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quarta-feira, 9 de maio de 2012

O sputnik e o comportamento de massas




O Sputnik
(Minha primeira experiência freudiana sobre comportamento de massas)



Dia 04 de Outubro de 1957, uma sexta-feira.

Eu estudava no Liceu Gil Vicente em Lisboa, e num dos intervalos veio a notícia: a URSS havia lançado um satélite que seria visível nos céus pelo brilho da incidência dos raios solares sobre ele. Viajava a uma velocidade espantosa, dando 15 voltas por dia ao redor deste já insignificante planeta. Não me lembro em absoluto de nada do que foi ensinado no Liceu naquele dia. Não se falava em outra coisa. Queria ir para a rua para ver o Sputnik. Eu tinha 12 anos e cursava o segundo ano dos Liceus. Já sabia alguma coisa de física, mas era ainda muito pouco. De qualquer modo era um grande feito da humanidade.

O Sputnik 1 (em russo “Спутник-1” ou Satélite 1) era uma esfera de alumínio de 58,5 cm de comprimento e peso de 83,6 kg, na qual estavam acopladas quatro antenas e dois transmissores de rádio. Projetado pelo gênio astronáutico soviético Sergei Pavlovich Koroliov (1907-1966)- pelo menos os URSSianos diziam que sim - o satélite artificial foi lançado na ponta de um foguete R-7 do cosmódromo de Baikonur, no Cazaquistão, às 22h28, hora de Moscou.

Olhei para o céu na saída do colégio e não vi nada. Olhei em todas as direções. Meus companheiros também não viram nada. Descartamos assim qualquer deficiência de visão. Não poderíamos ter ficado todos cegos ao mesmo tempo assim tão de repente. Pessoas pelas quais passávamos falavam sobre o Sputnik. Comunistas e socialistas falavam mais alto. Os pró-ditadura de Salazar encolhiam os ombros e os democratas capitalistas diziam que não era nada demais. Eu sabia que era algo demais sim.

Em 03 de novembro de 1957, num domingo, a URS soltou outro satélite, desta vez com uma cadela chamada Laika, mas cinco horas depois do lançamento os técnicos pararam de receber os sinais vitais da pobre cadela. Morreu congelada e seu cadáver foi incinerado na reentrada da atmosfera cinco meses mais tarde. Um grande tributo de um pequeno animal empurrado á força para dentro da cápsula espacial, morto por erro técnico da equipe de controle de qualidade dos apressados técnicos URSSsianos, coisa que se repetiria anos mais tarde, por diversas vezes e com seres humanos nas investidas espaciais dos técnicos americanos, também por pressa e por erros técnicos da equipe de controle de qualidade da NASA. Os nasianos também erram, mas os americanos – dizem eles – jamais. E para pedir desculpas não usam o “apologize” mas o simples “I’m sorry” que já não tem o mínimo significado.

Na segunda feira, com a Laika já morta, saímos do Liceu e olhamos o céu. Nada!. Não víamos nada. Tinha que ser ao amanhecer, e não sabíamos disso, mas resolvemos fazer nosso teste, lembrando do “milagre” de Fátima.

Paramos na confluência da Rua das Colônias com a Avenida Almirante Reis, onde sempre passava muita gente a pé e fizemos um circulo apontando com os dedos para o céu. Murmurávamos interjeições de admiração e dizíamos: É o Sputnik... É o Sputnik!...  

(quem quiser ouvir o “bip” do Sputnik, ouça em http://idgnow.uol.com.br/estaticas/mp3s/sputnik.mp3)

E sem qualquer admiração ou surpresa, constatamos que muitos dos transeuntes, bastantes por sinal, paravam para olhar e concordavam que viam o satélite. Chegavam a dizer que o viam um pouco mais para a esquerda, ou para a direita, ou acima ou abaixo do lugar para onde apontávamos. Devia ter sido assim em Fátima: Para não se passarem por ignorantes, concordaram que viram o que a natureza não permite, e neste planeta nada é permitido que não seja natural ou feito pela humanidade, ou pela vida que a povoa. É uma Lei de Deus que não pode ser contrariada nem por Ele mesmo, porque não se arrepende das Leis que fez.

A corrida espacial começara.

O lançamento de um satélite artificial era muito mais do que alguma coisa técnica, coisa de cientistas. Na verdade era um projeto que começara ainda durante a segunda guerra mundial quando cientistas foram salvos do nazismo por russos, americanos e ingleses. Eram em sua maioria alemães e judeus alemães. Von Braun, por exemplo, foi salvo por americanos e comandaria mais tarde o programa espacial americano. Einstein era judeu e tinha desenvolvido as teorias da Relatividade geral e restrita, tão simples que pode ser traduzida numa fórmula: E=Mc2, origem do desenvolvimento das bombas atômicas, contra sua vontade.

Mas, muito mais do que isso eram os horizontes da humanidade que se abriam.

Havia esperanças de partir logo para a conquista do espaço e ter a oportunidade de largar este conturbado planeta, assim como famílias inteiras de perseguidos religiosos haviam demandado a América do Norte e o Nordeste do Brasil em busca de paz e tranqüilidade para viverem, mas os senhores do mundo – insistem, teimam que vivemos numa democracia – gastam o dinheiro público de forma independente e unilateral e muitos ainda o roubam.

Quanto á Laika, seu olhar potencialmente humano não deixa dúvidas: Sabia que estava numa grande encrenca... Nós também estamos com esses governos que não aplicam os dinheiros públicos como devem. 

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