá na frente. Pelos vistos não estava com a mínima disposição de ir ao cinema naquele entardecer. Preferiu brincar comigo, fugindo sempre que me aproximava, pousando mais à frente. Resolvi pôr um fim á brincadeira e chegando às pedras voltei para trás. E lá estava ela me acompanhando no caminho inverso. Agora, caminhando mais devagar, fui vasculhando o que havia por ali, porque com o vento chegou algum material de praias próximas, navios com tripulação descuidada, ambientalmente ignorante, que joga pela borda o seu lixo. O IBAMA dorme o sono dos justos. Provavelmente dirá que é função da marinha, da APA do Pau Brasil, ou da Prefeitura. Neste jogo de empurra todos ganham menos o ambiente e as populações, porque o juiz fica confuso. Não há jurisdição para assuntos contra os órgãos públicos, porque são eles que nomeiam os juizes. Se reclamarmos talvez sejamos indiciados por desacato à autoridade. Recolhi algum lixo, todo plástico, destinado a uma grande escultura na grande parede da entrada de minha casa, mas de forma a não deixar reentrâncias que permitam acoitamento de insetos, reservatórios de poeira. Tudo deve ficar escorregadio, sem reentrâncias. Se jogar um balde de água para lavar, não pode haver lugar para acúmulo de umidade. Já carregado, voltei a passar pelo automóvel, mas devem ter me visto de longe, porque quando passei ao lado era como se ninguém estivesse dentro dele. Ao passar em frente a um Hotel na rua 15 que tem por aqui, vi um dos zeladores. Perguntei se conhecia o carro. Poderia ser de alguém conhecido dele e não queria deixar má impressão. Soube então que o carro pertencia a um casal que preferia o carro ao Motel lá da frente, cujo dono é chileno, e meu amigo, mas que cobra entrada. Afinal o Motel está ali para isso. A praia é que não está para isso. E na outra rua ao lado, havia também um carro preto balouçando ao sabor que não era do vento. Como temos câmaras para tudo que é lado ao longo das vias, tenho certeza que estará registrado, mas o que me preocupa é que há crianças que costumam visitar o lugar e algumas vivendo por aqui. Estas cenas, embora naturais, não são de domínio público senão de particular, no remanso do lar ou dos motéis, hotéis ou casas de amigos. Teremos que colocar uma placa com os dizeres: “Proibido fazer sexo em público ou dentro de veículos”. Há gente que só traz lixo ou produz lixo por aqui. Chamam de turistas. Eu chamo de terroristas ambientais.


® Rui Rodrigues


                 

Preparem-se para a economia de final de século e para a do século XXII.


Economias medievais aumentam os impostos, taxas de juros e cortam nos gastos públicos no que é mais caro e fundamental: Nos serviços. Isto estrangula a economia e gera inflação por falta de confiança nesses governos. A sensação é a de que é preciso se prevenir para tempos futuros, cobrar mais por segurança, segurar o capital de giro, que por inerte não gera mais empregos, diminui a arrecadação de impostos. Aqui termina qualquer esperança comunista. É impossível mudar o ser humano e pela força não vai mesmo. Por força se pode entender uma tal de “Pátria Educadora”, que, a exemplo dos livros vermelhos de Mao Tse Tung tentou em vão moldar uma sociedade comunista na China. O homem não pe comunista por natureza. Odeia isso, perder a sua individualidade, ter que se nivelar por baixo. Prefere arriscar, a apostar em sua capacidade na vida, mesmo que isso lhe custe a vida. É a lei da natureza, que evolui e permite que cada um evolua como pode e consegue.  



Já há fortes sinais de comportamento da economia mundial para o final do século. Vejamos apenas alguns:



1.  Quem já foi á Suíça e a Paris sabe. Não há cobradores de bilhetes nos transportes públicos. Há muitos anos. Essa mão de obra foi drasticamente reduzida a uma meia dúzia de fiscais eventuais. A população paga sua passagem e retira o seu ticket antes de entrar a bordo, em qualquer ponto do percurso. O dinheiro economizado com a mão de obra beneficiou o sistema com larga vantagem. Mas como postos de trabalho foram cortados, a população não aumentou. Nada de ter filhos para ficarem desempregados. Isso é educação. Assim como para ir para o céu são poucos os que passam pelo buraco da agulha, também para viver neste planeta não há lugar para um numero infinito que independa de nossa falta de educação em ter filhos porque não nos prevenimos com camisinha ou anticoncepcionais. As recomendações de chefes de igrejas não são humanistas. São idiotas, nada científicas, carecem de “pensar”. Visam uma clientela que em vez de crescer fia cada vez menor. Os que pensam já não vão a esses templos.



2.  Criadores de gado encontravam mão de obra barata, e também plantadores, cultivadores. Então vieram a máquinas e os postos de trabalho desapareceram quase por completo. É tudo mecanizado. A mão de obra agora é mais qualificada reservada a um universo muito limitado de serviço pesado de manutenção de equipamentos, coleta de materiais no campo, manutenção de instalações. Mesmo assim, é muito mais barato, maior a produção, menor o desperdício.Já se usam helicópteros para tocar gado na Austrália.



3.  As fábricas chegavam a ter milhares de empregados, fazendo de tudo. Desde a limpeza até serviços de acurada e científica tecnologia, como soldagem, montagem, instalações elétricas e eletrônicas. Então chegaram os robôs que fazem de tudo a muito menos que micro-milímetros de precisão, com uma perfeição assombrosa. Quase nem precisam de manutenção, não comem, não reclamam, não pedem aumento de salários. Pedem para serem substituídos por robôs mais eficientes. A mão de obra foi reduzida a técnicos que cuidam dos robôs. Um dia serão robôs cuidando de robôs. A jornada de trabalho será drasticamente reduzida. Sobrará mais tempo para a diversão, o compartilhar a vida com a família, mas as populações deverão ser drasticamente reduzidas. Não cabemos todos dentro das fronteiras, nem fora delas, onde devem existir as matas, as florestas, os rios, a natureza.



4.  Já ouvimos muito falar de “carne de canhão”. Generais mandavam na guerra, tal como Napoleão que ganhou até ser vencido por duas vezes de forma catastrófica. Hitler foi outro. Seus soldados eram “porcos” substituíveis, por mais que sua dialética fosse contrária. “Amavam” seus soldados, mas mandavam-nos como lhes aprouvesse, para frente da batalha, enfrentando canhões e minas terrestres, bombas e bombardas, de peito aberto, muitas vezes de improviso sem planejamento. Quando as economias nacionais estavam em severa crise, inventava-se uma guerra, e os “esforços” de guerra eram suficientes para pagar aos soldados, às custas da fome generalizada do resto da população, cupons de racionamento. Hoje as populações reclamam seus mortos. Guerra já não é solução, mas o problema é que ainda há tanta ignorância grassando pelo mundo que alguns dirigentes de nações preferem correr riscos futuros que entregar o poder que tanto lhes dá de vaidades, prestigio e fortuna. São ditadores que usam a democracia como conivente. Hoje se usam “drones” e muitos mais se usarão no futuro. Foguetes antifoguetes, drones antiaviões, drones de ataque, de defesa, submarinos não tripulados, porta-aviões cheios de drones controlados por satélites, satélites anti-satélites... Jogos de computador mortais. Chegará o dia de soldados-andróides contra andróides-soldado, ou andróides contra andróides. A família assistirá confortavelmente em casa como se fosse um jogo de computador, e se seu país perder, pode perder muitas coisas, mas não a vida nem o conforto. O mundo seguirá. Haverá coisas mais importantes do que matar carne humana.



5.  Governar é um ato que se diz democrático. Para isso conhecemos os políticos tais como são, porém começamos já a conhecer outros tipos de políticos. Esses vivem nos países nórdicos onde o que interessa é a população e seu bem estar. Vivem em pequenos e exíguos “sala e quarto” pagos pelo estado, têm salário igual aos demais cidadãos, não têm regalias, são exatamente iguais perante a lei e se destinam a trabalhar para o povo, que nem é para o “estado”, porque o Estado, é o Povo. Cumprem ordens do povo segundo assembléias regionais e estaduais que por sua vez se reúnem com o povo. Ninguém tem lugar “quente” nem pe indicado, nem tampouco têm direito a aposentadorias diferentes das dos demais cidadãos. É uma democracia participativa. As representativas se transformam em nossos dias em “sindicatos” de exploradores do alheio que usam a democracia como suporte para as suas vontades. Presidentes de república de democracias representativas, são normalmente coniventes com o poder, são “figuras” a respeitar pela constituição, mesmo que sejam verdadeiros bandidos e ignorantes, chefes de Máfias unidas de partidos políticos.



6.  Em suma, este planeta onde vivemos será “zoneado” a exemplo da “Carta de Atenas” que zoneou cidades, e as fronteiras políticas sofrerão acomodações. Na carta de Atenas definem-se regras para cidades, separando zonas industriais de zonas comerciais, residenciais, estabelecem-se parâmetros para largura de vias, testada de edifícios. Face à carta de Atenas, Nova York é um desastre arquitetônico. Nova York mudará de estilo, muitas ruas desaparecerão para deixar entrar o sol. Europa e Norte América, bem como alguns países da América do Sul não crescem tanto como antigamente. Hoje o crescimento mundial está limitado à África e à Ásia por total falta de controle de natalidade. Esse crescimento exige mais comércio, mais industrias, mais culturas, porque é preciso dar trabalho a cada vez mais gente, para que possam comprar seus alimentos, vestir-se, morar, estudar, pagar despesas com a saúde. A cada ano que passa os Estados cuidam menos dos indivíduos. Não deveria ser assim, porque pode ser diferente, sem ideologias de “Pátria Educadora”. A Pátria não educa. Isso se faz nos lares desde o berço.



7.  Em qualquer família ou sociedade há sempre os que não podem contribuir por problemas de saúde ou capacidade inata. Há também os preguiçosos e os aproveitadores do trabalho dos outros. São todos filhos da pátria e a cada um seu trato pela família e pelo estado. As políticas de estado proporcionarão uma economia estável onde haja trabalho para todos, e uma reserva técnica para tempos mais difíceis. Os impostos serão proporcionais a metas a atingir. Não podem ser os mesmos ano após ano, sem folga para o cidadão, como se estivesse pagando pena. Haverá anos de alívio e anos de maior pressão nos impostos. Podemos ter pressa, mas não podemos tropeçar. Para onde vamos com todo esse progresso?

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8.  Nosso progresso tem um sentido único. Preservar o nosso habitat, o que equivale a preservar o ambiente em que vivemos, estarmos preparados tecnologicamente para mudanças climáticas, porque este planeta não é perfeitamente estável, e capacitados para abandoná-lo quando for necessário sair para outros planetas por absoluta necessidade. É um caminho longo que exige preparação antecipada em milhares de anos. A “terraformação” de um planeta pode levar até milhões de anos. Precisamos descobri-los, estudá-los, viajar até lá, trabalhá-lo para as gerações do futuro. Nossa humanidade não fará escolhas genéticas por indicação de políticos. Se aposta neles para que seus netos e descendentes continuem procriando seus genes, esqueça. Serão os mais capazes, com estudos avançados, num mundo em que a mão de obra pesada e braçal não existirá mais.

Até lá, há um enorme caminho a percorrer. Ano após ano a mortalidade será maior que a natalidade de uma forma geral, através de muitos processos, desde o abandono de populações inteiras, por fome e doenças, até a morte em guerras, processos cruéis, até que a população se estabilize em uma quantidade de indivíduos que possam trabalhar e produzir o próprio alimento, sem pressões populacionais em debandada de fomes e guerras, ou internamente às fronteiras porque a economia “cresceu” e se deduza que já se pode ter mais de um ou dois filhos por casal.
É possível que estejamos perdendo a nossa sensibilidade a catástrofes humanas, mas há que nos perguntarmos até que ponto não é necessária. Nosso coração e a bondade que nele existe está percebendo que não podemos socorrer a todos. Estamos numa fase de evolução, talvez uma Idade Média, da qual se espera que possamos emergir numa nova Renascença.

Somos assim...Aos altos e baixos mas sempre subindo.Nossa humanidade é um fenômeno extremamente doloroso da natureza!


® Rui Rodrigues.    

quarta-feira, 24 de junho de 2015

Eu tenho uma netinha.



Depois que ganhei uma filha por obra conjunta minha e de minha companheira - quando a Suzana ainda era viva e infelizmente não tive o prazer de conhecer o marido dela, o senhor “neném” - acabou aquela coisa de “tem que ser menino”. Ganhei um menino também, da mesma empresa empreendedora, com sucesso. A partir de alguns anos depois que passaram rápido, minha filha me empresta a sua filha, minha neta, o que é outro daqueles prazeres monumentais que só a vida permite. Isto é muito bom!...Uma delícia.

Minha neta é educada, sem Pátria Educadora que a eduque. Não é necessária. Pátria Educadora não educa. Quem educa são as famílias. Educação se transmite de pais para filhos. Pátria instrutora até poderia, mas apenas instruirá se não se dedicar a criadores de milícias que criam militantes, que cultuam figuras e imagens, recebem lavagens cerebrais de história modificada e deturpada. Minha neta, não. Se mudar será por sua conta e risco quando for “de maior”. Escolherá então tudo na vida, porque nada se lhe impõe, a não ser educação e humanismo.  


E como ela é sensacional, está sempre feliz sem ser à toa. Tem motivos para ser feliz, o que expressa em seus dotes para a pintura e o desenho. Só tem seis anos que desde maio começou a contá-los, porque em abril só tinha cinco. Estamos em Junho. Para todos os efeitos, tem mais cinco que seis de idade, mas deve ter uns oito na forma de pensar, se é que não tem mais. Está ficando “veia”.



Eis alguns dos desenhos que me deixou e que fez domingo passado enquanto nos curtíamos. Pode ver-se a família dentro e fora de casa, o avô gordo que nem é louro, mas usou a caneta que estava mais perto e que ficaria mais agradável à pintura, ela é lourinha, a mãe também era, mas agora está com cabelos marrons que nem são tão grandes. Arte é arte e há que desconstruir a arte para que fique mais artística. É uma “picassada” da Maya, minha netinha, grande sacada. Faz-me sentir na obrigação de respeitá-la por sua personalidade, desenvoltura no falar, já lê tudo o que lhe aparece pela frente, escreve ainda devagar, e é uma grande pessoinha. Mais que tudo, admiro-a!


Dos desenhos, julguem vocês. Até pelas proporções. Casas são muito grandes mesmo...E aprendeu a confessar os seus errinhos... Quando diz que não fez, não fez mesmo!


® Rui Rodrigues, o avô babão! 

segunda-feira, 22 de junho de 2015

Artesanato-lixo – Fazendo um porta garrafa.



No sábado, dia 20 de junho, e depois de uma semana inteira dando uma geral caprichada na casa, recebi a visita de minha neta, minha filha e a mãe. Uma família novamente reunida. Tinham chegado na sexta-feira. Estas visitas são o que há de melhor na vida de qualquer ser humano. Fomos à praia, quase sete quilômetros de praia só pra nós, porque sempre está vazia, e andamos pelas dunas, de frente para sete ilhas. Normalmente a praia tem poluição zero, uma das dez únicas do Brasil, mas ou os ventos e a agitação marítima conseqüente, ou algum navio mal educado que passa em frente, deixam esteiras de lixo. Desta vez havia algum, e no meio dele, minha filha descobriu um sapato de senhora, “Made in Brazil”, apenas o arcabouço, o esqueleto. Sempre que parece interessante, costumo aproveitar uma ou outra peça, como um pedaço de raiz dura da qual fiz uma bengala preta com cabeça de cavalo dentuço e “olhudo” com crina de barbante, bem resistente, e um baiacu seco que pintei e ao qual dei vida com pele colorida imitando o original, olhão amarelo e uma dentadura branca reluzente de fazer inveja a qualquer protético. O que fazer com o sapato de salto alto?

Lembrei-me da sensualidade de um sapato de mulher, e dos tempos antigos em que se tomava champanhe bebendo direto de um sapato feminino, novo, a estrear, tanto quando a própria mulher. Nada como uma aventura amorosa de compartilhamento total de corpos, intenções... Um suporte para garrafa de vinho ou de champanhe seria perfeito, não fosse o caso de, pela altura do salto, o sapato ficar bambo. Mas isso se resolve. Fiz um corte numa rolha de cortiça pura, e retirei o pequeno cilindro que encaixei com cola na ponta do salto. Não sendo bastante, colarei 4 pequenos cilindros de bambu japonês que tenho aqui em casa, dois de cada lado da “sola” do sapato. O esqueleto do sapato é do tipo “peça inteira”, de algum produto sólido e duro que se assemelha a plástico, e tem sulcos na parte inferior onde posso encaixar os pedaços de bambu.

E deve ser vermelho para dar sensualidade ao vinho da garrafa, mas nada muito “esnobe”, para que mantenha sua característica de peça única, artesanal, feito em casa. Terá uma porção de bolinhas coloridas ao melhor estilo Minnie, sem perder a classe.


Figura 1- Eis o sapato tal como encontrado.
(Exceto pela rodela de rolha de cortiça sob o salto para dar estabilidade, e uma limpeza geral) 


 Figura 2- Começando a pintura


Figura 3- A pintura ainda não acabou, mas está em fase de acabamento. Notar um pequeno circulo de plástico transparente para dar ainda mais estabilidade ao salto do sapato - vai suportar uma garrafa de vinho - e um cilindro feito de vara de bambu japonês para o mesmo efeito de estabilidade. O conjunto ficará mais estável do que quando a garrafa de vinho fica em pé na mesa. 




Figura 4- Pronto... Trabalho acabadado, simples e eficiente.Pode ventar à vontade que o vento não a derruba.



® Rui Rodrigues 




sábado, 20 de junho de 2015

Comitiva a Caracas - a verdade

Sobre a viagem de Aécio Neves e comitiva a Caracas - Venezuela - a Verdade em três parágrafos


Quando Lula foi a Cuba, cerca de 40 presos políticos fizeram greve de fome por lá e pediram ajuda a Lula. Cuba afirmou sempre ser uma "democracia", mas em democracias não há presos políticos. Lula afirmou que isso era assunto do governo cubano. Internacionalmente, Lula com sua presença deu apoio a Raul Castro e às prisões políticas, não aos políticos presos.
Na Venezuela morreram mais de 40 pessoas em manifestações por ação mortal das forças repressoras de Maduro. Dilma ficou calada. É a continuação da política de Lula, de apoiar Maduro, apesar de dois líderes da oposição presos por política. Dilma já esteve na Venezuela. Que fosse, sim, mas que pelo menos dissesse algo a respeito já que ama tanto a democracia. Não disse. Omitiu-se!
A exemplo de Obama que considera o governo Venezuelano com reprovações democráticas, assim também nossa oposição - apesar de fraca e quase inoperante - também demonstrou que é democrática, juntou uma comitiva, pediu autorização ao governo venezuelano, pegou um avião e foi a Caracas, Alguém programou uma passeata que impediu a comitiva de de deslocar onde estava autorizada a ir.
Parabéns Aécio Neves, bom trabalho, embora mal programado (não se sabe porque se programou tão mal) mas temos muitas coisas para resolver aqui em casa, no nosso Brasil, e quer você, quer seu Partido, precisam mostrar mais eficiência. Ou poderão ser confundidos com coniventes que "teatralizam" o cenário...


® Rui Rodrigues

Corrupção, contratos e Hackers



Os "assaltantes" das gavetas de arquivo, ou dos arquivos de gaveta, eram chamados de "espiões" e "traidores”...
Com o advento da computadorização, passaram a chamar-se Hackers, mais regionalmente conhecidos como "Ráquers".

Em nome da salvação do planeta evitando a derrubada de florestas para fazer pasta de papel,e para racionalizar e agilizar a emissão e o arquivamento de documentos, a papelada foi substituída por "arquivos chipados", isto é guardados em chips de computadores e até em 'nuvens virtuais".

Mas contratos têm que ser emitidos em três vias - pelo menos - para que produza os efeitos legais.
A Lei terá assim que se adaptar e passar a analisar os contratos como se fossem as únicas fontes de dados, por ser fácil destruir chips, apagar nuvens, e julgar pela omissão, isto é, que clausulas e artigos deveriam estar nos contratos e não estão? E porque a vírgula não foi colocada?
Manuais de formação de contratos, gerenciamento e encerramento de contratos estão disponíveis. São raros, mas existem...


® Rui Rodrigues

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Vivendo à moda antiga...Mas...


Não é uma questão de dinheiro, de posição social, política, religiosa, racial, sexual ou o que quer que seja ou possa parecer. É uma questão contemplativa de se olhar o mundo, e ver que, em meio a tantos progressos que até se podem questionar na sua essência e definição, esta bola de terra mar e ar que gira no espaço está diferente, moderna, modificada. Não era assim quando nasci. Como era?

Os mais velhos reclamavam, em minha infância, das mudanças do mundo. Sempre reclamaram e reclamamos. Deveríamos tomar isso como um sintoma de que não estamos caminhando, como humanidade, no caminho mais recomendável, porque os tempos passados e os modos de vida deixam saudades quando comparados com os da atualidade. Juventudes não têm esse conhecimento dos tempos passados porque não os puderam viver, e mesmo que vejam algumas descrições e fotos, jamais poderão avaliar os momentos passados e suas emoções, sensações, racionalizar comparações.


Há três tipos fundamentais de forma de olharmos esta evolução no tempo. Uma delas é atendo-nos ao fato de que o passado corresponde à nossa juventude deslumbrada pela vida, poderosa, ativa, esperançosa, construtiva e que o comparamos com um estado a caminho da senilidade, sem muitos deslumbramentos, enfraquecidos, em atividade reduzida, sem muitas esperanças (até porque não se vêm mudanças que nos façam julgar nossos avós que reclamavam do mesmo como “errados”) e sem podermos construir algo mais contributivo. A outra forma refere-se aos grandes volumes de fatos da humanidade à luz da história mais recente desde nossos bisavôs tal como tivemos informação, uma história viva, o que mudou, que progressos fizemos e em que campos da engenhosidade humana, o que não exclui o social nem o ambiental de forma geral. A terceira forma de olharmos a evolução no tempo vai desde as origens da humanidade até um futuro distante, traçar os rumos que escolhemos e tentando ver para que rumos tendemos agora e ao que eles nos poderão levar. E então, talvez nos perguntemos se vale a pena, e possamos encontrar respostas para “o que estamos fazendo aqui?”



Se olharmos para nós mesmos e nos compararmos com a nossa juventude, porém com consciência que não somos únicos e que vivemos num meio permeado de iguais, semelhantes e diferentes, logo nos daremos conta que fazemos parte de um meio global do qual somos apenas uma peça de fácil reposição e até perfeitamente prescindíveis. O mundo continua – pelo menos aparentemente normal – sem qualquer um de nós. Alguns deixamos legados no aprendizado, como Albert Einstein, por exemplo, mas são agradáveis e importantes raridades. Mas até nisso nos podemos equivocar. Se não fosse Albert Einstein, outro seria quem viria a descobrir que E=mc2. Albert Einstein adiantou-se talvez um par de meses ou no máximo uma década em relação aos outros. Não são os seres humanos que fazem descobertas. É o que há para descobrir que se mostra para quem pensa nisso, na base do quanto mais, mais. Isto é, quanto mais se descobre, mais fácil fica descobrir o que ainda não se descobriu. Ninguém inventa nada: Levanta o véu do que estava encoberto.


Analisando tudo o que aconteceu à luz das histórias saudosas de nossos bisavôs, avôs e pais, além de outros familiares mais idosos ou conhecidos, a história viva, podemos ter uma idéia mais precisa do que mudou realmente e em que grau de direção e intensidade. Uma parte deste saudosismo se deve à perda da juventude certamente. O restante da saudade é porque o que mudou não foi para melhor, o que quer que “melhor” possa significar, quer ao nível de família, particular ou da própria sociedade humana, e até mesmo do ambiente em que vivemos.



Uma visão desde os primórdios da vida neste planeta até o presente mostra-nos que não devemos ter saudades daqueles tempos, embora devamos ter toda a consideração e respeito. Nós somos eles hoje, esperanças de futuros seres humanos modificados. E talvez nos deparemos com “visões” fantásticas de uma terra cheia de seres humanos com carências e fomes terríveis, as demais espécies vivas na sua maioria extintas, respirando já não mais oxigênio e nitrogênio, mas atmosferas ácidas com pulmões adaptados ou usando máscaras permanentes que impeçam beijos de amor, ou então num futuro mais sensato de menos gente, mais fartura, ar mais puro, vida selvagem pululando pelos campos, matas, mares, rios, florestas e ares deste planeta.


É verdade que construímos o nosso futuro, em termos particulares e da humanidade como um todo social, mas não temos a menor noção para onde vai nem o que pretende. As idéias de líderes e mentores, o que quer que isso possa significar e ser importante, não duram mais que uns poucos milênios. Mas milênios não são nada para uma humanidade que já conta milhões de anos. Depois, sem explicação, a humanidade vai mudando aos poucos. Se fossemos um ser que pudesse ver a humanidade como um enorme ser “individual”, veríamos que só guarda, do passado, o que é importante, e mesmo assim apenas em seus genes. O resto esquece completamente. Deve haver uma mensagem para este aspecto. Porque cada ser humano só guarda uma parte do que é importante em sua carga genética? E, no entanto, estamos evoluindo. Quem sabe um dia poderemos até ter asas próprias, sermos os anjos de um éden terreno? Com menos gente, sem competição entre si, talvez pudéssemos chegar a esse ponto, mas dizem as teorias da evolução que para chegarmos a ter asas precisaríamos correr muito, cada vez mais rápido. As galinhas estão tentando isso há milhões de anos, já têm asas e mesmo assim não conseguem voar. Mas não por isso devemos abdicar de um éden neste planeta, onde até se possa viver eternamente. Talvez estejamos interpretando mal os livros sagrados, e o Éden seja um fim a atingir e não apenas o nosso começo, de onde fomos expulsos por anjos de asas.



O que queremos? O mundo inteiro perceptível está à nossa disposição. Estamos indo bem? Se estivermos continuemos, mas se estamos indo mal, então mudemos o quanto antes.


® Rui Rodrigues.    

quarta-feira, 17 de junho de 2015

Adeus Grécia, o Quarto poder e Papa dá exemplo


Adeus Grécia...





Dizia minha avó: Nunca recorra a empréstimos bancários ou seja de quem for...Não tenha pressa. Se quer comprar alguma coisa e não tem dinheiro imediato, espera, junte e compra mais tarde á vista com desconto...Minha família, o Banco e alguns amigos são testemunha que só falhei uma vez, mas que paguei ao banco o devia...
Thomas Jefferson, presidente dos Estados Unidos da América, disse uma vez e não precisou repetir... Os bancos são mais perigosos para a nossa liberdade que os exércitos com armas...
A governo da Grécia enveredou pelo caminho do socialismo fajuto e quer que os outros dividam com ela o seu negócio, os seus lucros, o seu trabalho... Sem fazer esforços... Tudo de mão beijada, só na conversa mole...
Também acho que os juros são muito altos, mas é por aqui, por conta de um governo completamente corrompido. Por aí os juros são baixíssimos.

Adeus Grécia da Comunidade Européia... Assim não fazes falta nenhuma. Melhor sem ti

O quarto Poder

Nossa esperança é que tenhamos em breve Quatro Poderes

Legislativo
Executivo
Judiciário
Contestativo

http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/

Papa Francisco e os imigrantes

Meu querido argentino... Meu filho!... Guri...

Não que eu seja contra abraçar emigrantes fugitivos... Não... Devemos acolhê-los... Mas pelo menos dá o exemplo, e acolhe aí uma boa meia-dúzia, com religião maometana, budista, umbandista...

Fala mas dá o exemplo, vai, para que não caias no roll dos falastrões políticos... Cabem no Vaticano...


® Rui Rodrigues

terça-feira, 16 de junho de 2015

Ensaio sobre a sutileza da percepção.



Bastam três pessoas para fazerem o ensaio. Apagam-se as luzes na sala e uma delas escolhida por sorteio, escolhe um objeto dos que estão disponíveis e diz aos demais: - O que fariam com este objeto?

As duas outras pessoas discorrerão distintamente sobre o que fariam, porque não têm a mínima idéia sobre o objeto escolhido. Se, porém, ampliarmos o universo dos objetos a escolher até o quarto, a cozinha e o banheiro, então teremos disparidades ainda maiores. Alguém pode descrever o que faria com uma jarra de vidro, a outra pessoa sobre o que faria com um sofá, enquanto o objeto em questão era um rolo de papel higiênico. Como brincadeira pode até ser interessante e divertido, mas aplicado a um relacionamento, no trabalho ou na política, seria certamente um desastre por haver enorme universo de variáveis. 

Neste caso da política monetária, por exemplo, imagine que alguém vai comprar dólares e tenha que pagar 3,00 reais, por cada dólar, quando há um ano comprava por apenas 1,80 reais e diga espantado: O dólar subiu!... Realmente, a primeira percepção é que o dólar subiu. Mas... Congelemos a câmara focando o indivíduo na saída do caixa da casa de câmbio, ainda olhando para o dinheiro em suas mãos com semblante decepcionado, e analisemos o momento para podermos entender melhor o que é a percepção e suas sutilezas. De notar que ele olhou ao redor de si superficialmente, mais preocupado com a hipótese de haver alguém na casa que o pudesse denunciar para parceiros que lá fora lhe extorquiriam os cem dólares que comprara. Olhar que se baseava apenas na aparência mal avaliada por apressada, e sem expertise por nem ser psicólogo nem detetive.

Uma senhora que passava a seu lado tendo notado que ele comprara dólares, pensou que se pudesse seria um sujeito adequado para acompanhá-la numa viagem ao Caribe, quem sabe às ilhas Fiji, Zanzibar...E por alguns segundos após, esqueceu o sujeito e se concentrou sobre o destino. Ilhas Fiji, San Andrés ou Zanzibar? Finalmente chegou ao caixa para trocar dólares. Achou que não subiria mais e que era o momento de trocar. Voltaria a comprar quando e se o dólar voltasse, não a subir ou descer, mas a ficar mais barato. Havia aqui uma sutileza no pensamento da senhora.

Um gay que passava, descansou por uns segundos seu olhar sobre o sujeito e sentiu uma vontade enorme de agarrá-lo, beijá-lo, mas o seu olhar, os traços do rosto e principalmente o modo determinado e concentrado do olhar fizeram-no afastar esse pensamento. Até pelo modo de vestir o indivíduo tinha aspecto de quem só gostava de mulheres. Nem se atreveu a continuar a observação e desviou o olhar seguindo bamboleante e com olhar altaneiro para a saída da casa de câmbio. Para ele o dólar era o que era. Não perdia nem ganhava fosse qual fosse o valor do dólar, porque trocava logo que os recebia. Se os guardasse poderiam roubá-los. Tinha plena consciência da vida que levava e de suas companhias. Um dia largaria aquela vida noturna da Cinelândia e seria um gay como tantos que conhecia, com classe e boa vida. Cruzou-se com uma prostituta de seu grupo que estava entrando na casa de câmbio.
- Trocou a quanto? (perguntou ela)
- A três! Fiz mal?
- Não cara. Dá no mesmo. Recebeu trocou. Que bom que está a três. Podia subir mais. Se continuar assim, compro uma passagem pra Miami, faço uns negócios por lá, junto e volto pra trocar aqui e compro um apartamento.

Dois irmãos, sócios em comércio, estavam á porta da casa de câmbio, e conversavam.
- Trocamos ou não? Será que sobe mais?
- Estou preocupado. Acho que ainda vai subir mais. Muito mais. Para ser sincero, vendia o que temos por aqui, e iríamos para o Paraguai. Lá a energia é mais barata, mão de obra também, e os impostos nem se fala. Há atividades lá que nem impostos pagam.
- Porque achas que vai subir mais?
- Porque não é por causa do dólar. É o Real que está baixando. O governo não em noção do que é “lucro” sobre a mercadoria. É dele que tiramos o que podemos para investir em infra-estruturas, como reformas, e sustentar empregados mais alguns meses sem demitir por causa da inflação. Os “lucros” servem também para vivermos e mantermos o negócio nas entressafras quando o comércio cai, e até serve para mantermos o preço das mercadorias apesar da subida dos preços. Guardamos ainda uma parte para podermos pagar impostos que sobem de repente. Se pudéssemos íamos para a China, Índia...
- Então trocamos e vamos embora! Para o Paraguai...
No andar superior, protegidos por vidros unidirecionais que não permitem que sejam vistos da loja, embora possam ver tudo o que se passa, dois homens conversavam.
- Sabes aquela loura peituda que se dirige agora para o caixa cinco?
- Sei... Não é daquela companhia...
- É... Vem trocar reais por dólares. Isso é lavagem de dinheiro. Como de costume ela vai subir aqui.
- Então vamos cotar o dólar para ela a quatro reais. É por conta dos riscos. Se ela trocar mais de cinqüenta mil, cobra a quatro e cinqüenta. A cada cinqüenta mil, mais cinqüenta centavos por dólar.
- E se ela disser que normalmente é o contrário?
- Diz apenas que para dólares de risco o preço sobe quanto mais se compra. Que temos poucos dólares em caixa...
Atrás do sujeito que mantivemos congelado na câmara de filmar - um simples celular - está um indivíduo de tênis cinza, calça preta, camiseta cinza, óculos escuros que trouxera pendurados na camiseta, e trocara apenas dez dólares no caixa. Nosso sujeito, objeto do ensaio sobre a percepção não reparou nele. Sua atitude na rua é de sujeito muito preocupado com a vida e com o ambiente que o cerca, mas não se pode avaliar sobre o que se desconhece. Estar sempre preparado, quer dizer também para perder o controle da situação.
Foi assim que logo na primeira esquina levou um encontrão por trás, obrigando-o a voltar-se enquanto o individuo de tênis cinza passava por ele sem que seus olhares se encontrassem. 

O homem dos cem dólares nunca tinha visto, não viu e jamais o verá. Um outro que vinha pela frente segurou-lhe o paletó e tirou-lhe a carteira do bolso, exibindo um rosto tresloucado que o paralisou. Foi tudo tão de repente que não durou cinco segundos. Então o rapaz correu, deu a volta no quarteirão, passou novamente pelo local do assalto tranquilamente e entrou na casa de câmbio. Trocou os cem dólares por 280 reais.
Nesse dia, a casa de câmbio ganhou duas vezes em cima de um valor relativo de cem dólares, de mesma origem de economia: O homem roubado. Uma mulher de fartos peitos, loura, voltou sem trocar dinheiro para a repartição do órgão publico e comunicou a seus chefes, que a mandaram, que teriam que falar diretamente com os donos da casa de câmbio porque eles disseram que o dinheiro era “de risco” e o preço era outro. Os dois punguistas que roubaram o homem saíram para outra casa de câmbio do outro lado do centro da cidade. Sabiam que o mesmo golpe dado em curto espaço de tempo chama a atenção e não estava a fim de ir em cana. A senhora que sonhava com as férias adiou por pelo menos mais um ano. Dólar alto não compensa viajar. Em vez disso passaria os próximos fins de semana nas praias da zona sul e iría economizando para quando pudesse voltar a Cancun. 
O casal de gays viajou para os Eua e não se sabe que fim levaram. Aparentemente perderam tudo com os "coiotes" que os levariam a atravessar a fronteira entre México e EUA.
Os donos da casa de câmbio resolveram aumentar o “spread”, ou seja, a diferença entre o valor do dólar para compra e do de venda, para cobrir riscos e contrataram uma equipe de advogados famosa por sua qualificação em assuntos internacionais, que tem escritórios na Avenida Rio Branco.
Chamado às pressas no palácio um expert em economia encontrou-se seu imediato acima. A conversa teria sido mais ou menos assim:
- Não quero abrir mão do que estou fazendo, dos meus gastos. Como arranjar dinheiro?
- Sem gerar inflação?
- Isso não me interessa. Isso é problema seu. Responda ao que lhe perguntei.
- Sem gerar inflação é impossível na conjuntura atual. Está tudo quase parando, quer o comércio quer a industria. Não havendo faturamento caem os impostos, arrecadamos menos, não há verbas. Já com inflação... (Deu um suspiro e rezou a seu Deus)
-... Já com inflação, podemos aumentar os combustíveis, a energia elétrica, os salários dos políticos e servidores públicos, dos professores, da água, dos transportes, porque tudo isso gera impostos, e quanto mais impostos se cobram mais verbas entram. Se isso não for suficiente, aumentam-se os impostos, cortam-se os “mortos”, ou seja, as aposentadorias, o bolsa-família, os serviços públicos em geral... Ou ainda... 
- Ainda o quê?
- Podemos dizer que a verba saiu para os serviços públicos sem sair e usar para o que a senhora quiser. Mas se descobrirem vai dar zebra.
- Gosta muito de sua carreira, de sua família, não é...O senhor vai contar?
- Eu não!
- Então não se preocupe que isso é assunto meu. Depois lhe comunico o que fazer...


E se a percepção do que não se conhece tiver laivos de realidade, assim poderia ter sido, mas se a percepção estiver equivocada, não é nada disto porque não se pode ter percepção sobre o que se desconhece, mas os efeitos são os mesmos que isto, o que se assiste e se sente. Afinal, não é o dólar que sobe como parece, mas o real que desce como a futuro se prove. E se não for por dôlo é por incompetência que também é o que se vê e sente. 

® Rui Rodrigues.   

   

segunda-feira, 15 de junho de 2015

anjos, demônios e outros bichos sem gênero


Não sou desses de acreditar em fantasmas de qualquer sexo, lobisomens de qualquer sexo, múmias vivas de qualquer sexo, bruxas ou bruxos, zumbis de qualquer sexo, e até já me perguntei porque razão algumas destas avantesmas não têm sexo definido. Somos obrigados a dizer fantasma fêmea, zumbi fêmea. Para anjos também ainda não existe o feminino anja. Vejo-me obrigado a adicionar a palavra ao dicionário. Então, lá pelos meus nove anos ainda rezava ao meu “anjo da guarda”, mas os meus hormônios já me puxavam para o lado das revistinhas onde aparecia mulher nua. Até perguntei a uns colegas do catecismo se sabiam que anjos da guarda tinham, se já tinham visto alguns. 

O Zé do porteiro, porque era filho do porteiro, disse-me com ares superiores que o sexo do anjo não importava. Eu já achava que não, de modo que continuei minhas pesquisas e fiquei espantado. Ninguém tinha visto ainda um anjo da guarda. Como era isso possível que, além de não se ver Deus, não se viam os santos, nem os anjos... Não se via nada daquilo em que queriam que acreditássemos. Foi então que li uma passagem da Bíblia da qual me ficou apenas o resumo: “Ver e crer como São Tomé”, e a partir daí, passei a acreditar apenas no que via ou no que alguém, conhecido, credível, dissesse que tinha visto. E mesmo assim, esperava sempre uma oportunidade em que eu também pudesse ver para confirmar, não fossem me enfiar uma patranha, como aquela das “luzes de Santa Eufêmia”, que passavam pelo caminho entre minha terra e uma outra chamada Viso, uma descendo a serra e outra subindo, e que paravam por instantes frente a uma capela e depois desapareciam. Nunca as vi. Lá na terra diziam que existiam e que já as tinham visto.
 As luzes eram das almas de dois almocreves que se mataram um ao outro ali mesmo, onde existe a tal capela. A caminho das festas do Viso, montanha acima, dá uma sede danada. Pois lá está a capela, e nem um cano de água para matar a sede dos peregrinos que vão à festa. Para mim, aplicaram equivocadamente o dinheiro ou da igreja, ou do povo que a construiu. Deve ser herança celta, estas crenças, porque também havia uma casa no “largo do senhor” que diziam, era habitada por um fantasma não sei de que sexo. Parece que era masculino, o fantasma. Nunca o vi também, nem ouvi os passos com grilhões de ferros amarrados nos pés que outras crianças da aldeia diziam ouvir. Não posso deixar de referenciar Mark Twain e seus pequenos e simpáticos personagens, Tom Sawyer e Huckleberry Finn que também passaram por essa prova da existência de fantasmas. Não há fantasmas. Nem extraterrestres. 
Essas idéias saíram da imaginação de gente muito interessante, que decidiram criar medo nos outros, até como diversão. E vampiros? Claro que não existem vampiros. “Morreu, tchau e benção”. Um amigo meu que morava na cidade e foi de férias à minha terra, nunca tinha visto a vida no campo e o leite era ainda engarrafado, se lhe falassem numa vaca que dava leite diria que vacas eram de vidro, redondas e tinham tampa. Chegaram ao entardecer e depois de jantar e uma conversa, fomos dormir com a recomendação de rezar ao anjo da guarda. Claro que lhe perguntei se tinha visto algum, e disse-lhe o que todos diziam: Que tinham asas com penas brancas. No dia seguinte logo pela manhã, uma algazarra, e lá vem o garoto gritando: Peguei um anjo, peguei um anjo!... Era a Matilde, uma galinha branca que tínhamos no quintal em meio a outros “anjos” de penas. Tal é a crença nos anjos da guarda. Mas, como crenças são crenças, cada um tem a sua. Mas tive sim, dentre outros, um anjo da guarda chamado Zé. Simplesmente Zé. Não era meu empregado, nunca lhe fiz favor nenhum. Ele se ofereceu para ser meu segurança na obra. Ele e mais vinte, pelo que me disse. Perguntei-lhe porquê. Disse-me que era pela forma como eu tratava o pessoal. Para ele e os outros não custava nada. Obra é um lugar perigoso onde tanto se arranjam amigos como inimigos.
 E muitas vezes por absolutamente nada. Nunca soube porque o elevador de obra caiu num sábado do sétimo andar até o primeiro subsolo, e assim mesmo porque logo que começou a despencar éramos dois a puxar o freio que estava por cima de nossas cabeças. Não foi o Zé que me cuidou, fomos dois puxando o freio. Se houve ou não intenção, nem quero saber, mas passei a evitar o elevador. Nem foi demônio macho ou demônio fêmea que fez soltar o cabo. Subia pelas escadas e isso me deu condicionamento físico excelente. Vinte e sete andares todos os dias várias vezes ao dia. Deu-me também mais um incentivo a meu espírito de programação: para evitar subir mais vezes ainda, programava tudo o que tinha que fazer em cada viagem antes e depois do almoço. As outras eram de emergência.




® Rui Rodrigues