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quinta-feira, 1 de março de 2012

Para quem não conhece Gotham City ...



Para quem não conhece Gotham City...



Bob Kane e Bill Finger são considerados os criadores das histórias em quadrinhos de Batman, ambientadas numa cidade chamada Gotham City, escura, perigosa, onde reinam o crime e a corrupção. O nome da cidade foi criado por Bill Finger ao procurar numa lista telefônica por alguns nomes que fossem interessantes. Encontrou Gotham city, que era um dos apelidos da N. York de hoje, muito antes de ser conhecida como a grande maçã – Big Apple. Gotham City representa o lado sombrio da cidade de N. York. Batman representa a escassez de defensores da lei, porque é apenas um, já que Robin desistiu e desapareceu de cena. Não me admiraria se um dia aparecer uma história em quadrinhos onde Batman cace impiedosamente seu antigo amigo Robin que teria se passado para o lado do crime.

Não creio que Gotham City seja apenas uma ficção sobre uma característica de uma cidade que tem tantas e tão boas outras. Creio que os criadores desta banda desenhada se preocuparam em alertar os leitores para os perigos de se deixar correr solta a corrupção e o crime, tendo apenas um fictício – este sim – defensor, chamado Batman que agia á noite, hora em que tradicionalmente os policiais estão dormindo, descansando, ou se entupindo com um par de cervejas enquanto assistem pela TV a um jogo de football americano. Em qualquer cidade do mundo, o efetivo policial noturno é uma pequena porcentagem do diurno quando deveria ser pelo menos o dobro deste. Curiosamente também, a Polícia Federal não age de forma independente. Tem que ter uma ordem de um juiz para investigar e prender. Se o juiz for corrupto, as ordens jamais serão dadas, ou se dadas, os delinqüentes avisados previamente.

Lia Batman quando era ainda garoto e assisti a alguns filmes da série na minha adolescência. A cada filme ou fascículo da série, apareciam bandidos novos, mas Batman continuava praticamente sozinho na luta contra o crime e a corrupção, sinal evidente de que o crime e a corrupção aumentavam desproporcionalmente ás forças da lei. Batman nem era policial, nem teria aposentadoria. Era rico por definição, e contra os que ficavam ricos por corrupção. Naqueles tempos, os ricos eram “legais” e os bandidos ricos eram bandidos.

Deixei de ver filmes e revistas do Batman, na medida em que os criadores também começaram a não acreditar em sua criação. Ficaram desmotivados em nos proporcionar outras histórias e eu em reler as antigas: Era tudo mentira e as histórias estavam mal escritas. Nem Gotham City era assim tão escura à noite, tão soturna. Ricos eram também uns calhordas roubalhões. Os ricos mantinham seu dinheiro em bancos e não ajudavam a cidade com contribuições que lhe permitisse reforçar o treinamento de policiais, aumentar o efetivo policial, dar-lhes mais condições operacionais.

Gotham City era uma mentira que se baseara numa esperança que morrera por evolução da realidade. A realidade se sobrepusera á própria ficção, tornando-se superior a esta em emoção. Para que ler revistas com aventuras de Batman na insegura e soturna Gotham City se essas realidades se liam diariamente nos jornais e telejornais?

Não é necessário que se descreva Gotham City para que saiba como seria na ficção de Bob Kane e Bill Finger... Basta que olhemos para os lados no nosso dia a dia, na nossa noite a noite, assistamos a telejornais em nossas cidades ao redor do Planeta. Gotham city cresceu imensamente...

Lá estão eles, todos eles: o político ladrão que não representa o povo que o elegeu, e que sai imune das acusações guardando o dinheiro que roubou e distribuiu; o policial corrupto que faz guarda a instituições particulares que lhe pagam por fora e chega cansado ao trabalho para o qual é pago pela população; o assaltante que rouba, mata e se perde no meio da multidão e escuridão e tantos outros, no meio de uma população impassível, imobilizada, calada, apática, que tal como nos quadrinhos de Bob Kane e Bill Finger, apenas aparecem para bater palmas quando alguém é apanhado, mas não fazem passeatas pelas ruas para que se administrem melhor as despesas do tesouro nacional.

Gotham City é agora a cidade onde você vive.

Rui Rodrigues

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