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quinta-feira, 10 de maio de 2012

Camarate - Ato terrorista mata Sá Carneiro




O CASO CAMARATE

(Sobre o atentado aéreo em que morreram o primeiro ministro Sá Carneiro e o ministro da defesa Adelino Amaro da Costa, sendo reeleito em decorrência, Ramalho Eanes que tinha um perfil mais adequado aos interesses da CIA, entenda-se EUA.)

Se o poder estivesse com os cidadãos através de voto a qualquer instante, podendo eleger/deseleger, políticos não teriam a importância nem o poder que têm, e para mudar os rumos de uma nação seria necessário matar a todos.

A CIA – Central Intelligence Agency da qual todos ouvimos falar mas não conhecemos muito bem, costuma fazer alguns inimigos em decorrência natural de suas ações. Agentes convencidos e enganados para executarem determinadas ações acabam por tornarem-se seus inimigos. Acontece com todas as agências de Inteligência. Porém, tanto agentes da CIA quanto seus inimigos perpetuam atentados à vida que até então era considerada inocente. Foi o caso de Bin Laden que já havia trabalhado para a CIA e o de Fernando Farinha Simões que somente agora em abril de 2012 resolveu contar o que aconteceu no abate do avião em que viajavam Sá Carneiro que se candidatava ao posto de primeiro ministro e estava em campanha, e ao ministro da defesa de Portugal Adelino Amaro da Costa. O atentado aconteceu em  Camarate no dia 04 de dezembro de 1980. O aeroporto da cidade do Porto tem hoje o nome de Sá Carneiro, assassinado pelos interesses políticos.

Ainda hoje no Brasil nos intrigamos e interrogamos com a queda do helicóptero de Ulysses Guimarães, ainda sem explicação, e com a morte de Tancredo Neves exatamente quando já fazia declarações à imprensa após melhoras notáveis em relação à sua doença.   

Enquanto não tivermos uma Democracia Participativa, coisas como esta continuarão a ocorrer, porque é muito grande o poder que reis, ministros, primeiro ministros e ditadores têm de fazer leis e aplicá-las sem o consentimento da população. Não existe democracia verdadeira.

O depoimento a seguir, de Fernando Farinha Simões, agente da CIA, é determinante para entendermos o que aconteceu: ele armou tudo em conjunto com a CIA e outros que são figuras públicas.

O texto da carta que Fernando Farinha Simões fez divulgar – com todas as explicações, digna de filme na linha de James Bond ou de Bin Laden – está transcrita a seguir:

Eu, Fernando Farinha Simões, decidi finalmente, em 2011, contar toda a verdade sobre Camarate. No passado nunca contei toda a operação de Camarate, pois estando a correr o processo judicial, poderia ser preso e condenado. Também porque durante 25 anos não podia falar, por estar obrigado ao sigilo por parte da CIA, mas esta situação mudou agora, ao que acresce o facto da CIA me ter abandonado completamente desde 1989. Finalmente decidi falar por obrigação de consciência.
Fiz o meu primeiro depoimento sobre Camarate, na Comissão de Inquérito Parlamentar, em 1995. Mais tarde prestei alguns depoimentos em que fui acrescentando factos e informações. Cheguei a prestar declarações para um programa da SIC, organizado por Emílio Rangel, que não chegou contudo a ir para o ar.
Em todas essas declarações públicas contei factos sobre o atentado de Camarate, que nunca foram desmentidos, apesar dos nomes que citei e da gravidade dos factos que referi. Em todos esses relatos, eu desmenti a tese oficial do acidente, defendida pela Polícia Judiciária e pela Procuradoria Geral da Republica. Numa tive dúvidas de que as Comissões de Inquérito Parlamentares estavam no caminho certo, pois Camarate foi um atentado.
Devo também dizer que tendo eu falado de factos sobre Camarate tão graves.e do envolvimento de certas pessoas nesses factos, sempre me surpreendeu que essas pessoas tenham preferido o silêncio. Estão neste caso o Tenente Coronel Lencastre Bernardo ou o Major Canto e Castro. Se se sentissem ofendidos pelas minhas declarações, teria sido lógico que tivessem reagido. Quanto a mim, este seu silêncio só pode significar que, tendo noção do que fizeram, consideraram que quanto menos se falar no assunto, melhor.Nessas declarações que fiz, desde 1995, fui relatando, sucessivamente, apenas parte dos factos ocorridos, sem nunca ter feito a narração completa dos acontecimentos.
Estavamos ainda relativamente próximos dos acontecimentos e não quis portanto revelar todos os pormenores, nem todas as pessoas envolvidas nesta operação. Contudo, após terem passado mais de 30 anos sobre os factos, entendi que todos os portugueses tinham o direito de conhecer o que verdadeiramente sucedeu em Camarate. Não quero contudo deixar de referir que hoje estou profundamente arrependido  de ter participado nesta operação, não apenas pelas pessoas que aí morreram, e cuja qualidade humana só mais tarde tive ocasião de conhecer, como do prejuízo que constituiu, para o futuro do país, o desaparecimento dessas pessoas. Naquela altura contudo, camarate era apenas mais uma operação em que participava, pelo que não medi as consequências. Peço por isso desculpa aos familiares das vítimas, e aos Portugueses em geral, pelas consequências da operação em que participei.
Gostaria assim de voltar atrás no tempo, para explicar como acabei por me envolver nesta operação. Em 1974 conheci, na África do Sul, a agente dupla alemã, Uta Gerveck, que trabalhava para a BND (Bundesnachristendienst) - Serviços de Inteligência Alemães Ocidentais, e ao mesmo tempo para a Stassi. A cobertura legal de Uta Gerveck é feita atravez do conselho mundial das Igrejas (uma espécie de ONG), e é através dessa fachada que viaja praticamente pelo Mundo todo, trabalhando ao mesmo tempo para a BND e para a Stassi. Fez um livro em alemão que me dedicou, e que ainda tenho, sobre a luta de liberdade do PAIGC na Guiné Bissau. O meu trabalho com a Stassi veio contudo a verificar-se posteriormente, quando estava já a trabalhar para a CIA. A minha infiltração na Stassi dá-se por convite da Uta Gerveck, em l976, com a concordância da CIA, pois isso interessava-lhes muito.
Úta Gerveck apresenta-me, em 1978, em Berlim Leste, a Marcus Wolf, então Director da Stassi. Fui para esse efeito então clandestinamente a Berlim Leste, com um passaporte espanhol, que me foi fornecido por Úta Gerveck. 0 meu trabalho de infiltração na Stassi consistiu na elaboração de relatórios pormenorizados acerta das “toupeiras" infiltradas na Alemanha Ocidental pela Stassi. Que actuavam nomeadamente junto de Helmut Khol, Helmut Schmidt e de Hans Jurgen Wischewski. Hans Jurgen Wischewski era o responsável pelas relações e contactos entre a Alemanha Ocidental e de Leste, sendo Presidente da Associação Alemã de Coopenção e Desenvolvimento (ajuda ao terceiro Mundo), e também ia às reuniões do Grupo Bilderberg. Viabilizou também muitas operações clandestinas, nos anos 70 e 80. de ajuda a gupos de libertação, a partir da Alemanha Ocidental. Estive também na Academia da Stassi, várias vezes, em Postdan - Eiche.
Relativamente ao relatodos factos, gostaria de começar por referir que tenho contactos, desde 1970, em Angola, com um agente da CIA, que é o jornalista e apresentador de televisão Paulo Cardoso (já falecido). Conheci Paulo Cardoso em Angola com quem trabalhei na TVA - Televisão de Angola na altura.
Em 1975, formei em Portugal, os CODECO com José Esteves, Vasco Montez, Carlos Miranda e Jorge Gago (já falecido). Esta organização pretendia, defender, em Portugal, se necessário por via de guerrilha, os valores do Mundo Ocidental.
Atrav´s de Paulo Cardoso sou apresentado, em 1975, no Hotel Sheraton, em Lisboa, a um agente da CIA, antena, (recolha de informações), chamado Philip Snell. Falei então durante algum tempo com Philip Snell. O Paulo Cardoso estava então a viver no Hotel Sheraton. Passados poucos dias, Philip Snell, diz-me para ir levantar, gratuitamente, um bilhete de avião, de Lisboa para Londres,  a uma agência de viagens na Av. de Ceuta, que trabalhava para a embaixada dos EUA. Fui então a uma reunião em Londres, onde encontrei um amigo antigo, Gary Van Dyk, da África do Sul, que colaborava com a CIA. Fui então entrevistado pelo chefe da estação da CIA para a Europa, que se chamava John Logan. Gary Van Dyk, defendeu nessa reunião, a minha entrada para a CIA, dizendo que me conhecia bem de Angola, e que eu trabalhava com eficiência. Comecei então a trabalhar para a CIA, tendo também para esse efeito pesado o facto de ter anteriormente colaborado com a NISS - National Intelligence Security Service ( Agência Sul Africana de Informações). Gary Van Dyk era o antena, em Londres, do DONS - Department Operational of National Security (Sul Africana).
Regressando a Lisboa, trabalhei para a Embaixada dos EUA, em Lisboa entre 1975 e 1988, a tempo inteiro. Entre 1976 e 1977, durante cerca de uma ano e meio vivi numa suite no Hotel Sheraton, o que pode ser comprovado, tudo pago pela Embaixada dos EUA. Conduzia então um carro com matrícula diplomática, um Ford, que estacionava na garagem do Hotel. Nesta suite viveu também a minha mulher, Elsa, já grávida da minha filha Eliana. O meu trabalho incluia recolha de informações /contra informações, informações sobre tráfico de armas, de operações de combate ao tráfico de droga, informações sobre terrorismo, recrutamento de informadores, etc. Estas actividades incluem contactos com serviços secretos de outros países, como a Stassi, a Mossad, e a "Boss" (Sul Africana), depois NISS - National Information Sectret Service, depois DONS e actualmete SASS.
Era pago em Portugal, reccebendo cerca de USD 5.000 por mês. Nestas actividades facilita o facto de eu falar seis línguas. Actuei utilizando vários nomes diferentes, com passaportes fornecidos pela Embaixada dos EUA em Lisboa. Facilitava também o facto de eu falar um dialecto angolano - o kimbundo.
A Embaixada dos EUA tinha também uma casa de recuo na Quinta da Marinha, que me estava entregue, e onde ficavam frequentemente agentes e militares americanos, que passavam por Portugal. Era a vivenda "Alpendrada".
A partir de  1975,  como referi, passei a trabalhar directamente para a CIA. Contudo a partir de 1978, passei a trabalhar como agente encoberto, No chamado "Office of Special Operations", a que se chamava serviços clandestinos, e que visavam observar um alvo, incluindo perseguir, conhecer e eliminar o alvo, em qualquer país do mundo, excepto nos EUA. Por pertencermos a este Office, éramos obrigados a assinar uma clausula que se chamava "plausible denial"  que significa que se fossemos apanhados nestas operações com documentos de identificação falsos, a situação seria por nossa conta e risco, e a CIA nada teria a ver com a situação. Nessa circunstância tínhamos o discurso preparado para explicar o que estavamos a fazer, incluindo estarmos preparados para aguentar a tortura.
Trabalhei para o "Office of Special Operations ” até 1989, ano em que saí da CIA. 
Para fazer face a estes trabalhos e operações, as minhas oontas dos cartões de crédito do VISA, American Express e Dinners Club, tinham, cada uma, um planfond de 10.000 USD, que podiam ser movimentados em caso de necessidade. Estes cartões eram emitidos no Brasil, em bancos estrangeiros sedeados no Brasil, como o Citibank, o Bank of Boston ou o Bank of America. Entre 1975 e 1989, portanto durante cerca de 14 anos, gastei com estes cartões cerca de 10 milhões de USD, em operações em diversos paises, nomeadamente pagando a informadores, politicos, militares, homens de negócios, e também traficantes de armas e de drogas, em ligação com a DEA (Drug Enforcement Agency), Existiram outros valores movimentados à parte, a partir de um saco  azul, “em cash”, valores esses postos à disposição pelo chefe da estação da CIA, no local onde as operações eram realizadas. Este saco azul servia para pagar despesas como viagens, compras necessárias, etc.
Posso referir que a operação de Camarate, que a seguir irei transcrever custou a preços de 1980 entre 750.000 e 1 milhão de USD. Só o Sr, José António dos Santos Esteves recebeu 200.000 USD. Estas despesas relacionadas com a operação de Camarate, incluiram os pagamentos a diversas pessoas e participantes, como o Sr. Lee Rodrigues, como seguidamente irei descrever.
Entre 1975 e 1988, participei em vários cursos e seminários em Langley, Virginia e Quantico, pago pela CIA, sobre informação, desinformação, contra-informação. terrorismo, contra-terrorismo, infiltrações encobertas, etc, etc.
Trabalhei em serviços de infiltração pela CIA e pela DEA (Drug Enforcement Agency), em diferentes países, como Portugal, El Salvador, Bolívia, Colômbia,Venezuela, Peru, Guatemala, Nicarágua, Panamá, Chile, Líbano, Síria, Egipto, Argélia, Marrocos, Filipinas.
A minha colaboração com a DEA, iniciou-se em 1981, através de Richard Lee Armitage.
Em 1980, Richard Armitage viria também a estar comigo e com o Henry Kissinger em Paris, Richard Lee Armitage era membro do CFR (Counceil for Foreign Affairs and Relations) e da Organização e Cooperação para a Segurança da Europa (OSCE), criada pela CIA, Richard Armitage era também membro, na altura, do Grupo Carlyle, do qual o CEO era Frank Carlucci. O Grupo Carlyle dedica-se à construcção civil, imobiliário e é uma dos maiores grupos de tráfico de armas no Mundo,  junto com o Grupo Haliburton, chefiado por Richard "Dick" Cheney. O Grupo Carlyle pertence a vários investidores privados dos EUA, por regra do Partido Republicano. Este grupo promove nomeadamente vendas de armas, petróleo e cimento para países como o Iraque, Afeganistão e agora para os países da primavera árabe.
A lavagem do dinheiro do tráfico de armas e da droga, era feito, na altura, pelo Banco BCCI, ligado à CIA e à NSA - National Security Agency. O BCCI foi fundado em 1972 e fechado no princípio dos anos 90, devido aos diversos escândalos em que esteve envolvido.
Oliver North pertencia ao Conselho Nacional de Segurança, às ordens de william walker, ex-embaixador dos EUA em El Salvador. Oliver North seguiu e segue sempre as ordens da CIA, dependente de  William Casey. Oliver North está hoje retirado da CIA , e é CEO de vários grupos privados americanos, tal como Frank Carlucci.
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Da DEA conheci Celerino Castilho, Mike Levine, Anabelle Grimm e Brad Ayers, tendo trabalhado para a DEA entre 1975 até 1989. Da CIA trabalhei também com Tosh Plumbey, Ralph Megehee - tenente coronel da NSA, actualmente reformado. Da CIA trabalhei ainda com Bo Gritz e Tatum. Estes dois agentes tinham a sua base de operações em El Salvador, (onde eu também estive durante os anos 80, durante o tráfico Irão - Contras), desenvolvendo nomeadamente actividades com tráfico de armas. Uma das suas operações consistiu no transporte de armas dos EUA para El-Salvador, que eram depois transportadas para o Irão e a Nicarágua. Os aviões, normalmente panamianos e colombianos regressavam depois para os EUA com droga, nomeadamente cocaina, proveniente de países como a Colômbia, Bolivia e El Salvador, que serviam para financiar a compra de armas. Esta actividade desenvolveu-se essencialmente desde os finais dos anos 70 até 1988.
A cocaina vinha nomeadamente da Ilha Normans Cay, nas Bahamas, de que era proprietário Carlos Lheder Rivas. Carlos Rivas era um dos chefes do Carte de Medellin, trabalhando para este cartel e para ele próprio. Carlos Rivas era, neste contexto um personagem importante, sendo o braço direito de Roberto Vesco, que trabalhava para a CIA e para a NSA. Roberto Vesco era proprietário de Bancos nas Bahamas, nomeadamente o colombus trust. Carlos rivas fazia toda a logística de Roberto Vesco e forneciam armas a troco de cocaina, nomeadamente ao movimento de guerrilha Colombiano M19. Roberto Vesco está hoje refugiado em Cuba.
O dinheiro das operações de armas e de droga são lavadas no Banco BCCI e noutros bancos, com o nome de código "Amadeus". Há no entanto contas activas nas Bahamas e em Norman's Cay, nas Ilhas Jersey, que gerem contas bancárias, nomeadamente para o tráfico de armas para os “Contras” da Nicarágua, e para o Irão.
Como acima referi, muito desse dinheiro foi para bancos americanos e franceses, o que em parte explicará porquê é que Manuel Noriega foi condenado a 60 anos de prisão, tendo primeiro estado preso nos EUA, depois em França, e actualmente no Panamá. Foi preso porque era conveniente que estivesse calado, não referindo nomeadamente que partilhava com a CIA, o dinheiro proveniente da venda de armas e da venda de drogas. Noriega movimentava contas bancárias em mais de 120 bancos, com conhecimento da CIA. Noriega fazia também parte da operação Black Eagle, dedicada ao tráfico de armas e de droga, que em 1982 se transformou numa empresa chamada Enterprise, com a colaboração de Oliver North e de Donald Gregg da CIA.
Em face do grau de informações e de conhecimento que tinha, é fácil de perceber porquê se verificou o derrube e a prisão de Noriega. Devo dizer que estou pessoalmente admirado que não o tenham até agora “suicidado", pois deve ter muitos documentos ainda guardados. Noriega tinha a intenção de contar tudo o que sabia sobre este tráfico, nomeadamente sobre os serviços prestados à CIA e a Bush Pai, tendo por isso sido preso. Washington e a CIA são assim veículos importantes do tráfico de armas e de droga, utilizando nomeadamente os pontos de apoio de South Flórida e do Panamá.
No início dos anos 80 conheci um traficante do cartel de Cali, de nome Ramon Milian Rodriguez, que depois mais tarde perante uma comissão do Senado Americano, onde falou do tráfico de armas e de droga, do branqueamento de dinheiro, bem como das cumplicidades de Oliver North neste tráfico às ordens de Bush Pai e do Donald Gregg.
Muito do dinheiro gerado nessas vendas foi para bancos americanos e franceses. Este dinheiro servia também para compras de propriedades imobiliárias. Por estar ligado a estas operações, Noriega foi preso pelos EUA.
Foi numa operação de droga que realizei na Colômbia e nas Bahamas, em 1984, onde se deu a prisão de Carlos Lheder Rivas, do Cartel de Medallin, em que eu não concordei com os agentes da DEA da estação de Maiami, pois eles queriam ficar com 10 milões de dólars e com o avião "lear-jet" provenientes do tráfico de droga. Não concordando, participei desses agentes ao chefe da estação da DEA de Maiami. Este chefe mandou-lhes então levantar um inquerito, tendo sido presos pela própria DEA. A partir de aí a minha vida tornou-se num verdadeiro inferno, nomeadamente com a realização de armadilhas, e detenções, tendo acabado por sair da CIA em  1989, a conselho de Frank Carlucci. O principal culpado da minha saida da CIA foi e da DEA foi John C. Lawn, director da estação da DEA e amigo de Noriega e de outros traficantes. John Lawn encobriu, ou tentou encobrir, todos os agentes da DEA que denunciei aquando da prisão de Carlos Rivas. Ápos a minha saida da CIA, Frank carlucci continuou contudo a ajudar-me com dinheiro, com conselhos e com apoio logístico, sempre que eu precisei até 1994. 
Regressando contudo à minha actividade em Portugal, anteriormente a camarate e ao serviço da CIA, devo referir que conheci Frank Carlucci, em 1975, através de duas pessoas: um jornalista Português da RTP, já falecido, chamado Paulo Cardoso de Oliveira, que conhecera em Angola, e que era agente da CIA, e Gary Van Dyk, agente da BOSS (Sul Africana) que conheci também em Angola. Mantive contactos directos frequentes com Frank Carlucci, sobretudo entre l975 e 1982, de quem recebi instruções para vários trabalhos e operações. Os meus contactos com Frank Carlucci mantêm-se até hoje, com quem falo ainda ocasionalmente pelo telefone. A última vez que estive com ele foi em Madrid, em 2008, na escala de uma viagem que Frank Carlucci realizou à Turquia.
Em Lisboa, também lidei e recebi ordens de William Hasselberg - antena da CIA em Lisboa, que além de recolher informacões em Lisboa actua como elo de ligação entre portugueses e americanos. Tive inclusivamente uma vida social com William Hasselberg, que inclui uma vida nocturna em Lisboa, em diferentes bares, restaurantes, e locais públicos. William Hasselberg gostava bastante da vida nocturna, onde tinha muito gosto em aparecer com as suas diversas “conquistas” femininas. Trabalhei também com outros agentes da CIA, nomeadamente Philip Agee. Neste ambito, trabalhei em operações de tráfico de armas, e em infiltrações em organizações com o objectivo de obter informações políticas e militares, “Billie” Hasselberg fala bem português, e era grande amigo de Artur Albarran, Hasselberg e Albarran conheceram-se numa festa da embaixada da Colômbia ou Venezuela, tendo Albarran casado nessa altura, nos anos 80, com a filha do embaixador, que foi a sua primeira mulher.
Das reuniões que tive com a embaixada  americana em Lisboa, a partir de 1978, conheci vários agentes da CIA. O Chefe da estação da CIA em Portugal, John Logan, oferece-me um livro seu autografado. Conheci também o segundo chefe da CIA, Sr. Philip Snell, Sr. James Lowell, e o Sr. Arredondo. Da parte militar da CIA conheci o cor Wilkinson, a partir de quem conheci o coronel Oliver North e o coronel Peter Bleckley. O coronel Oliver North, militar mas também agente da CIA e o coronel Peter Bleckley, são os principais estrategas nos contactos internacionais, com vista ao tráfico e venda de armas, nomeadamente com países como Irão, Iraque, Nicarágua, e o El Salvador. Na sequência do conhecimento que fiz com Oliver North , tendo várias reuniões com ele e com agentes da CIA, por causa do tráfico e negócio de armas. Estas reuniões têm lugar em vários países, como os EUA, o México, a Nicarágua, a Venezuela, o Panamá. Neste último país  contacto com dois dos principais adjuntos de Noriega, José Bladon, chefe dos serviços secretos do Panamá, que me disse que práticamente todos os embaixadores  do Panamá em todo o Mundo estavam ao serviço de Noriega. Blandon pediu-me na altura se eu arranjava um Rolls Royce Silver Spirits, para o embaixador do Panamá em Lisboa, o que acabei por conseguir.
Em meados de 1980, Frank Carlucci refere-me, por alto, e pela primeira vez, que eu iria ser encarregue de fazer um "trabalho" de importância máxima e prioritária em Portugal, com a ajuda dele, da CIA, e da Embaixada dos EUA em Portugal, sendo-me dado, para esse efeito, todo o apoio necessário.
Tenho depois reuniões em Lisboa, com o agente da CIA, Frank Sturgies, que conheço pela primeira vez. Frank Sturgies é uma pessoa de aspecto sinistro e com grande frieza, e é organizador das forças anti-castristas, sediadas em Miami, e é elo de ligação com os "contra" da Nicarágua. Frank Sturgies refere-me então, que está em marcha um plano para afastar, definitivamente, (entenda-se eliminar) uma pessoa importante, ligada ao Governo Português de então, sem dizer contudo ainda nomes.
Algum tempo depois, possívelmente em Setembro ou Outubro de 1980, jogo ténis com Frank Cariucci quase toda a tarde, na antiga residência do embaixador dos EUA, na Lapa. Janto depois com ele, onde Frank Cartucci refere novamente que existem problemas em Portugal para a venda e transporte de armas, e que Francisco Sá Carneiro não era uma pessoa querida dos EUA. Depois já na sobremesa, juntam-se a nós o General Diogo Neto, o Coronel Vinhas, o Coronel Robocho Vaz e Paulo Cardoso, onde se refere novamente a necessidade de se afastarem alguns obstáculos existentes ao negócio de armas. Todos estes elementos referem a Frank Caducci que eu sou a pessoa indicada para a preparação e implementação desta operação.
Em Outubro de 1980, num juntar no Hotel Sharaton onde participo eu, Frank Sturgies (CIA), Vilfred Navarro (CIA), o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas (já falecidos), onde se refere que há entraves ao tráfico de armas que têm de ser removidos. Depois há um outro jatar também no Hotel Sharaton, onde participam, entre outros, eu e o Coronel OliverNorth, onde este diz claramente que "é preciso limar algumas arestas" e "se houver necessidade de se tirar aguém do caminho, tira-se", dando portanto a entender que haverá que eliminar pessoas que criam problemas aos negócios de venda de armas. Oliver North diz-me também que está a ter problemas com a sua própria organização, e que teme que o possam querer afastar e "deixar cair", o que acabou por acontecer. 
Há também Portugueses que estavam a beneficiar com o tráfico de armas, como o Major Canto e Castro, o General Pezarat Correia, Franco Charais e o empresário Zoio. Sabe-se também já nessa altura que Adelino Amaro da Costa estava a tentar acabar com o tráfico de armas, a investigar o fundo de desenvolvimento do Ultramar, e a tentar acabar acabar com lobbies instalados. Afastar essas duas pessoas pela via política era impossível, pois a AD tinha ganho as eleições. Restava portanto a via de um atentado.
Passados alguns dias, recebo um telefonema do Major Canto e Castro (pertencente ao conselho da revolução), que eu já conhecia de Angola, pedindo para eu me encontrar com ele no Hotel Altis. Nessa reunião está também Frank Sturgies, e fala-se pela primeira vez em "atentado", sem se referirem ainda quem é o alvo. referem que contam comigo para esta operação. O Major Canto e Castro diz que é preciso recrutar alguém capaz de realizar esta operação.
Tenho depois uma segunda reunião no Hotel Altis com Frank Sturgies e Philip Snell, onde Frank Sturgies me encarrega de preparar e arranjar alguns operacionais para uma possível operação dentro de pouco tempo, possívelmente dentro de 2 ou 3 meses. Perguntam-me se já recrutou a pessoa certa para realizar este atentado, e se eu conheço algum perito na fabricação de bombas e em armas de fogo. Respondo que em Espanha arranjaria alguém da ETA para vir cá fazer o atentado, se tal fosse necessário. Quem paga a operação e a preparação do atentado é a CIA e o Major Canto e Castro. Canto e Castro colabora na altura com os serviços Secretos Franceses, para onde entrou através do sogro na época. O sogro era de Nacionalidade Belga, que trabalhava para a SDEC, os serviços de inteligência franceses, em 1979 e 1980. Canto e Castro casou com uma das suas filhas, quando estava em Luanda, em Angola, ao serviço da Força Aérea Portuguesa. Em Luanda, Canto e Castro vivia perto de mim.
Tendo que organizar esta operação, falo então com José Esteves e mais tarde com Lee Rodrigues ( que na altura ainda não conhecia). O elo de ligação de Lee Rodrigues em Lisboa era Evo Fernandes, que estava ligado à resistância moçambicana, a renamo. Falo nessa altura também com duas pessoas ligadas à ETA militar, para caso do atentado ser realizado através de armas de fogo.
Depois, noutro jantar em casa de Frank Carlucci, na Lapa, na Mansarda, no último andar, onde jantamos os dois sozinhos, Frank Carlucci diz abertamente e pela primeira vez, o que eu tinha de fazer, qual era a operação em curso e que esta visava Adelino Amaro da Costa, que estava a dificultar  o transporte e venda de armas a partir de Portugal ou que passavam em Portugal, e que havia luz verde dada por Henry Kissinger e Oliver North. Cumprimento ambos, referindo que sou "o homem deles em Lisboa".
Três semanas antes dos atentado, Canto e Castro e Frank Surgies, referem pela primeira vez, que o alvo do atentado é Adelino Amaro da Costa. O Major Canto e Castro afirma que irá viajar para Londres. Frank Sturgies pede-me que obtenha um cartão de acesso ao aeroporto para um tal Lee Rodrigues, que é referido como sendo a pessoa que levará e colocará a bomba no avião.
Recebo depois um telefonema de Canto e Castro, referindo que está em Londres e para eu ir ter lá com ele. Refere-me que o meu bilhete está numa agência de viagens situada na Av. da Republica , junto à pastelaria Ceuta. Chegado a Londres fico no Hotel Grosvenor, ao pé de Victoria Station. Canto e Castro vai buscar-me e leva-me a uma casa perto do Hotel, onde me mostra pela primeira vez, o material, incluindo explosivos, que servirão para confeccionar a "bomba" nesta operação. Essa casa em Londres, era ao mesmo tempo residência e consultório de um dentista indiano, amigo de Canto e Castro, Canto e Castro refere-me que esse material será levado para Portugal pela sua companheira Juanita Valderrama. O Major Canto e Castro pede-me então que vá ao Hotel Altis recolher o material. Vou então ao Hotel acompanhado de José esteves, e recebemos uma mala e uma carta da senhora Juanita, José Esteves prepara então uma bomba destinada a um avião, com esses materiais, com a ajuda de Carlos Miranda.
O Major Canto e Castro volta depois de Londres, encontra-se comigo, e digo-lhe que a bomba está montada. Lee Rodrigues é-me apresentado pelo Major Canto e Castro. Alguns dias depois Lee Rodrigues telefona-me e encontramo-nos para jantar no restaurante galeto, junto ao Saldanha, juntamente com Canto e Castro, onde aparece também Evo Fernandes, que era o contacto de Lee Rodrigues em Lisboa. Fora Evo Fernandes que apresentara Lee Rodrigues a Canto e Castro. Lee Rofrigues era moçambicano e tinha ligações à Renamo. Nesse jantar alinham-se pormenores sobre o atentado. Canto e Castro refere contudo nesse jantar que o atentado será realizado em Angola. Perante esta afirmação, pergunto se ele está a falar a sério ou a brincar, e se me acha com “cara de palhaço"- fazendo tenção de me levantar. Refiro que, através de Frank Carlueci, já estava a par de tudo. Lee Rodrigues pede calma, referindo depois Canto e Castro que desconhecia que eu já estava a par de tudo, mas que sendo assim nada mais havia a esconder.
Possivelmente em Novembro, é-me solicitado por Philip Snell que participe numa reunião em Cascais, num iate junto á antiga marina (na altura não existia a actual marina). Vou e levo comigo José Esteves. Essa reunião tem lugar entre as 20 e as 23 horas, nela participando Philips Snell, Oliver North, Frank Sturgies, Sydral e Lee Rodrigues e mais cerca de 2 ou 3 estrangeiros, que julgo serem americanos. Nesta reunião é referido que há que preparar com cuidado a operação que será para breve, e falam-se de pormenores a ter em atenção. É  referido também os cuidados que devem  ser realizados depois da operação, e o que fazer se algo correr mal. A língua utilizada na reunião é o Inglés. José Esteves recebeu então USD 200.000 pelo seu futuro trabalho. Eu não recebi nada pois já era pago normalmente pela CIA. Eu nessa altura recebia da CIA o equivalente a cinco mil dólares, dispondo também de dois cartões de crédito Diner's Club e Visa Gold, ambos com plafonds de 10.000 Doláres.
Lee Rodrigues pede-me então que arranje um cartão para José Esteves entrar no aeroporto. Para este efeito, obtenho um cartão forjado, na Mouraria, em Lisboa, numa tipografia que hoje já não existe. Lee rodrigues diz-me também que irá obter uma farda de piloto numa loja ao pé do Coliseu, na Rua das Portas de Santo Antão. A meu pedido, João Pedro Dias, que era carteirista, arranja também um cartão para Lee Rodrigues. Este cartão foi obtido por João Pedro Dias, roubando o cartão de Miguel Wahnon, que era funcionário da TAP.
Apenas foi necessário mudar-se a fotografia desse cartão, colocando a fotografia de Lee Rodrigues.
José Esteves prepara então em sua casa no Cacém,  um engenho para o atentado. Conta com a colaboração de outro operacional  chamado Carlos Miranda, expecialista em explosivos, que é recrutado por mim, e que eu já conhecia de Angola, quando Carlos Miranda era comandante da FNLA e depois CODECO em Portugal. José Esteves foi também um dos principais comandantes da FNLA, indo muitas vezes a Kinshasa.
Depois do artefacto estar pronto, vou novamente a Paris. No Hotel Ritz, à tarde, tenho um encontro com Oliver North, o cor. Wilkison e Philip Snell, onde se refere que o alvo a abater era Adelino Amaro da Costa, Ministro da Defesa.
Volto a Portugal, cerca de 5 ou 6 dias antes do atentado. É marcado por Oliver North um jantar no hotel Sheraton. Necesse jantar aparece e participa um indivíduo que não conhecia e que me é apresentado por Oliver North , chamado Penaguião. Penaguião afirma ser segurança pessoal de Sá Carneiro. Oliver North refere que Penaguião faz parte da segurança pessoal de Sá Carneiro e que é o homem que conseguirá meter Sá Carneiro no Avião. Penaguião afirma, de forma fria e directa que sá Carneiro também iria no avião, "pois dessa forma matavam dois coelhos de uma cajadada! " Afirma que a sua eliminação era necessária, uma vez que Sá Carneiro era anti-americano, e apoiava incondicionalmente Adelino Amaro da Costa na denúncia do trático de armas, e na descoberta do chamado saco azul do Fundo de Defesa do Ultramar, pelo que tudo estava, desde o início, preparado para incluir as duas pessoas. Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa. Fico muito receoso, pois só nesse momento fiquei a conhecer a inclusão de Sá Carneiro no atentado. Pergunto a Penaguião como é que ele pode ter a certeza de que Sá Carneiro irá no avião, ao que Penaguião responde de que eu não me preocupasse pois que ele, com mais alguém, se encarregaria de colocar Sá Carneiro naquele avião naquele dia e naquela hora, pois ele coordenava a segurança e a sua palavra era sempre escutadda. No final do jantar, juntam-se a nós três o General Diogo Neto e o Coronel Vinhas.
Fico estarrecido com esta nova informação sobre Sá Carneiro, e decido ir, nessa mesma noite, à residência do embaixador dos EUA, na Lapa, onde estava Frank Carlucci, a quem conto o que ouvi. Frank Carlucci responde que não me preocupasse, pois este plano já estava determinado há muito tempo. Disse-me que o homem dos EUA era Mário Soares, e que Sá Carneiro, devido à sua maneira de ser, teimoso e anti-americano, não servia os interesses estratégicos dos EUA. Mário Soares seria o futuro apoio da política americana em Portugal, junto com outros lideres do PSD e do PS. Aceito então esta situação, uma vez que Frank Carlucci já me havia dito antes que tudo estava assegurado, inclusivamente se algo corresse mal, como a minha saída de Portugal, a cobertura total para mim e para mais alguém que eu indicasse, e que pudesse vir a estar em perigo. Isto é a usual "realpolitik" dos Estados Unidos, e suspeito que sempre será.
Três dias antes do atentado há uma nova reunião, na Rua das Pretas no Palácio Roquete, onde participam Canto e Castro, Farinha Simões, Lee Rodrigues, José esteves e Carlos Miranda. Carlos Miranda colaborou na montagem do engenho explosivo com José Esteves, tendo ido várias vezes a casa de José esteves. Nessa reunião são acertados os últimos pormenores do atentado. Nessa reunião, Lee Rodrigues diz que ele está preparado para a operação e Canto e Castro diz que o  atentado será a 3 ou 4 de Dezembro. Nessa reunião é dito que o alvo é Adelino Amaro da Costa. No dia seguinte encontramo-nos com Canto e Castro no Hotel Sheraton, e vamos jantar ao restaurante "O Polícia".
No dia 4 de Dezembro, telefono de um telefone no Areeiro, para o Sr. William Hasselberg, na Embaixada dos EUA, para confirmar que o atentado é para realizar, tendo-me este referido que sim. Desse modo, à tarde, José Esteves traz uma mala a minha casa, e vamos os dois para o aeroporto. Conduzo José esteves ao aeroporto, num BMW do José Esteves.
Já no aeroporto, José Esteves e eu entramos no aeroporto, por uma porta lateral, junto a um posto da Guarda Fiscal, utilizando o cartão forjado, anteriormente referido. Depois José Esteves desloca-se e entrega a mala, com o engenho, a Lee Rodrigues, que aparece com uma farda de piloto e é também visto por mim. Depois de cerca de 15 minutos, sai já sem a mala, e sai comigo do aeroporto. Separamo-nos, mas mais tarde José esteves encontra-se novamente comigo no cabeleireiro Bacta, no centro comercial Alvalade.
Depois José esteves aparece em minha casa com a companheira da época, de nome Gina, e com um saco de roupa para lá ficar por precaução. Ouvi-mos depois o noticiário das 20 horas na televisão, e José Esteves fica muito surpreendido, pois não sabia que Sá Carneiro também ia no avião.
Afirma que fomos enganados. Telefona então para Lencastre Bernardo, que tinha grandes ligações à PJ e à PJ Militar, e uma Ligação ao General Eanes, Lencastre Bernardo tem também ligações a Canto e Castro, Pezarat Correia, Charais, ao empresário Zoio a José António Avelar que era ex-braço direito de Canto e Castro. José Esteves telefona-lhe, e pede para se encontrar com ele. Este aceita, pelo que, pelas 23 horas, José Esteves, eu, e a minha mulher Elza, dirigimo-nos para a Rua Gomes Freire, na PJ, para falar com ele. José Esteves sobe para falar com Lencastre Bernardo que lhe tinha dito que não se preocupasse, pois nada lhe sucederia. Passámos contudo por casa de José Esteves pois este temia que aí houvesse já um conjunto de polícias à sua procura, devido a considerarem que ele estava associado à queda do avião em camarate. José Esteves ficou assim aliviado por verificar que não existia aparato policial à porta de sua casa. Vem contudo dormir para minha casa.
Alguns dias depois falei novamente com Frank Carlucci. A quem manifestei o meu desconhecimento e ter ficado chocado por ter sabido, depois de o avião ter caído, que acompanhantes e familiares do Primeiro Ministro e do Ministro da Defesa também tinham ido no Avião. Frank Carlucci respondeu-me que compreendia a minha posição, mas que também ele desconhecia que iriam outras pessoas no avião, mas que agora já nada se podia fazer.
Em 1981, encontro-me com Victor Pereira, na altura agente da Polícia Judiciaria, no restaurante Galeto, em Lisboa. Conto a Victor Pereira que alguns dos atentados estão atribuidos às Brigadas  Revolucionárias, relacionados com a colocação de bombas, foram porém efectuadas pelo José Esteves, como foram os casos dos atentados à bomba na Embaixada de Angola, de Cuba ( esta última com conhecimento de Ramiro Moreira), na casa de Torres Couto, na casa do prof. Diogo Freitas do Amaral, na casa do Eng. Lopes Cardoso, e na casa de Vasco Montez, a pedido deste, junto ao Jumbo em Cascais, para obter sencionalismo á época, tendo José Esteves espalhado panfletos iguais aos da FP25. Não falei então com Victor Pereira de camarate. Tomei conhecimento no entanto que Victor Pereira, no dia 4 de Dezembro de 1980, tendo ido nessa noite ao aeroporto da Portela, como agente da PJ, encontrou a mala que era transportada pelo eng. Adelino Amaro da Costa. Nessa mala estavam documentos referentes ao tráfico de armas  e de pessoas envolvidas com o Fundo de defesa do Ultramar. Salvo erro, Victor Pereira entregou essa mala ao inspector da PJ Pedro Amaral, que por sua vez a entregou na PJ. Disse-me então Victor Pereira que essa mala, de maior importância no caso de Camarate, pelas informações que continha, e que podiam explicar os motivos e as pessoas por detrás  deste atentado, nunca mais voltou a aparecer. Esta informação foi-me transmitida por Victor Pereira, quando esteve preso comigo na prisão de Sintra, em 1986. Não referi então a Victor Pereira que, como descrevo a seguir, eu tinha já tido contacto com essa mala, em finais de 1982, pelo facto de trabalhar com os serviços secretos na Embaixada dos EUA.
Também em 1981, uns meses depois do atentado, eu e o José Esteves fomos ter com o Major Lencastre Bernardo, na Polícia Judiciária, na Rua Gomes Freire. Com efeito, tanto o José Esteves como eu, andávamos com medo do que nos podia suceder por causa do nosso envolvimento no atentado de Camarate, e queríamos saber o que se passava com a nossa protecção por causa de Camarate. Eu não participo na reunião, fico à porta. Contudo José Esteves diz-me depois que nessa conversa Lencastre Bernardo lhe referiu que, numa anterior conversa com Francisco Pinto Balsemão, este lhe havia dito ter tido conhecimento prévio do atentado de Camarate, pois em Outubro de 1980, Kissinger o informou de que essa operação ia ocorrer. Disse-lhe também que ele próprio tinha tido conhecimento prévio do atentado de Camarate. Disse-lhe ainda que podíamos estar sossegados quanto a Camarate, pois não ia haver problemas connosco, pois a investigação deste caso ia morrer sem consequências.
A este respeito gostaria de acrescentar que numa reunião que tive, a sós, em 1986, com Lencastre Bernardo, num restaurante ao pé do edifício da PJ na Rua Gomes Freire, ele garantiu-me que Pinto Balsemão estava a par do que se ia passar em 4 de Dezembro. No restaurante Fouchet's, em Paris, Kissinger tinha-me dito, “por alto”, que o futuro Primeiro Ministro de Portugal seria pinto Balsemão. E importante referir que tanto Henry Kissinger como Pinto Balsemão eram já, em 1980, membros destacados do grupo Bilderberg, sendo certo que estas duas pessoas levavam convidados às reuniões anuais desta organização.
Deste modo, aquando da conversa com Lencastre Bernardo, em 1986, relacionei o que ele me disse sobre Pinto Balsemão, com o que tinha ouvido em Paris, em 1980. Tive também esta informação, mais tarde, em 1993, numa conversa que tive com William Hasselberg, em Lisboa, quando este me confirmou de que Pinto Balsemão estava a par de tudo.
Em finais de 1982, pelas informações que vou obtendo na Embaixada dos EUA, em Lisboa, verifico que se fala de nomes concretos de personalidades americanas com tendo estado envolvidas em tráfico de armas que passava por Portugal. Pergunto então a William Hasselberg como sabem destes nomes. Ao fim de muitas insistências minhas, William Hasselberg acaba por me dizer que a PJ entregou, na embaixada dos EUA, uma mala com os documentos transportados por Adelino Amaro da Costa, em 4 de Dezembro de 1980, e que ficou junto aos destroços do avião, embora não me tenha dito quem foi a pessoa da PJ que entregou esses documentos. Peço então a William Hasselberg que me deixe consultar essa mala, uma vez que faço também parte da equipa da CIA em Portugal. Ele aceita, e pude assim consultar os documentos aí existentes. que consistiam em cerca de 200 páginas. Pude assim consultar este Dossier durante cerca de uma semana, tendo-o lido várias vezes, e resumido, à mão, as principais partes, uma vez que não tinha como fotografá-lo ou copiá-lo.
Vejo então, que apesar do desastre do avião, e da pasta de Avelino Amaro da Costa ter ficado queimada, e ter sido substituida por outra, os documentos estavam intactos. Estes documentos continham uma lista de compra de armas, que incluia nomeadamente  RPG-7, RPG-27, G3, lança granadas, dilagramas, munições, granadas, minas, rádios, explosivos de plástico, fardas, kalashiskovs AK-47 e obuses. Referia-se também nesses documentos que para se iludir as pistas, as vendas ilegais de armas eram feitas através de empresas de fachada, com os caixotes a referir que a carga se tratava de equipamentos técnicos, e peças sobresselentes para maquinas agrículas e para a construção civil. Esta forma de transportar armas foi-me confirmada várias vezes por Oliver North, no decorrer da década de 80, até 1988, e quando estive em Ilopango, no El Salvador, também na década de 80, verifiquei que era verdade.
Nestes documentos lembro-me de ver que algumas armas vinham da empresa portuguesa Braço de Prata, bem como referências de vendas de armas de Portugal e de países de Leste, como a Polónia e a Bulgária, com destino para a Nicarágua, Irão, El Salvador, Colombia, Panamá, bem como para alguns países Africanos que estavam em guerra, como Angola, ANC da África do Sul, Nigéria, Mali, Zimbawe, Quénia, Somália, Líbia, etc. Está também claramente referido nesses documentos que a venda de armas é feita atraves da empresa criada em Portugal chamada "Supermarket" (que operava através da empresa mãe "Black - Eagle").
Nos referidos documentos ví também que as vendas de armas eram legais através de empresas portuguesas, mas também havia vendas de armas ilegais feitas por empresas de fachada, com a lavagem de dinheiro em bancos suíços e "off-shores" em nome dos detentores das contas, tanto pessoas civis como militares.
As vendas ilegais de armas ocuriam por várias razões, nomeadamente: Em primeiro lugar muitos dos paises de destino, tinham oficialmente sanções e embargos de armas. Em segundo lugar os EUA não queriam oficialmente apoiar ou vender armas a certos países, nomeadamente aos contra da Nicarágua, ou ao Irão e ao Iraque, a quem vendiam armas ao mesmo tempo, e sem conhecimento de ambos. Em terceiro lugar a venda de armas ilegal é mais rentável e foge aos impostos. Em quanto lugar a venda de armas ilegal permite o branqueamento de capitais, que depois podiam ser aproveitados para outros fins. Entre os nomes que vi referidos nestes documentos figuravam:
- José Avelino Avelar
- Coronel Vinhas
- General Diogo Neto
- Major Canto e Castro
- Empresário Zoio
- General Pezarat Correia
- General Franco Charais
- General Costa Gomes
- Major Lencastre Bernardo
- Coronel Robocho Vaz
- Francisco Pinto Balsemão
Francisco Balsemão e Lencastre Bernardo eram referidos como elementos de ligação ao grupo Bildeberg e a Henry Kissinger, Francisco Balsemão pertence também à loja maçónica "Pilgrim", que é anglo-saxónica, e dependente do grupo Bildeberg. Lencastre Bernardo tinha também assinalada a sua ligação a alguns serviços de inteligência, visto ele ser, nos anos 80, o coordenador na PJ e na Polícia Judiciária Militar.
Entre as empresas Portuguesas que realizavam as vendas de armas atrás referidas, entre os anos 1974 e 1980, estavam referidas neste Dossier:
- Fundição de Oeiras (morteiros, obuses e granadas)
- Cometna (engenhos explosivos e bombas)
- OGMA (Oficinas Gerais Militares de Fardamento e OGFE (Oficinas de Fardamento do Exercito)
- Browning Viana S.A.
- A. Paukner Lda, que existe desde 1966
- Explosivos da Trafaria
- SPEL (Explosivos)
- INDEP (armamento ligeiro e monições)
- Montagrex Lda,
que actuava desde 1977, com Canto e Castro e António José Avelar. Só foi contudo oficialmene constituida em 1984, deixando, nessa altura, Canto e Castro de fora, para não o comprometer com a operação de Camarate. A Montagrex Lda operava no Campo Poqueno, e era liderada por António Avelar que era o braço direito de Canto e Castro e também sócio dessa empresa. O escritório dessa empresa no Campo Pequeno é um autentico “bunker", com portas blindadas, sensores, alarmes, códigos nas portas, etc. 
Canto e Castro e António Avelar são também sócios da empresa inglesa BAE - Systems, sediada no Reino Unido. Esta empresa vende sistemas de defesa, artilharia, mísseis, munições, armas submarinas, minas e sobretudo sistemas de defesa anti-mísseis para barcos.
Todos estes negócios eram feitos, na sua maior parte, por ajuste directo, através de brokers - intermediarios, que recebiam as suas comissões, pagas por oficiais do Exército, Marinha, Aeronáutica, etc.
Nestes documentos era referido que, como consequência desta vendas de armas, gerava-se um fluxo considerável de dinheiro, a partir destas exportações, legais e ilegais. Estes documentos referiam também a quem eram vendidas estas armas, sobretudo a países em guerra, ou ligados ao terrorismo internacional. Era também referido que todas estas vendas de armas eram feitas com a conivência da autoridade da época, nomeadamente  militares como o General Costa Gomes, o General Rosa Coutinho (venda de armas a Angola) e o próprio Major Otelo Saraiva de Carvalho ( venda de armas a Moçambique). Vi várias vezes o nome de Rosa Coutinho nestes documentos, que nas vendas de armas para Angola utilizava como intermediário o general reformado angolano, José Pedro Castro, bastante ligado ao MPLA, que hoje dispõe de uma fortuna avaliada em mais de 500 milhões de USD, e que dividia o seu tempo entre Angola, Portugal e Paris. O seu filho, Bruno Castro é director adjunto do Banco BIC em Angola.
No referido dossier estavam também referidos outros militares envolvidos neste negócio de armas, nomeadamente o Capitão Dinis de Almeida, o Coronel Corvacho, o Vera Gomes e Carlos Fabião.
Todas estas pessoas obtinham lucros fabulosos com estes negócios, muitas vezes mesmo antes do 25 de Abril de 1974 e até 1980. Era referido que estas pessoas, nomeadamente militares, que ajudavam nesta venda de armas, beneficiavam através de comissões que recebiam. Estavam referidos neste Dossier os nomes de "off-shores", que eram usadas para pagar comissões às pessoas atrás referidas e a outros estrangeiros, por Oliver North ou por outros enviados da CIA. Estas "off-shores" detinham contas bancárias, sempre numeradas.
Esta referência batia certo com o que Oliver north sempre me contou, de que o negócio das armas se proporciona através de "off-shores" e bancos controlados para a lavagem de dinheiro.
Vale a pena a este respeito referir que no negócio das armas, empresas do sector das obras públicas aparecem frequentemente associadas, como a Haliburton, a Carlyle, ou a Blackwater, (empresa de armas, construção e mercenários), entre outras. Esta relação está referida, há anos, em vários relatórios, nomeadamente nos relatórios do Bribe Payer Index (indice internacional dos pagadores de subornos), que é uma agencia americana. A indicação deste tipo de práticas foi desenvolvida mais tarde, pela Transparency International e pelo Comité Norte Americanos de Coordenação e Promoção do Comercio do Senado Americano, que referem que há muitos anos , mais de 50% do negócio e comercio de armas em Portugal, é feito através de subornos. Os americanos sempre usaram Portugal para o tráfico de armas, fazendo também funcionar a Base das Lajes, nos Açores, para este efeito, nomeadamente depois de 1973, aquando da guerra do Yom Kippur, entre Israel e os países árabes. Este tráfico de armas deu origem a várias contrapartidas financeiras, nomeadamente através da FLAD, que foi usada pela CIA para este efeito. A FLAD recebeu diversos fundos específicos para a requalificação de recursos humanos.
Não ví contudo neste Dossier observações referindo referindo que estas vendas de armas eram condenáveis ou que tinham efeitos negativos. Havia contudo uma pequena nota, em que algumas folhas de que se devia tomar cuidade com tudo o que aí estava escrito, e que portanto se devia actuar. Havia também na primeira página um carimbo que dizia "confidentical and restricted".
Estas vendas de armas continuaram contudo depois de 1980. Tanto quanto eu sei, estas vendas de armas continuaram a ser realizadas até 2004, embora com um abrandamento importante a partir de 1984, a partir do escandalo das fardas vendidas à Polónia.
No referido Dossier estavam também referidas personalidades americanas envolvidas no negócio de armas, nomeadamente Bush (Pai), dick Cheney, Frank Carlucci, Donald Gregg, vários militares, bem como a empresas como a Blackwater. são ainda referidas empresas ligadas aos EUA, como a Carlyle, Haliburton, Black Eagle Enterprise, etc, que estavam a usar Portugal para os seus fins, tanto pela passagem de armas através de portos portugueses, como pelo fornecimento de armas a partir de empresas portuguesas. Tirei apontamentos desses documentos, que ainda hoje tenho em meu poder.
A empresa atrás referida, denominada Supermarket, foi criada em Portugal em 1978, e operava através da empresa mão, de nome Black-Eagle, dirigida por William Casey, (membro do CFR (counceil for Foreign Affairs and Relations), ex-embaixador dos EUA nas Honduras e também com ligações à CIA). A empresa supermarker organizava a compra de armas de fabrico soviético, através de Portugal, bem como a compra de armas e munições portuguesas, referidas anteriormente, com toda a cumplicidade de Oliver North. Estas armas iam para entrepostos nas Honduras, antes de serem enviadas para os seus destinos finais. Oliver North pagou muitas facturas destas compras em Portugal, através de uma empresa chamada Gretsh World, que servia de fachada à Supermarket. Mais tarde, cerca de 1985, quando se começou muito a falar de camarate, Oliver North cancelou a operação "Supermarket, e fechou todas as contas bancárias.
Devo ainda referir que William Hasselberg e outros americanos da embaixada dos EUA, em Lisboa, comentaram comigo, várias vezes o que estava escrito neste Dossier.
Relativamente a Hasselberg isso era lógico, pois foi ele que me deu o Dossier a ler. Posteriormente comentei também o que estava escrito neste Dossier com Frank Carlucci, que obviamente já tinha conhecimento da informação nele contida.Tanto William Hasselberg, como membro da CIA, como outros elementos da CIA atrás referidos e outros, comentaram várias vezes comigo o envolvimento da CIA na operação de Camarate e neste negócio de armas. Lembro-me nomeadamente que quando alguém da CIA, me apresentava a outro elemento da Cia, dizia frequentemente "this is the portuguese guy, the one from Camarate, the case in Portugal with the plane!".
As vendas de armas, a partir e através de portugal, foram realizadas ao longo desses anos, pois era do interesse politico dos EUA. A CIA organizou e implementou estas vendas de armas em Portugal, à semelhança do que sucedeu noutros países, pois era crucial para os EUA que certs armas chegassem aos países referidos, de forma não oficial, tendo para isso utilizados militares e empresários Portugueses, que acabaram também por beneficiar dessas endas.
Como anteriormente referi, William Casei e Oliver North estavam, nas décadas  de 70 e 80 conluiados com o presidente Manuel Noriega, no escândalo Irão - contras (Irangate). Foi sempre Oliver North que se ocupou da questão dos refénsamericanos  no Irão, bem como da situação da América Central. Recebeu pessoalmente por isso uma carta de agradecimentos de George Bush Pai, Vice Presidente à época de Ronald Reagan.
Devo dizer a este respeito que John Bush, filho de Bush Pai, então com 35 anos, a viver na Flórida, pertencia em 1979 e 1980 ao “Condado de Dade", que era e é uma organização republicana, situada em South Florida, destinada a angariar fundos para as campanhas eleitorais republicanas. John Bush era um dos organizadores de apoios financeiros para os "contra" da Nicarágua.
Conheci também Monzer Al Kasser um grande traficante de armas que tinha uma casa em Puerto Banus em Marbella, e que me foi apresentado, em Paris, por Oliver North, em 1979.
Era um dos grandes vendedores de armas para os “Contra” na Nicarágua, trabalhando simultaneamente para os serviços secretos sírios, búlgaros e polacos. Na sua casa em Marbella, referiu-me também que, por vezes, o tráfico de armas era feito através de África, para que no Iraque não se apercebessem da sua proveniência, pois também vendiam ao mesmo tempo ao Irão e mesmoa Portugal. Este tráfico de armas, que estava em curso, desde há vários anos, em 1980, e o começo do caso Camarate.
Através de Al Kasser conheci, em Marbella, no final de 1981, outro famoso traficante de armas, numa festa em casa de Monzer, que se chamava Adrian Kashogi. Kashogi, como pude testemunhar em sua casa, tinha relações com políticos e empresários europeus, árabes e africanos, por regra ligados ao tráfico de armas e drogas.
Sou preso em 1986, acusado de tráfico de drogas. Esta prisão foi uma armadilha montada pela DEA, por elementos que nessa organização não gostavam de mim, por eu ter levado à detenção de alguns deles, como referi anteriormente. Fui então levado para a prisão de Sintra. Estou na prisão com o Victor Pereira, que aí também estava preso. Sei, em 1986, que estavam a preparar-se para me eliminar na prisão, pelo que peço à minha mulher Elza, para ir falar, logo que possível com Frank Carlucci. Em consequência disso recebo na prisão a visita de um agente da CIA, chamado Carlston, juntamente com outro americano. estes, depois de terem corrompido a direcção da prisão, incluindo o director, sub-director e chefe da guarda, bem como um elemento que se reformou muito recentemente, da Direcção Geral dos Serviços Prisionais, chamada Maria José de Matos, conseguem a minha fuga da prisão. Contribuiu ainda para esta minha fuga, mediante o recebimento de uma verba elevada, paga pelos referidos agentes americanos esta directora-adjunta da Direcção Geral dos Serviços Prisionais. Estes agentes americanos  obtêm depois um helicóptero, que me transporta para a Lousã, onde fico cerca de 20 dias. Vou depois para Madrid, com a ajuda dos americanos, e depois daí ara o Brasil. as despesas com a minha fuga da prisão custaram 25.000 euros, o que na época era uma quantia elevada.
Só mais tarde no Brasil, depois de 1986, é que referi a José Esteves que sabia que Sá Carneiro ia no avião, contando-lhe a história toda. José Esteves, responde então, que nesse caso, tinhamos corrido um grande risco. Eu tranquilizei-o, referindo que sempre o apoiei e protegi neste atentado. Dei-lhe apoio no Brasil no que pude. Assegurei-lhe também o transporte para o Brasil, obtendo-lhe um passaporte no Governo Civil de lisboa, entreguei-lhe 750 contos que me foram dados para esse efeito pela embaixada  dos EUA, em Lisboa, e arranjei-lhe o bilhete de avião de Madrid para o Rio de Janeiro . Na viagem de Lisboa para Madrid, José Esteves foi levado por Victor Moura, um amigo comum. No Rio de Janeiro ajudei-o a montar uma loja, numa roulote. Como trabalhava ainda para a embaixada  dos EUA, em Lisboa, estas despesas foram suportadas pela Embaixada. Ficou no Brasil cerca de  dois anos. Eu, contudo andava constantemente em viagem. 
José Esteves recebe depois um telefonema de Francisco Pessoa de Portugal, onde Francisco Pessoa o aconselha a voltar a Portugal, e a pedir protecção, a troco de ir depor na Comissão de Inquerito Parlamentar sobre Camarate. Esse telefonema foi gravado, mas José Esteves nunca chegou a obter uma protecção formal.
Telefono a Frank Carlucci, em 1987, pedindo-lhe para falar com ele pessoalmente. Ele aceita, pelo que viajo do Brasil, via Miami, para Washington. Pergunto-lhe então, em face do que se tinha falado de Camarate, qual seria a minha situação, se corria perigo por causa de Camarate, e se continuarei, ou não a trabalhar para a CIA. Frank Carlucci responde-me que sim, que continuarei a trabalhar para a CIA, tendo efectivamente continuado a ser pago pela CIA até 1989. Frank Carlucci confirma nessa reunião que puderam contar com a colaboração de Penaguião na operação de Camarate, e que ele, Frank Carlucci, esteve a par dessa participação.
Em 1994, foi-me novamente montada uma armadilha em portugal, por agentes da DEA que não gostavam de mim, por causa da referida prisão de agentes seus, denunciados por mim. Nesta armadilha participam também três agentes da DCITE - Portuguesa, os hoje inspectores Tomé, Sintra e Teófilo Santiago. Depois desta detenção, recebo a visita na prisão de Caxias de dois procuradores do Ministério Público, um deles, se não estou em erro, chamado Femando Ventura, enviados por Cunha Rodrigues, então Procurador Geral da República. Estes procuradores referem-me que me podem ajudar no processo de droga de que sou acusado, desde que eu me mantenha calado sobre o caso Camarate.
Por ser verdade. e por entender que chegou o momento de contar todo o meu envolvimento na operação de Camarate, em 4 de Dezembro de 1980, decidi realizar a presente Declaração, por livre vontade. Não podendo já alterar a minha participação nesta operação, que na altura estava longe de poder imaginar as trágicas consequências que teria para os familiares das vítimas e para o país, pude agora, ao menos, contar toda a verdade, para que fique para a História, e para que nomeadamente os portugueses possam dela ter pleno conhecimento.
Não quero, por ultimo, deixar de agradecer à minha mãe, à minha mulher Elza Simões, que ao longo destes mais de 35 anos, tanto nos bons como nos maus monmentos, sempre esteve a meu lado, suportando de forma extraordinária, todas as dificuldades, ausências, e faltas de didicaçâo à familia que a minha profissão implicava. Só uma grande mulher e um grande amor a mim tornaram possível este comportamento. Quero também agradecer à minha filha Eliana, que sempre soube aceitar as consequêncais que para si representavam a minha vida profissional, nunca tendo deixado de ser carinhosa comigo. Finalmente quero agradecer à minha mão que, ao longo de toda a minha vida me acarinhou e encorajou, apesar de nem sempre concordar com as minhas opções de vida. A natureza da sua ajuda e apoio, tiveram para mim uma importância excepcional, sem, as quais não teria conseguido prosseguir, em muitos momentos da minha vida. Posso assim afirmar que tive sempre o apoio de uma família excepcional, que foi para mim decisiva nos bons e maus momentos da minha vida.
Lisboa, 26 de Março de 2012
Fernando Farinha Simões
B.I. n.º 7540306

Veja também:
2-     Democracia Participativa - http://conscienciademocrata.no.comunidades.net/



quarta-feira, 9 de maio de 2012

O sputnik e o comportamento de massas




O Sputnik
(Minha primeira experiência freudiana sobre comportamento de massas)



Dia 04 de Outubro de 1957, uma sexta-feira.

Eu estudava no Liceu Gil Vicente em Lisboa, e num dos intervalos veio a notícia: a URSS havia lançado um satélite que seria visível nos céus pelo brilho da incidência dos raios solares sobre ele. Viajava a uma velocidade espantosa, dando 15 voltas por dia ao redor deste já insignificante planeta. Não me lembro em absoluto de nada do que foi ensinado no Liceu naquele dia. Não se falava em outra coisa. Queria ir para a rua para ver o Sputnik. Eu tinha 12 anos e cursava o segundo ano dos Liceus. Já sabia alguma coisa de física, mas era ainda muito pouco. De qualquer modo era um grande feito da humanidade.

O Sputnik 1 (em russo “Спутник-1” ou Satélite 1) era uma esfera de alumínio de 58,5 cm de comprimento e peso de 83,6 kg, na qual estavam acopladas quatro antenas e dois transmissores de rádio. Projetado pelo gênio astronáutico soviético Sergei Pavlovich Koroliov (1907-1966)- pelo menos os URSSianos diziam que sim - o satélite artificial foi lançado na ponta de um foguete R-7 do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, às 22h28, hora de Moscou.

Olhei para o céu na saída do colégio e não vi nada. Olhei em todas as direções. Meus companheiros também não viram nada. Descartamos assim qualquer deficiência de visão. Não poderíamos ter ficado todos cegos ao mesmo tempo assim tão de repente. Pessoas pelas quais passávamos falavam sobre o Sputnik. Comunistas e socialistas falavam mais alto. Os pró-ditadura de Salazar encolhiam os ombros e os democratas capitalistas diziam que não era nada demais. Eu sabia que era algo demais sim.

Em 03 de novembro de 1957, num domingo, a URS soltou outro satélite, desta vez com uma cadela chamada Laika, mas cinco horas depois do lançamento os técnicos pararam de receber os sinais vitais da pobre cadela. Morreu congelada e seu cadáver foi incinerado na reentrada da atmosfera cinco meses mais tarde. Um grande tributo de um pequeno animal empurrado á força para dentro da cápsula espacial, morto por erro técnico da equipe de controle de qualidade dos apressados técnicos URSSsianos, coisa que se repetiria anos mais tarde, por diversas vezes e com seres humanos nas investidas espaciais dos técnicos americanos, também por pressa e por erros técnicos da equipe de controle de qualidade da NASA. Os nasianos também erram, mas os americanos – dizem eles – jamais. E para pedir desculpas não usam o “apologize” mas o simples “I’m sorry” que já não tem o mínimo significado.

Na segunda feira, com a Laika já morta, saímos do Liceu e olhamos o céu. Nada!. Não víamos nada. Tinha que ser ao amanhecer, e não sabíamos disso, mas resolvemos fazer nosso teste, lembrando do “milagre” de Fátima.

Paramos na confluência da Rua das Colônias com a Avenida Almirante Reis, onde sempre passava muita gente a pé e fizemos um circulo apontando com os dedos para o céu. Murmurávamos interjeições de admiração e dizíamos: É o Sputnik... É o Sputnik!...  

(quem quiser ouvir o “bip” do Sputnik, ouça em http://idgnow.uol.com.br/estaticas/mp3s/sputnik.mp3)

E sem qualquer admiração ou surpresa, constatamos que muitos dos transeuntes, bastantes por sinal, paravam para olhar e concordavam que viam o satélite. Chegavam a dizer que o viam um pouco mais para a esquerda, ou para a direita, ou acima ou abaixo do lugar para onde apontávamos. Devia ter sido assim em Fátima: Para não se passarem por ignorantes, concordaram que viram o que a natureza não permite, e neste planeta nada é permitido que não seja natural ou feito pela humanidade, ou pela vida que a povoa. É uma Lei de Deus que não pode ser contrariada nem por Ele mesmo, porque não se arrepende das Leis que fez.

A corrida espacial começara.

O lançamento de um satélite artificial era muito mais do que alguma coisa técnica, coisa de cientistas. Na verdade era um projeto que começara ainda durante a segunda guerra mundial quando cientistas foram salvos do nazismo por russos, americanos e ingleses. Eram em sua maioria alemães e judeus alemães. Von Braun, por exemplo, foi salvo por americanos e comandaria mais tarde o programa espacial americano. Einstein era judeu e tinha desenvolvido as teorias da Relatividade geral e restrita, tão simples que pode ser traduzida numa fórmula: E=Mc2, origem do desenvolvimento das bombas atômicas, contra sua vontade.

Mas, muito mais do que isso eram os horizontes da humanidade que se abriam.

Havia esperanças de partir logo para a conquista do espaço e ter a oportunidade de largar este conturbado planeta, assim como famílias inteiras de perseguidos religiosos haviam demandado a América do Norte e o Nordeste do Brasil em busca de paz e tranqüilidade para viverem, mas os senhores do mundo – insistem, teimam que vivemos numa democracia – gastam o dinheiro público de forma independente e unilateral e muitos ainda o roubam.

Quanto á Laika, seu olhar potencialmente humano não deixa dúvidas: Sabia que estava numa grande encrenca... Nós também estamos com esses governos que não aplicam os dinheiros públicos como devem. 

terça-feira, 8 de maio de 2012

os 22 amigos


                                                                      Os 22 amigos

Nossa introspecção sobre nossos atos e o meio que nos influi faz com que nos movamos no tempo, hora a hora, minuto a minuto em plena transformação e evolução. Não somos os mesmos de anos atrás, como não somos os mesmos de um minuto atrás. Muitos de nós não percebemos essas alterações e juramos que sempre fomos assim. Convivemos com os nossos “agora” como se fossem sempre os mesmos e eternos.

Em 1961 eu tinha 16 anos e nascera num país habituado a descobrimentos, conquistas, colonialismo. Parentes meus contavam como alguns dos capatazes em Angola submetiam os trabalhadores negros “no chicote” em pleno século XX.  Não faziam o mesmo em Goa, nem em Damão, nem em Diu, nem em Timor. Perguntávamo-nos porquê.

Éramos 22 amigos que, residindo no mesmo bairro ou em outros adjacentes ao de Arroios, deixáramos de freqüentar a Igreja por sua inconsistência na pregação: Pregava paz, a moral, a ética e se colocava ao lado de governos colonialistas como a relação entre o Cardeal Cerejeira e Salazar atestava.  Alguns de nós freqüentávamos o Liceu Gil Vicente, outros o Liceu  Vaz de Camões. As guerras pela independência tinham começado em 1960, e As maiores potências do mundo as apoiavam. Salazar remava duramente contra o que chamava de “ventos da história”, e arrastava a juventude para guerras perdidas. Salazar já não pensava. Transformara-se num obcecado pelo narcisismo de sua figura pública, o homem que salvara Portugal das finanças, e que, usando o dinheiro de depósitos de emigrantes, gastava tudo o que juntara em guerras perdidas. Era um ditador, vestindo sua capa de homem de bem, de paz, calçando velhas botas negras polidas de seus vetustos tempos de seminarista frustrado. Sua voz afeminada e abafada já nos irritava em seus discursos, mas nossos comentários, entre os 22 amigos, ainda eram comedidos em 1961. Algum poderia tornar-se um delator.

Como currículo escolar era obrigatória, por todos os alunos da rede de ensino, a participação na Mocidade Portuguesa, com fardas verde e bege, compradas com o dinheiro de nossos pais, e um cinto com um S em bronze que diziam significar “Somos Soldados de Salazar”. Eu ficava impressionado como que a comunidade internacional não intervinha na nação, porque aquilo era uma volta ao Nazismo, ao Fascismo, ao “ave César”, e destoava completamente do que se entendia por democracia, mas percebíamos que, por exemplo, os EUA relevavam isso em troca da cessão de umas bases aéreas nas ilhas dos Açores, a Inglaterra em troca dos benefícios da comercialização do vinho do Porto. Face a isso, pessoas eram presas, torturadas, leis absurdas de exceção publicadas todos os dias ou todas as semanas, proibindo até que se acendessem isqueiros se não fosse “debaixo de telha”.

Política e igreja, diziam uma coisa e faziam outra. Passei a não acreditar em nenhuma delas e rezava ao meu Deus, o Pai de todos nós, e não nenhum outro, muito menos de filho de homem, para que salvasse a paz das guerras estúpidas.  Mas, por preservação de meu futuro, entrei para a Marinharia, uma extensão da Mocidade Portuguesa, preparando-me para a guerra, já que nenhum dos meus patrícios parecia ter competência para acabar com o governo que as mantinha... Os poucos que tentaram estavam exilados, presos, feridos ou mortos. Meu pai que me mandava uma carta de vez em quando do Brasil, onde residia há 9 anos, não se pronunciava sobre a minha ida para lá. Nem eu já pedia. Tinha perdido as esperanças.

Treinava aos sábados na canhoneira Diu, recebendo instruções de manejo de armas descarregadas (isso era raro), natação pulando do convés do navio, código Morse, sinais com bandeiras, nomenclatura de cada peça da embarcação. Levávamos o nosso próprio almoço, o que eu julgava ser um absurdo. Salazar era duro, pão duro, sovina, mas no Palácio de S. Bento, não !. Suas botas negras polidas, faziam parte de uma ‘imagem” pública e tirava fotografias com bandos de meninas puxa-saco, também como imagem pública. Seus ministros viviam à “tripa forra”, falava-se que a FNAT – Fundação nacional da Alegria no Trabalho (só rindo) era uma empresa do Estado e que significava “Fanantes nacionais Agarrados ao Tacho”.

No meio dos 22 amigos, Salazar tinha uma outra imagem, completamente diferente, mas se fossemos entrevistados, diríamos que era o “Nosso Senhor”, que éramos os seus “solados”, que tinha feito muito bem pela Pátria. Deve ser assim ainda em Cuba. A população pensa uma coisa, vê-se obrigada a dizer outra para sobreviver...

Quando em 1962 meu pai me mandou uma carta de chamada para o Brasil, agradeci aos meus dois Pais: o do Céu e o da Terra. Lamentei pelos que ficavam. Larguei as divisas que ganhara como participante da Mocidade Portuguesa – todos queriam ser ‘comandantes de Castelo”, e as da Marinharia. E embarquei para o Brasil, levando na memória as fotos que eu vira das atrocidades cometidas em Angola quer por portugueses quer por Angolanos, com mulheres grávidas extirpadas, mulheres abatidas com os seios cortados e colocados em suas mãos abertas, inertes no solo. E outras igualmente horríveis, como estacas ao longo da estrada com testículos espetados como aviso e vã glória.

Em 1983, depois de longos anos ausente, e após pesquisa nas páginas amarelas, voltei a Lisboa com um endereço certo: o do amigo Pedro, que ficara cego aos 7 anos de idade, e que de vez em quando o levávamos a passear para distrair as idéias. Foi um encontro como se o tempo não tivesse passado. Soube então que dos nossos 22 amigos, um falecera de ataque cardíaco ainda muito jovem, e os outros, todos, sem exceção, tinham morrido nas guerras.

Creio que para tudo é necessário um tipo muito especial de “sorte”... A sorte de nunca estar no lugar errado, numa hora errada. Mas isso não é sorte. É escutar e sentir a vida a cada momento, tomando atitudes que nos desviem das horas erradas e dos lugares errados.

Exceto para os heróis.

Esses morrem na hora certa, no lugar certo, da forma certa. Já os mártires, não. Esses são fabricados pela mídia.



sexta-feira, 27 de abril de 2012

A violência no Mundo - o que poucos admitem






VIOLÊNCIA NO MUNDO
(O que poucos admitem)

Qualquer regime político tem provocado mortes e sofrimentos entre as populações por ação direta de suas “forças”. Nos de “esquerda” e “extrema esquerda” de forma violenta na vã tentativa de fazer calar o povo ou parte dele, e nos de “direita” e “extrema direita” de forma mais cínica apoiados pela lei do “quem pode pode, quem não pode se sacode”, tentando iludir-nos que as oportunidades são iguais para todos, como em loterias. Nestes regimes quem não for puxa saco se estrepa, é perseguido ou ignorado, morre de fome ou por doenças. Todos os regimes têm causado dor, sofrimento, inconformação.

O segredo do “bem governar” parece ser a manutenção de um certo equilíbrio entre o contentamento e a indiferença em contrapartida com o descontentamento e a necessidade da mobilização popular. O mundo caiu desta forma na Queda da Bastilha e na revolução russa. Caiu de outra forma quando o mundo comunista finalmente atentou que sem dinheiro não se faz nada.

Mas nem as esquerdas nem as direitas democratizaram ou socializaram o capital. Democratizam ou socializam tudo, exceto o capital.   

Estes regimes que conhecemos são muito antigos e têm resistido à evolução deste planeta. Datam de épocas em que a população mundial andava por volta das centenas de milhões de indivíduos, ou um pouco mais tarde por volta do bilhão de seres humanos. O planeta se encheu até os 7,5 bilhões, e os sistemas de governo não mudaram. Quem ascende a um posto no governo fica lá, tranqüilo, armado de policiamento e exército, sem ter a mínima obrigação de fazer alguma coisa decente em nome do povo. Mesmo que roube, o sistema o protege e mesmo perdendo o posto não perde o dinheiro que roubou.

Hoje os sistemas produzem pobres, porque são em imenso maior número. Não fosse o medo que tolhe os movimentos dos insatisfeitos, a humanidade já poderia ter uma democracia que a representasse realmente, votando leis de forma direta, retirando do governo – também pelo voto - quem não lhe agrada. É necessário um sistema que não se auto-alimente de verbas públicas e não veja o futuro como uma cenoura que balança em frente aos seus olhos cansados, sempre inalcançável.

Em função do aumento populacional, a justiça tornou-se “morosa”, com casos - aos milhões – arrastando-se pelos tribunais aguardando julgamento. São muito poucos os juízes para darem conta e o Estado diz sempre que não tem dinheiro para novas instalações e contratações. Estados baseados no dinheiro não têm dinheiro, por mais absurdo que possa parecer e os impostos sejam exorbitantes. Muitos reclamantes na justiça morrem antes que os casos sejam resolvidos. Mas o aumento da longevidade faz aumentar a insistência por justiça e o número dos que reclamam.

A economia mundial não cria novos empregos em número suficiente para atender o aumento populacional. Isto gera crises de insolubilidade financeira, criando crises bancárias como retorno. Essas crises bancárias não raro se transformam em crises mundiais. Os lucros das companhias são cada vez maiores. Companhias e Bancos retêm capital para comprar novas empresas, novos Bancos. Este dinheiro parado, retirado do meio circulante, do capital de giro, provoca a queda da produção e a falta de empregos. Capital “encaixotado” não gera nada a não ser fome e revolta. Mas os bancos cobram juros exorbitantes acreditando que ainda há espaço para tal e que as populações não se revoltarão. Bancos, empresas e governo estão protegidos por leis – ou pela sua negação - por exércitos e polícia. O povo está sempre desarmado e não tem quem o defenda, nem aqueles que elegeu exatamente para isso. Quando dão algo, como ajuda de qualquer tipo, é sempre aquém das necessidades e do que poderiam dar se governo e empresariado não se mancomunassem para governar, ditando as leis, aprovando seus próprios lucros e salários, solapando os ganhos dos assalariados, fazendo faltar condições aos serviços públicos.

Com salários insuficientes, desemprego, falta de atendimento nos serviços de educação, saúde, justiça, segurança pública, aumenta o número de insatisfeitos que pagam com impostos desperdiçados pelos que os recebem.

Creio que estamos á beira de uma convulsão mundial. Basta o povo perceber que não existem lugares em prisões para todos, e que se parar de cooperar não haverá impostos a recolher. Em algumas sociedades a convulsão durará dias e será pacífica. Noutras não será assim infelizmente, mas a humanidade já tem demonstrado longo histórico de abnegação em prol de um mundo mais justo e melhor.             

sábado, 21 de abril de 2012

A agonia da decência









A agonia da decência

(Por Alex Solomon para publicação neste Blog) 



No zoológico, os animais são geralmente decentes, exceto os macacos. Sente-se que o homem não está longe — sentenciou o pensador Cioran. Esse vínculo, no quesito ignomínia, ao qual fazia referência Cioran – ele não devia estar pensando em Darwin - se faz notar na nossa vida pública, onde a decência parece viver, a todo instante, seus últimos momentos, resistindo em um ou outro indivíduo ou comunidade, que juntos, formam um arquipélago precário, prestes a ser submergido pelo mar de lama. Não é preciso ser um Narciso às avessas, prestes a cuspir na sua imagem para chegar a essa conclusão. Nunca antes neste país, a divisa comtiana “ordem e progresso” esteve tão próxima de se tornar uma curiosidade desprovida de significado. Possivelmente, o núcleo resistente seja mais amplo. Em todo caso, isso não fez muita diferença.
O “sucessão” (o grande sucesso, antes que impliquem com o artigo “o”) de indivíduos medíocres, protagonizando uma série interminável de desmandos, e que por fim acabam absolvidos por aparentes ataques de imperdoável amnésia coletiva – traduzida pela recondução a funções que jamais deveriam ter ocupado -, quando não por algumas filigranas ” juridículas” não parece ter fim, ou será que agora será diferente? “Vedoinadas”, “Demostenadas”, “Valdomiradas”, “Severinadas”, “Arrudadas” e outras “Mensaladas indigestas” sucedem-se ad nauseam. Uma verdadeira cachoeira de detritos. O comentário oficial é que tudo será devidamente investigado e os culpados punidos, mas na prática, nada disso ocorre de maneira perceptível. Nossa especialidade parece ser um neo-dostoievskiano crime sem castigo. Não existe culpado, logo não há punição, portanto, vamos à praia aos domingos, ou às sextas, ou mesmo às quintas, já que a semana de menos de 30 horas impera no mundo encantado de Brasília. Pois se alguma culpa for cabalmente demonstrada, por acaso acontece algo? Joga-se fora o sofá sobre o qual o adultério foi cometido e la nave vá. Ou impugnam-se as provas. Pronto.
Todos ficam felizes quando surge a diarista que tudo varre...debaixo do tapete. Aparentemente, não existe pecado do lado de baixo do equador; trata-se apenas de maquinações de uma elite – na qual, nem sempre, se perfilam os “justos”-, inconformada com “isso que está, esteve e, infelizmente, parece que estará aí”. 
Uma imprensa vendida, composta por “bandoleiros de plantão”- na (in)feliz expressão de uma sumidade, estaria fazendo o possível para infernizar a vida de abnegados eleitos pelo povo, que só não fazem mais (ainda bem! ) por ter que reagir às aleivosias de uma oposição insubmissa. Será? Salvo os portadores de antolhos ideológicos ou de consciências alugadas, alguém aceita essa patranha? E, por acaso, a oposição de ontem ou a de hoje merece que se lhe entoem hinos de louvor?
“Mas o que ocorre agora sempre aconteceu, caixa dois é algo mais antigo do que andar pra frente, o valerioduto já foi inaugurado na gestão passada, logo faz parte da herança maldita “, o problema é o financiamento das campanhas etc. retrucam, à guisa de defesa, os “aloprados “ flagrados, as falsas vestais, os pudibundos de araque. E arrematam: “Vocês” fizeram igual. Tudo isso na esperança de ver malfeitos escabrosos se diluírem no lodo de estripulias praticadas pelos da banda de lá. Melhor do que discorrer a respeito da desproporção entre “ deslizes” presentes e passados, é preferível dizer que nem todos somos os tais “vocês”. A indignação é apartidária, assim como a deterioração dos padrões éticos não é privilégio exclusivo do PT. Trata-se de uma pandemia mundial, mas sua manifestação, ultimamente, extrapola todos os limites, cá, em Pindorama. Trocar o rótulo transformando crimes em ‘malfeitos’ não é a solução. Será que estabelecemos um padrão mundial contra a corrupção como disse a Secretária de Estado Hillary Clinton, ou aprendemos a conviver com um padrão de indecência que bate recordes?
O misto de incompetência que se manifesta nos órgãos comprometidos pela política da entrega ao saque, dentro dos padrões de outorga em regime de porteira fechada a bem da governabilidade, associado à ausência de escrúpulos, que somente a certeza da impunidade pode justificar, não deixa alternativa, a não ser a indignação de “tanto ver triunfar as nulidades”. Pior ainda, chega-se a descrer das virtudes da democracia representativa, atitude que pode levar a uma verdadeira tragédia. 
A essa altura, parece não importar haver provas acachapantes contra esse ou aquele homem público. Ele negará até a morte e, caso não haja saída, contará com a morosidade de um Judiciário lento – aparentemente, por ser a justiça cega. A prescrição acaba sendo a repugnante solução. A subseqüente farta distribuição de narizes de palhaço — mesmo sem terem sido necessariamente superfaturados — remove, na prática, qualquer esperança de sair do atoleiro.
Se os ventos favoráveis da economia mundial conseguiram por um tempo jogar poeira nos olhos do distinto público, nada justifica assistir placidamente ao contínuo processo de degradação que, longe de se atenuar, parece oferecer no relaxogozismo ao qual somos intimados a participar, a única saída desse imenso lodaçal. Quando algumas marolinhas interrompem o ciclo de bonança festejado como coroamento de uma sábia maneira de governar, a saída é simples: jogar a culpa nos outros. Nós estaremos sempre certos, o problema (inferno) são os outros. Sartre já dizia isso.
Todos são inocentes até prova em contrário, mas nem todos são ingênuos a ponto de presenciar, inertes, o naufrágio dos valores morais. Indignar-se, mesmo se nocivo à saúde das coronárias é um passo necessário.
Talvez não saibamos votar, mas aprenderemos, antes que seja tarde. Antes que se implante o “habeas mídia”.
Em qualquer país minimamente civilizado, nenhum movimento poderá dispensar um aparato jornalístico, já dizia Lênin. Então, ao invés de quebrar o termômetro que acusa a febre, antes de rotular de reacionários aos que se insurgem contra a podridão, a incompetência, a ineficácia e a omissão, é de todo desejável que a logorréia oficial e das siglas que compõem uma volúvel “base aliada” seja substituída por uma postura responsável, mesmo que isso implique em menos aplausos de platéias domesticadas. Mesmo que alguns mitos se desmanchem, mesmo que algumas biografias fiquem tisnadas para sempre. “A verdade está em marcha, nada a deterá”. Não é preciso ser Zola, para acreditar nisso.
Estamos diante de uma oportunidade histórica de passar o país a limpo, para usar um bordão banal cujo significado não deveria nos escapar.

MAS PASSAR A LIMPO QUANDO CANALHAS QUE NEM DEVERIAM PODER SE CANDIDATAR O FAZEM E SÃO ELEITOS É ALGO QUE MEU CARDIOLOGISTA REPROVARIA.

Alex Solomon

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Carta al malparido rey de España





Carta al malparido rey de España.


Señor rey,


No puedo aceptar su pedido de disculpas por matar cerdos salvajes sin defensa, elefantes distraídos, antílopes flacos y sin armas para defenderse de usted.

Sabemos que no ha luchado contra Franco en las líneas donde cayeron los que han muerto en defensa de la libertad, mientras usted la pasaba de buenas en su exilio, comprando armas de caza para distraerse matando indefensos animales mucho menos salvajes que usted.

Sabemos también que usted no manda nada en España, que eso lo hace el primer ministro que tampoco es suyo, ya que pertenece al pueblo español a quienes les sirve.

Por lo tanto, sepa usted que los animales - mucho menos salvajes que usted no pueden servir para blanco de sus recalques de personalidad destorcida... Un psicólogo es lo que le hace falta, señor, y además, renuncie a su cargo porque ya no vale un comino....



Sepa aún más - porque seguro que no lo sabe - que el respecto de un pueblo por su presidente, primer ministro, o rey, es directamente proporcional a lo que de bien hace, indirectamente proporcional a lo que gasta con su proprio bien estar desde que no se quiebre las costillas y gaste aún más en hospitales que no paga usted, pero el pueblo sí. 


Quédese usted con esta por toda su vida, hasta que entienda lo que significa gobernar, pero recuerde que el pueblo no puede perder tiempo con aquellos que todavía tienen que aprender en vez de enseñar ...


y era usted presidente del WWF... Es usted también un mentiroso conveniente  


Rui Rodrigues, Ibérico.    

Pequenas notícias pequenos negócios




Pequenas notícias pequenos negócios
(notícias que ninguém lê nem dá a mínima...)


Notícia #1

A papelaria Beto, há mais de 23 anos na Rua Dias Ferreira, no Leblon, fechou as portas: o proprietário que cobrava 4.000,00 Reais por mês pediu 11.000,00. A justiça entendeu que o proprietário estava certo, ou o os donos da papelaria acharam que nem valia a pena consultar a justiça. Ninguém que eu conheça, juntamente com mais duzentos milhões de brasileiros se preocupou com os proprietários e ninguém saiu pelas ruas dizendo que não podem ficar sem papelaria naquele local do Bairro do Leblon. Pensando bem... Papelaria para quê? Para derrubar mais árvores na Amazônia? Se formos por aí tem que fechar todas... Visto por outro ponto de vista, a moça do supermercado agradece: menos um para perguntar se troca uma nota de 50 reais em uma de vinte, duas de dez, duas de cinco, duas de dois e uma de um real... Os fiscais da fazenda e do INSS estão curiosíssimos para saber quem irá arrendar a loja agora disponível.

Notícia # 2

“Eu Tarzan... Tu Chita!...” Foi uma frase que percorreu as mentes de todos os que assistiram á série de Tarzan na década de 30, e pela cabeça de muitos deve ter passado que a Chita tinha um carinho muito especial, tipo amizade colorida com o solitário Tarzan. Nunca editaram a série “os filhos de Tarzan” por causa da imoralidade latente que assolava a TV. Se soubessem que a Chita era macho, não pensariam besteira. Chito – temos que corrigir o nome para que não se revolte no túmulo – morreu com 80 anos, feliz da vida, porque não sabia ler e não entendia os diálogos dos filmes da série. Quem inventou o personagem Tarzan, foi um tal de  Edgar Rice Burroughs. Tarzan era protagonizado por Johnny Weiss Muller (1904-1984), primo talvez de Peter Weissfudr, o bandido da série, ambos já falecidos.  Curiosamente, Chito se foi com a mesma idade do Muller. Tinham muita coisa em comum. Como Chito era contra o cigarro e o álcool, prenderam o sujeito numa instituição onde ficou 40 anos preso. Morreu de falha renal por falta de cerveja que faz urinar e acaba até com cálculos nos rins.

Notícia # 3

As favelas pacificadas poderão ter 1.500 quartos para receber em 2013 os estudantes estrangeiros que vêm para a Jornada Mundial da juventude com o Papa Bento XVI. Um empresário e a Associação de Operadores de Turismo estão na jogada. Evidentemente que os estudantes nacionais também têm direito, mas pelos vistos os custos de aluguel devem ser muito altos e dormirão em barracas na praia. Esperam todos que o Papa Bento XVI ainda esteja vivo, senão vai ser uma furada monumental. Fugindo sempre de zonas violentas, espera-se também que os turistas não se vejam confrontados ao descer os morros, quando os bandidos estiverem subindo. Estes não resistirão á tentação por que não são muito católicos. Como o Papa Móvel não sobe ladeiras tão altas será içado por helicóptero da empresa “mosquitos associados”. Serão proibidos os voos de asa delta, asa alfa, asa gama e asa Analfa-Beta, para evitar atentados ou que algum despenque em cima do Papa. A vista, prometem, será maravilhosa. Vê-se Leblon, Ipanema, Copacabana, e não se vê Vicente de Carvalho, Irajá, Méier e Tijuca onde o pau come solto...
Mesmo sendo ateus, ou de outras religiões, políticos beijarão a mão do Papa, esperando todos que não seja do tipo de coçar saco...

Notícia # 4


Cristina Kirchner, presidente da Argentina tem família que é dona de uma empresa de petróleo e se associou a uma empresa espanhola para prospecção de petróleo. Esta semana, decretou a encampação dos 51 % da companhia espanhola e ficou dona dos 100% alegando que esta estava fazendo corpo mole. Mandou então um representante ao Brasil para pedir participação da Petrobrás nesse setor da prospecção. Visto assim, parece que já tinha tratativas anteriores com este governo do tipo: “Logo que eu os expulsar vocês entram...”. Cristina Rica e Bela Kirchner já tinha se atracado com a Inglaterra pelo atraque de um vaso de guerra inglês nas Mal-vindas, em vez de lhe dar as Boas-vindas...
Espera-se no futuro a encampação dos investimentos da Petrobrás na Argentina, e o perdão do governo assim como já perdoou a dívida da Bolívia que importa carros roubados do Brasil aos milhares, e a encampação de uma empresa de petróleo – não por acaso da Petrobrás – no Peru. Esta é do peru mesmo !!!!!!


Notícia # 5

Nos tempos do boom econômico americano, sobrava dólar pra tudo que é lado. Compravam tudo com meia dúzia de dólares. Não compraram o Acre porque ficava meio isolado nem o pré-sal porque ainda não existia. Os agentes da CIA, dessa época, amavam seus presidentes não porque fossem republicanos ou democratas, se bem que todo o republicano é democrata e todo o democrata é republicano e nunca se entendeu porque razão brigam tanto nas eleições...

Agora, com o dólar em queda, seis agentes da CIA resolveram comprar os serviços de seis - meia dúzia - de prostitutas em Cartagena por 28 dólares a-m-e-r-i-c-a-n-o-s, quando elas pediam 800 dólares cada uma. Eles deveriam cuidar do Obama que não tem curso de ninja, não faz esportes radicais, e nem tem tanto músculo assim, mas em vez disso, passaram a noite na fuzarca com as moças.

Nos velhos tempos, a CIA tinha moral e todo mundo lhe tinha medo, mas agora, depois de tantas guerras perdidas, o moral da moçada cresceu e as moças deram parte na polícia... Os guarda-prostitutos foram demitidos.

Depois reclamam da segurança nacional e pressionam turista em aeroporto...

Dilma também esteve lá e não teve problema nenhum com seus guarda-costas.

segunda-feira, 16 de abril de 2012

Esquerda ideológica e Comunismo - Brasil




(foto da Universidade de Coimbra)




Comunismo e esquerda ideológica no Brasil
(da possibilidade de vingar )

A idiossincrasia das nações – que identifica e une os cidadãos – constrói-se ao longo de séculos, milênios. No caso do Brasil podemos dizer que começou a ser construída há dois mil anos. Pela idiossincrasia se distinguem umas nações das outras, e por isso sabemos que franceses são distintos dos ingleses, dos alemães, dos malgaxes, russos, egípcios, chineses...

O Brasil é uma nação com forte componente nacionalista. Nós brasileiros amamos o Brasil e temos o ideal comum de ver esta grande nação progredir no seio de todas as outras. Embora possamos identificar um nordestino de um sulista, a unidade e homogeneização da identidade brasileira é um fato e está profundamente enraizada. Muito mais do que possamos pensar.

A idiossincrasia brasileira começou a formar-se na época de César, o Imperador romano quando invadiu a península Ibérica. Ali viviam os descendentes de uma mistura de raças com base celta que deram origem aos lusitanos. Conhecemos os celtas e os lusitanos por sua bravura e tendência para as artes e o espiritual. Viriato foi um chefe guerreiro lusitano que resistiu por anos aos assédios de César onde hoje se situa a serra da Estrela. A vitória de César só foi possível depois que tratou para a morte de Viriato com um traidor que o assassinou. 

Bem mais tarde, no ano de 1093 DC, já na era feudal, começaram a aparecer reinos por toda a Europa. Um dos primeiros foi o da Galícia, que entregou a um conde, o Conde D. Henrique, um feudo chamado Portucale ao sul da Galiza entre os rios Douro e Minho.  O feudalismo era aprovado pela Igreja Católica que aprovava ou indicava reis. O filho do conde D. Henrique contrariando o sistema feudal e a autoridade do Papa declarou a independência do feudo aos 18 anos de idade, em 1193. O antigo feudo passou a chamar-se Reino de Portugal desde então. Até aqui se pode constatar como é forte o sentido de independência dos portugueses e brasileiros, herdado de celtas e lusitanos, mas não só, como veremos a seguir.

O reino foi ampliado até o sul, o Algarve, completando o mapa atual. A partir de 1300 começaram as navegações em busca de caminhos que levassem os portugueses ás fontes de comércio de que tinham notícias: Terras visitadas por Prestes João e Marco Polo. Buscavam na realidade os caminhos das especiarias e o da seda. O norte de Portugal sofreu influência judaica desde 300 AC, e aumentou com a expulsão dos judeus da palestina em 70 DC, e o fim do Império Romano do Ocidente em 1476 DC. O povo judeu foi responsável pela fundação de inúmeras universidades por toda a Europa, tendo participado da de Coimbra, fundada em 1290. Em 1500, Portugal atingia as costas do Brasil para reconhecimento. A experiência de terras invadidas dos índios nativos e da escravidão de povos africanos trazidos para o Brasil gravaram profundamente a idiossincrasia brasileira, criando aversão completa à exploração do ser humano, e o respeito ás fronteiras internacionais.

Em 1807, o rei D. João VI de Portugal veio para o Brasil para não perder a guerra com Napoleão em cooperação com a Inglaterra com quem tinha uma aliança desde 1218 e que mantém até hoje. Este fato, de uma imensa terra na América do Sul ser a capital de um Reino europeu, fortaleceu a personalidade do povo brasileiro, que até então se julgava português, e o era com toda a propriedade. Napoleão perdeu a guerra mostrando que D. João VI estava certo em sua estratégia. Voltou a Portugal após a derrota de Napoleão, deixando o filho, D. Pedro I no governo do Reino sul americano – o Brasil. Como a inquisição fazia suas vítimas de forma atroz em toda a Europa e em Portugal também, famílias  descendentes de judeus, outras que professavam diferentes religiões, ou que ansiavam por liberdade e novas oportunidades, começaram a chegar ao Brasil. Eram motivadas principalmente pela liberdade religiosa a exemplo das famílias inglesas que emigraram para os EUA.

Quando a corte de Lisboa resolveu que D. Pedro II, filho de D. Pedro I teria que voltar a Portugal e aumentou os impostos para 20%, o povo brasileiro teve o mesmo sentimento que os portugueses tinham tido em 1193 ao separar-se de Castela. A unidade em torno de uma pátria comum de mesma idiossincrasia explica porque razão a America do Sul espanhola se separou em muitos países de língua espanhola, e a unificação do território brasileiro numa língua única portuguesa. Uma só nação, íntegra.

A partir da primeira guerra mundial em 1914, o Brasil começou a ser complementado com habitantes de toda a Europa e Japão, principalmente, que buscavam novas oportunidades de vida, dispondo-se a trabalhar arduamente, com muito mais empenho do que trabalhavam em suas terras de origem, para construir uma jovem nação onde havia liberdade de expressão e essas tão sonhadas oportunidades.

O povo brasileiro, descente de celtas, suevos, alamanos, vândalos, iberos, lusitanos, romanos, árabes, judeus, godos, ostrogodos, índios sul americanos, negros africanos, e gentes de todas as raças da era moderna, sempre fez questão de ter liberdade, novas oportunidades de trabalho, fortíssimo senso de independência, tino comercial, dentre outras virtudes.

Cansados de tradições guerreiras e de perseguições, não fogem à luta os brasileiros, mas tentam resolver sempre pela manutenção da paz.

Seria impossível, com esta tradição e idiossincrasia, que o povo brasileiro estivesse disposto a ser liderado por um Stálin, Fidel Castro, ou qualquer ditador que lhe tire a liberdade de expressão, as oportunidades de empreender, de crescer profissionalmente, de ter o seu próprio negócio, a sua casa, o seu pedaço de terra onde se julga independente e livre.

Por isso, quando em 1964 sofreu os efeitos de pesada ditadura importada do medo ao comunismo, não apoiou os movimentos comunistas. Preferiu sofrer a ditadura, contornando-a tanto quanto podia, esperando que terminasse.

O Brasil é hoje a sexta economia do mundo, e a esquerda já não é ideológica nem tem oportunidade de voltar a ser porque o comunismo morreu. Foi uma pena, porque a ideologia era excelente. Os líderes é que não prestaram. Preocuparam-se com o sistema e esqueceram o povo, para quem deveriam governar. Esses líderes colocaram a ideologia como alvo principal e relegaram os anseios populares em suas nações. Mataram  e calaram em nome de uma ideologia. O povo deixou de produzir.

O alto moral do povo brasileiro, a estoicidade de resistir ás adversidades, o forte senso de unidade e de independência, o espírito empreendedor e a alegria de viver nestas condições, que muito para além de serem ideologia são a mais pura das realidades, mantém esta grande nação no rumo de suas próprias vontades.

Rui Rodrigues


Oração ao Deus Único




Oração ao deus único

Olhai por todos nós, senhor... Olhai por todos nós...

Sabemos que és único, onipotente, o construtor de todos os Universos,
Que és onipresente, bom e que por seres Deus não precisas de ajuda de ninguém, nem dos sacerdotes, porque não dizem a mesma coisa entre eles.

Sabemos que não te manifestas de forma que te possamos reconhecer,
E por isso ninguém, de nenhuma religião já te viu ou ouviu,
Porque vibras como Deus e tua linguagem não é sonora.

Não és homem ou mulher.

Conhecemos muito pouco de ti, quase nada, mas Olha por nós,
Porque todos te amamos, independentemente de cor, raça, gênero, etnia ou nação.

És a nossa esperança, porque todas as esperanças que nos têm mostrado,
todas elas se revelaram perenes ou insuficientes. Não são essas esperanças que esperamos de ti. Nós, por nós mesmos, não nos resolvemos.

Por termos inteligência, ou julgar que a temos, descobrimos que existes,
Mas precisamos ainda ser mais inteligentes para ir ao teu encontro,
tendo sido vãs as palavras de que te seguem e querem o bem da humanidade.

Tu és o Deus único de toda a humanidade.

Só tu podes cuidar de nós, para que não nos percamos na estrada da evolução, em eternas lutas de poder entre indivíduos, empresas, sociedades e nações. Ensina-nos a competir sem nos destruirmos.

Ajuda-nos a não jogarmos palavras ao vento dando e frustrando esperanças.

Sabemos que não deténs exércitos nem a destruição, porque essas são escolhas nossas, desta triste humanidade em que cada um, cada nação, sempre pensa que é a melhor, a maior, a mais correta, mas somos todos fruto da mesma origem e tudo é temporário.

Olhai por todos nós, Senhor, porque nós não sabemos olhar por nós mesmos e podemos perecer.  

Apontam-nos para uma vida no além, mas a que nos deste foi esta, neste planeta, e mesmo existindo essa vida, precisamos cuidar da que temos consciência de nos teres dado.

A esses, perdoai-lhes senhor, porque esses e nós não sabemos o que fazer.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

O Contrato de Convivência Consentida



O contrato de Convivência Consentida

Todo contrato deve atender ambas as partes de forma a que se satisfaçam, fiquem satisfeitas. Se ficarem mutuamente satisfeitas, melhor ainda.

Foi o caso de Isabel de Garcia y Albuquerque, de sessenta e oito anos ao assinar o “contrato de convivência consentida” com Pedro da Cunha Alves, um sexagenário de 69 anos. Para todos os efeitos um casal moderno que assistira até às barricadas de Paris por uma melhor educação e ao festival de Woodstock pela liberdade total e indiscriminada.

Ambos viviam solitários, nestes duros tempos de falta de credibilidade interpessoal, cada um em sua casa, mas ainda sentiam fôlego para uma relação final até que a terra os comesse. O passado de Isabel contemplava dois maridos, três amantes e segundo suas contas, mais ou menos uns setenta e cinco casos eventuais na base do supetão: a presa passava por seus olhos, ela lançava-lhe todas as suas armas físicas, gestuais e intencionais, e depois de uma rapidinha que não demorava mais do que uma hora, lavava-se, arrumava-se, ajeitava-se, perfumava-se, passava batom e ficava com a nítida sensação de que “lavou tá novo”.

Pedro da Cunha casara uma vez só, e segundo sua contabilidade já meio duvidosa pela memória que a idade ainda permitia mais de duzentas, e não se lembrava se alguma delas teria sido realmente sua amante, ou caso eventual simples ou casualmente repetitivo. Uma coisa era certa e comum aos dois: Não gostavam muito de viver sós e precisavam juntar-se a alguém, mais que não fosse para terem motivos para arranjar novos amantes, novos casos eventuais, como que num processo de rejuvenescimento que só as cirurgias plásticas também proporcionam. Ambos eram muito experientes de vida. Ambos sabiam também que a discussão dos termos do contrato de convivência consentida não seria coisa fácil.

Perante um escrivão do cartório que a cada termo do contrato se emocionava, sentia raiva, sorria de puro gozo ou apresentava discreto olhar de incredibilidade ou admiração, os dois se sentaram para acertar alguns detalhes e finalmente assinarem o documento que lhes garantia a independência na dependência, a liberdade nas limitações, e a convivência sustentável nas constantes divergências que logo começariam a aparecer.

- Concordo com a divisão em partes iguais das despesas da casa – disse Isabel – mas temos que ter uma geladeira grande e duas pequenas. Na grande, os alimentos comuns. As outras são uma para mim e outra para você guardarmos o que cada um comprar só para si. Podemos até dividir, mas há coisas que você gosta que eu não gosto e vice-versa. Assim não haverá discussões. Virou-se para Pedro da Cunha e lançou-lhe um olhar interessado, deu-lhe um sorriso simpático e perguntou: - Concorda?

Pedro da Cunha assentiu com a cabeça, devolveu-lhe o sorriso e passou ao ponto seguinte. Disse: Cada um tem a sua conta no banco para despesas particulares e uma para as despesas comuns. Quanto aos bens adquiridos a partir de hoje, serão sempre adquiridos meio a meio e no caso de um de nós se ir antes do outro – o que é mais provável- o outro fica com a parte do que se foi... Concorda? Isabel pensou um pouco. Não pretendia adquirir nada. A vida tinha sido difícil e pretendia gastar tudo antes de se ir. Foi franca com ele. Concordava, mas não pretendia comprar nada de imóvel. Só trocar de carro e alguns móveis para inaugurar o apartamento novo que estavam alugando. Viveriam nele enquanto vigorasse o contrato.


- Querida, sobre nossas relações íntimas... Temos sido muito francos um com o outro e isso deve transparecer no Contrato -Disse Pedro da Cunha- Creio que temos que garantir um mínimo de relações. Sabe como é... Dor de cabeça, indisposição, tudo bem, mas imagine que a partir de certa altura isso aconteça todos os dias de todas as semanas do mês, meses a fio... Ou que eu mesmo negue fogo da mesma forma... Salvo motivo de força maior... Como ficaríamos?

- Nós não precisamos dar desculpas um para o outro como se fossemos casados “normalmente” ou como antigamente. Se isso acontecer, e não pudermos aguentar a desgraça, abrimos o jogo e denunciamos o contrato. Separamo-nos e damos o trato como acabado.

Isso fazia sentido para Pedro da Cunha. Foi assim, em pleno entendimento, que se acertaram nos outros itens contratuais:

Art.8º - Se qualquer um dos dois passar a roncar, o outro tem o direito de dormir com quem não ronque ou ronque menos ou de forma menos desagradável enquanto persistir a roncação.

Art.9º - Todos os anos se trocará de gênero de empregado. Um ano uma empregada e no outro um empregado para agradar a ambos os Conviventes. Se o empregado ou a empregada consentirem, podem passar a mão à vontade.

Art. 10º - Cada uma das partes terá direito a um(a) suplente, de sua livre escolha, para os casos de discórdia por incompatibilidade de gênios ou vontades, como por exemplo ir a um baile ou tomar chope com os amigos. Se uma das partes quiser fazer algo do gênero e a outra não quiser acompanhar, usa o suplente ou a suplente.

Art- 11º- Conceito da “semana um semana outro”. Este artigo dispõe sobre as alternativas nas responsabilidades. Se um dos membros do casal lava a louça numa semana, o outro a lavará na semana seguinte. Aplica-se este artigo a todas as atividades do dia a dia.

Elege-se o Foro Íntimo de cada um para resolver as pinimbas decorrentes da aplicação dos termos deste Contrato, que em casos extremos dispensa o Julgamento arbitral. Casos denunciados por ele serão julgados na cidade de Amsterdam, e denunciados por ela em Timbuctú para assegurar que a união teria uma última oportunidade de continuar.

E nem sei se foram felizes por muitos anos ou algumas horas. Sei apenas que buscaram a felicidade durante toda a vida, experimentando todos os caminhos possíveis para garanti-la. Até por um contrato de intenções.

No testamento dos dois constava bem claramente que os vibradores que ela deixara eram legado para a neta e que a bonequinha inflável que se chamava “Minha gostosinha” ficaria para o neto dele...

 Rurodroguix